Globalização

Vamos explicar o que é globalização e quais são suas principais características. Além disso, as mudanças provocadas por esse processo.

A globalização conecta as diferentes sociedades do mundo por meio da tecnologia.

O que é a globalização?

A globalização é o processo de crescente integração das sociedades e economias do mundo que vem se desenvolvendo nas últimas décadas. Atualmente, a produção e o consumo, o comércio, o transporte, as comunicações e os mercados são organizados em escala global. As consequências dessa transformação são controversas porque os benefícios desse sistema não se distribuem de maneira equitativa.

Por outro lado, o termo também é usado para se referir a processos específicos que andam lado a lado com o processo de integração econômica global. Por exemplo, em um sentido técnico, a globalização está relacionada à implementação de tecnologias de informação em diferentes partes do mundo, para diferentes aspectos da vida social.

Com relação aos aspectos ideológicos e culturais, por outro lado, entende-se a globalização como a universalização dos valores liberais e democráticos das potências ocidentais e a generalização do modelo capitalista de consumo.

A globalização econômica no contexto histórico

Nas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, houve um forte crescimento das economias das potências capitalistas (os Estados Unidos e os países da Europa Ocidental). Posteriormente, esse crescimento desacelerou e às potências econômicas tradicionais juntaram-se o Japão e a China e, nas décadas seguintes, a Índia, o Brasil e o México, que alcançaram dimensões econômicas consideráveis.

Entre 1913 e 2000, a população mundial cresceu de cerca de 1,8 para cerca de 6,1 bilhões de pessoas. Esse crescimento demográfico é de uma intensidade nunca antes vista e se acelerou especialmente a partir de 1950. Entre 1950 e 2000, a população mundial se multiplicou em 2,5.

Por outro lado, o PIB mundial cresceu ainda mais rápido. Em 2000, era quase 20 vezes maior do que em 1900. Somente nas últimas cinco décadas do século passado, o PIB mundial multiplicou-se por sete.

Políticas de livre comércio

Para se integrar ao processo de globalização, os Estados-nação devem estabelecer políticas de livre comércio que facilitem a exportação e a importação de bens e serviços. Isso implica a eliminação ou redução de tarifas alfandegárias e o abandono de políticas protecionistas que protegem a produção para consumo interno.

O processo de integração global é amplamente apoiado pelo surgimento de vários acordos de livre comércio de alcance variado, como a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), o NAFTA (Acordo de Livre-Comércio da América do Norte), o ALC UE (Acordo de Livre Comércio entre o México e a União Europeia), o MERCOSUL e muitos outros.

Circulação de mercadorias

A globalização aumentou o comércio mundial de bens e serviços.

A globalização trouxe os mercados nacionais e regionais para o grande mercado mundial. Por conseguinte, a circulação de mercadorias se multiplicou.

Isso, por sua vez, gera concorrência de produtos nos mercados locais, entre bens importados e bens produzidos internamente. Como resultado, no âmbito global, há uma tendência à especialização regional ou local na produção de bens e serviços.

Internacionalização de recursos humanos

 A internacionalização das empresas geralmente exige a realocação temporária ou permanente de seus recursos humanos, o que pode ser necessário para funções de capacitação, aperfeiçoamento, avaliação de novos mercados etc. Isso tem o efeito de internacionalizar os salários dos trabalhadores especializados.

Essa globalização da mão de obra especializada (por exemplo, tecnólogos, cientistas, financistas, esportistas etc.) e a migração de trabalhadores contribuem para a globalização dos setores não especializados da população. O transporte e as comunicações facilitam a migração de trabalhadores de baixa renda para outros países onde há melhores salários em oferta.

O mercado de capitais torna-se um fator decisivo no mundo globalizado. Nesse contexto, as instituições internacionais de empréstimo, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, desempenham um papel importante.

As corporações multinacionais

A globalização acelerou o crescimento das grandes corporações.

Com a globalização, e por motivos econômicos e financeiros, é comum que várias empresas se unam para formar corporações internacionais, que competem (nem sempre em pé de igualdade) com indústrias e empresas locais.

A capacidade de arcar com campanhas publicitárias multimilionárias muitas vezes exacerba essas lacunas.

As telecomunicações

Na era da globalização, há um uso intensivo das telecomunicações. Tanto para realizar transações comerciais quanto para acessar informações com rapidez, se torna fundamental a tecnologia de comunicações.

Tanto para realizar transações comerciais quanto para acessar informações com rapidez, é fundamental a tecnologia de comunicação. Isso aumentou a quantidade de informações disponíveis ao alcance das pessoas e mudou os comportamentos culturais em diferentes sociedades ao redor do mundo.

No entanto, os canais de informação e a mídia geralmente permanecem nas mãos de grandes empresas multinacionais de comunicação (especialmente nos Estados Unidos e nos países da Europa Ocidental). O controle corporativo das informações pode ser problemático, à medida que o conteúdo é adaptado para influenciar a opinião pública.

Terceira Revolução Industrial

Atualmente, considera-se que os avanços tecnológicos e científicos nas áreas de microeletrônica, computação e robótica constituem uma terceira revolução industrial. A aplicação desse conhecimento aos transportes, às comunicações e à indústria mudou o mundo em escala global.

As inovações no transporte permitiram que as empresas multinacionais se instalassem em países com mão de obra barata. Dessa forma, aumentam seus lucros e expandem seus negócios.

Por outro lado, a revolução nas comunicações permitiu que as informações fossem transmitidas imediatamente, por meio de redes de satélites e da Internet. Isso se tornou um fator fundamental para o funcionamento das atividades financeiras, comerciais e bancárias.

Instituições supranacionais. A incorporação de países ao processo de globalização econômica levou ao surgimento de clubes de tomada de decisões, como o G-8, o Mercosul e o BRICS. Além disso, foram criados órgãos internacionais de gestão econômica, como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Críticas à globalização

Os benefícios da globalização não são distribuídos de maneira equitativa em todo o mundo. Os investimentos, os fluxos financeiros e a produção de bens e serviços têm se concentrado nas atividades econômicas dos setores de classe alta e média alta dos países mais ricos (Estados Unidos, Japão, China e países da Europa Ocidental).

Os países com poucos recursos e, principalmente, os setores sociais de baixa renda são excluídos dos benefícios da globalização. As políticas neoliberais necessárias para a integração do mercado global negligenciam a população pobre. Em decorrência disso, a pobreza, a marginalização, a fome e o analfabetismo aumentaram em muitos lugares.

Diferentes movimentos sociais criticam os efeitos da globalização. As principais críticas são:

  • Há um paradoxo entre o crescimento econômico que a globalização permite a uma pequena porcentagem da população e o aprofundamento da pobreza, das doenças e da queda das condições de vida de uma proporção cada vez maior da população.
  • Um dos piores efeitos é a industrialização e a liberalização dos padrões para as fábricas, o que leva ao aumento da poluição e, consequentemente, à destruição dos ambientes naturais e ao desequilíbrio ambiental.
  • Com a homogeneização dos valores ocidentais e a hipercomunicação, existe o perigo do desaparecimento das identidades culturais.
  • A liberalização das fronteiras para a produção significa que as grandes empresas instalam fábricas em países que não legislam sobre direitos trabalhistas porque é mais barato. Por sua vez, esses produtos são destinados ao consumo de pessoas cujos direitos trabalhistas são garantidos.
  • O ideal de eficiência produtiva levou ao desenvolvimento científico da modificação genética de plantas e animais. Isso, além de ter consequências perigosas para os ecossistemas, muitas vezes exerce efeitos negativos sobre a saúde das pessoas e leva à perda de formas tradicionais de produção agrícola e pecuária.

Referências

  • Castells, M. (2002). Globalización y antiglobalización. En: JE Stiglitz, J.E. y M. Barlow, M. Pánico en la globalización. Ed. Fica.
  • Hirsch, J. (1997). ¿Qué es la globalización?. Realidad Económica, 147, 7-17.
  • Mateus, J. R., & Brasset, D. W. (2002). La globalización: sus efectos y bondades. Economía y desarrollo, 1(1), 65-77.

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

KISS, Teresa. Globalização. Enciclopédia Humanidades, 2023. Disponível em: https://humanidades.com/br/globalizacao/. Acesso em: 7 junho, 2024.

Sobre o autor

Autor: Teresa Kiss

Professora de História do ensino médio e superior.

Traduzido por: Márcia Killmann

Licenciatura em letras (UNISINOS), Doutorado em Letras (Universidad Nacional del Sur)

Data da última edição: 23 abril, 2024
Data de publicação: 24 novembro, 2023

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