Homem primitivo

Vamos explicar o que foi o homem primitivo, suas características e sua evolução. Além disso, os primeiros hominídeos, descobertas e mais.

Hombre primitivo
O termo “homem primitivo” se refere à evolução humana durante a pré-história.

O que é o homem primitivo?

O termo “homem primitivo” refere-se aos seres humanos pré-históricos, que pertenceram a etapas evolutivas anteriores ao homem moderno.

A expressão “homem primitivo” é utilizada para fazer alusão à evolução humana durante a pré-história. Tradicionalmente, este termo foi usado para referir a todos os grupos humanos que existiram até a invenção da escrita. Isto abrange milhões de anos, desde o aparecimento do Homo habilis (2,5 milhões de anos atrás) até o desenvolvimento dos primeiros registros escritos (3300 a.C.).

Hoje em dia o termo está caindo em desuso, a favor de outros conceitos mais específicos como ‘homem paleolítico” ou “homem arcaico” e já não se utiliza em âmbitos acadêmicos para referir-se aos homens do período Neolítico (ca. 8000-3000 a.C.).

Na sua concepção tradicional, o homem primitivo pertence à família biológica dos hominídeos, que é composta pelos primatas, como o chimpanzé, o gorila e o ser humano. Embora os primatas possam ser identificados como antepassado comum entre todos os hominídeos, através do processo de hominização, a espécie humana tornou-se diferente.

O gênero Homo abarca todas as espécies que foram parte do processo evolutivo do homem. Existiram diversos tipos de hominídeos que coexistiram e habitaram o mundo em diferentes espaços e momentos da história. O Homo sapiens sapiens é a espécie humana que se adaptou às mudanças do ambiente e sobreviveu à extinção das outras espécies.

Os primeiros hominídeos

Segundo as evidências arqueológicas que permitiram reconstruir a Pré-história, entre os primeiros hominídeos se encontram:

  • Australopitecos. É uma espécie que compartilha mais semelhanças com os macacos do que com os Homos. Evoluiu na África oriental há cerca de quatro milhões de anos e extinguiu-se há cerca de dois milhões de anos atrás.
  • Homo habilis. É uma espécie que viveu entre 2,6 e 1,5 milhão de anos atrás. Coexistiu e teve traços comuns aos Australopitecos, embora teve um maior desenvolvimento da capacidade craniana e da habilidade com as mãos.
  • Homo erectus. É uma espécie posterior ao Homo habilis, que data de um milhão e meio de anos atrás. Ele se diferenciou dos hominídeos anteriores por sua estrutura corporal mais esbelta e sua maior estatura. Além disso, tinha mais capacidade craniana.
  • Homo sapiens. É uma espécie que evoluiu do Homo erectus e seus restos mais antigos em sua forma arcaica datam de 5.000 anos atrás. Foi diferente por atingir maior altura e capacidade craniana. Os Homo sapiens fabricaram ferramentas mais elaboradas, deram um uso mais complexo à linguagem e enterraram seus mortos.
  • Homo neandertal. É uma espécie que viveu de 23.000 anos até 30.000 anos atrás. Hoje é considerada uma subespécie do Homo sapiens, junto com o Homo sapiens sapiens, com quem coexistiu durante milhares de anos. Os neandertais eram caçadores e viviam em grandes grupos.
  • Homo sapiens sapiens. É a espécie a que pertence o ser humano atual. Os restos arqueológicos mais antigos datam de 100.000 anos atrás. Há 30.000 anos é a única espécie sobrevivente do gênero Homo.

A evolução do homem primitivo

Entre as características biológicas que diferenciaram o homem primitivo do resto das espécies podemos encontrar:

  • O caminhar de maneira bípede, ou seja, sobre duas de suas extremidades inferiores.
  • O desenvolvimento do esqueleto, com extremidades mais longas e uma pélvis mais curta e robusta.
  • A postura ereta, embora no início, as costas eram um pouco curvadas.
  • O aumento da massa cerebral em proporção à massa corporal, um processo evolutivo denominado “corticalização”.
  • O desenvolvimento mental, tanto consciente como inconsciente, como resultado da atividade cerebral (processo evolutivo denominado cerebração).
  • O desenvolvimento das mãos, junto a capacidade cerebral para controlar a motricidade fina dos movimentos.
  • O desenvolvimento de maior espaço da cavidade craniana e de mandíbulas menores.

A localização geográfica do homem primitivo

A evolução do homem primitivo implicou pequenas variações no material genético, ou seja, no DNA (ácido desoxirribonucleico) que contém as instruções para o desenvolvimento e o funcionamento do organismo. A acumulação de informação genética durante o passo das diferentes gerações provocou as distintas mudanças evolutivas.

Segundo a teoria mais aceita pelos cientistas, estima-se que cerca de 90.000 anos atrás o Homo sapiens começou a migrar do continente africano para diversos territórios da Europa e da Ásia. Depois, há 60 mil anos, espalhou-se pela Oceania.

Há mais de 13.000 anos, durante o último período glacial da Idade do Gelo, foi gerada uma ponte terrestre que uniu as massas continentais da Ásia e da América do Norte. Estima-se que o homem primitivo pôde migrar para o continente americano através desse caminho.

Em cada caso, os movimentos migratórios tiveram diversas razões que obrigaram os indivíduos a mobilizarem-se para sobreviver, como a falta de alimento e a necessidade de ir em busca de novas fontes, as duras condições climáticas ou as catástrofes naturais.

Os descobrimentos do homem primitivo

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O fogo foi uma das descobertas mais importantes na história da humanidade.

O homem primitivo, quer dizer, os antepassados do gênero Homo e os antecessores, conseguiram avanços chave que mudaram o curso de sua descendência.

Entre as principais descobertas da pré-história destacam-se:

  • A escultura de utensílios. O homem primitivo realizou pequenas ferramentas e utensílios esculpidos em osso e pedra que lhe permitiam esmiuçar os animais que caçava e colher vegetais e frutos.
  • O trabalho da pedra. O homem primitivo realizou trabalhos em pedra com técnicas cada vez mais sofisticadas, como a pedra polida que lhe permitiu fabricar ferramentas mais fortes, inclusive, para trabalhar a terra.
  • O controle do fogo. Resultou uma das descobertas mais importantes para o desenvolvimento do homem primitivo. Inicialmente, permitiu-lhe aquecer as cavernas durante as noites geladas, espantar os animais selvagens, iluminar e cozinhar os alimentos.

A cultura do homem primitivo

Os principais traços culturais do homem primitivo foram os seguintes:

  • Nomadismo. Os grupos humanos não viviam em um lugar fixo, mas se deslocavam seguindo os animais e os ciclos estacionais.
  • Economia de subsistência. Os homens primitivos se alimentavam de elementos que existiam na natureza. Em princípio, através da colheita de frutos e vegetais e do consumo de carne de animais mortos por causas naturais ou abandonados por outros predadores. Depois, tornaram-se caçadores, primeiro de pequenos animais e depois através da fabricação de ferramentas e técnicas de caça em grupo, começaram a capturar animais maiores.
  • Bandos. O modo de vida nômade e a economia de subsistência favoreciam que os grupos humanos se organizassem em grupos pequenos (chamados “bandos" pelos historiadores) de 20 a 30 pessoas. Estes grupos estavam unidos por relações de parentesco e controlavam os territórios pelos quais se deslocavam para obter os seus recursos.
  • Sociedades igualitárias. Os homens primitivos não tinham líderes ou chefes formais. Às vezes, um indivíduo podia se destacar por suas habilidades e era especialmente respeitado. Os anciãos eram ouvidos por sua experiência e tinham maior autoridade para resolver conflitos. No entanto, eram sociedades igualitárias onde não havia hierarquia de poder.

O fim do homem primitivo

Durante o Neolítico (8000-3000 a.C.), os grupos humanos foram desenvolvendo certos saberes e experiências que mudaram a organização humana profundamente e deram origem ao homem moderno:

  • A pecuária. A observação da natureza por longos períodos permitiu ao homem primitivo domesticar plantas e animais. A partir da seleção e do cuidado, os homens passaram da caça controlada (na qual preservavam os animais em idade reprodutiva) à captura de animais para criação e controle.
  • A agricultura. A partir da observação do crescimento e dos ciclos vegetais, o homem primitivo selecionou sementes e plantou para esperar seu crescimento. Desenvolveu diferentes técnicas de irrigação e cuidado agrícola para produzir alimentos.
  • A criação de povoados. A partir do desenvolvimento de uma economia produtiva (pecuária e agricultura), surgiram os primeiros grandes povoados. Os homens construíram edificações mais complexas, com materiais mais duradouros. Desenvolveram espaços para habitação, mas também para o armazenamento de recursos e a fabricação de ferramentas e outros objetos materiais.

Referências

  • López Serrano, A. (1996). Proceso de hominización y cultura material. La aportación de la antropología histórica.
  • Harris, M. (1981). Introducción a la antropología general. Alianza.
  • Leakey, R., & Lewin, R. (1994). Nuestros orígenes. RBA editores.
  • “Homo sapiens and early human migration” em Khan Academy
  • “Human evolution” em Britannica
  • “Ancient humans: what we know and still don’t know” em New scientist
  • “Prehistoria en 6 minutos” (video) em Academia play
  • “La historia de la evolución humana” em Nmas1
  • “Los conceptos básicos de la evolución humana” em National geographic
  • “Principales homínidos y su evolución: el origen del Homo sapiens” em Khan Academy

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

KISS, Teresa. Homem primitivo. Enciclopédia Humanidades, 2023. Disponível em: https://humanidades.com/br/homem-primitivo/. Acesso em: 7 junho, 2024.

Sobre o autor

Autor: Teresa Kiss

Professora de História do ensino médio e superior.

Traduzido por: Cristina Zambra

Licenciada em Letras: Português e Literaturas da Língua Portuguesa (UNIJUÍ)

Data da última edição: 18 setembro, 2023
Data de publicação: 29 junho, 2023

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