Australopithecus

Vamos explicar o que é o Australopiteco, onde se originou e quais são suas características. Além disso, como era sua alimentação e como foi a sua extinção.

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O Australopiteco habitou a África há 4,4 milhões de anos.

O que foi o Australopithecus?

Chama-se Australopithecus ou Australopitecos a um gênero extinto de primatas hominídeos, dentro do qual foram reconhecidas até sete espécies diferentes que habitaram a África pré-histórica há cerca de 4 milhões de anos.

São espécies extremamente importantes para o estudo da evolução humana, uma vez que são os primeiros primatas bípedes, ou seja, a andar sobre seus pés traseiros. Considera-se que os Australopitecos foram os primeiros hominídeos e antepassados diretos do gênero humano.

A origem dos Australopitecos

As espécies que formam o gênero Australopithecus habitaram o sul e o leste do continente africano. O nome Australopitecos integra os vocábulos austral, “do sul” e pitekos, “símio”, e refere-se à primeira descoberta de restos fósseis da espécie, que aconteceu na África do Sul.

No entanto, o Australopiteco não habitou sozinho na África do Sul, nem é um macaco. Com o tempo, fósseis australopitecos foram encontrados nos atuais territórios da Etiópia, Chade, Quênia, Tanzânia e da África do Sul.

As características físicas dos Australopitecos

Os Australopitecos tinham braços fortes e longos, semelhantes aos dos macacos, o que indica que combinavam sua deslocação sobre as extremidades inferiores com a escalada de árvores ou saltando entre galhos.

Eram pequenos e magros, com uma altura entre 1,20 e 1,40 cm. O dimorfismo sexual em suas espécies era bastante acentuado: o macho podia atingir 50% mais de tamanho que a fêmea.

O Crânio dos Australopitecos

Australopitecos
A capacidade craniana do Australopiteco era 35% menor que a dos humanos modernos.

Os Australopitecos possuíam os maxilares e os dentes que herdaram depois das diferentes classes de hominídeos. Sua arcada dentária era arredondada, seus caninos sobressaiam pouco e seus incisivos eram pequenos em comparação com seus pré-molares e molares.

Por outro lado, o volume de sua capacidade craniana era menor que o dos humanos modernos. Algumas espécies de australopitecos tinham um volume craniano médio de 440 cm³, enquanto outras atingiam 520 cm³ (o volume craniano médio de um gorila atual oscila entre 420 e 700 cm³ e o de um ser humano atual entre 1000 e 2000 cm³).

A alimentação dos Australopitecos

Australopithecus
Os Australopitecos se alimentavam de carniça, frutos caídos no chão e de outros recursos.

As mandíbulas destas espécies apresentavam dentes com esmalte denso como os humanos, mas ao mesmo tempo molares e caninos semelhantes aos macacos, o que sugere que poderiam ter sido onívoros (ou seja, que se alimentavam de plantas e animais).

Provavelmente, a capacidade de se erguer teria permitido que sobrevivessem à deslocação terrestre o suficiente para se alimentarem de carniça, frutos caídos ou outros recursos afastados das árvores.

O habitat dos Australopitecos

É provável que os Australopitecos vivessem nos oásis da savana africana, onde ainda havia árvores e mais abundância de alimentos, mas não em demasia, pois de outro modo não se explica a necessidade de descer das árvores e aprender a caminhar eretos.

Estarem erguidos pode ter dado a eles a vantagem definitiva para poderem migrar, aceder a outros nichos alimentares menos povoados ou prever os predadores nas pastagens africanas, ao poderem olhar para cima.

As espécies de Australopitecos

Australopithecus
Do Australopithecus afarensis descende a primeira espécie do gênero Homo.

São conhecidas sete espécies de Australopitecos:

  • Australopithecus anamensis. Viveram na área do Quênia entre 4,2 e 3,9 milhões de anos atrás e apresentavam molares largos e de esmalte denso.
  • Australopithecus afarensis. Existiram entre 3,9 e 2,7 milhões de anos atrás e eram muito semelhantes aos chimpanzés contemporâneos em seu registro sonoro.
  • Australopithecus bahrelghazali. Foi a única espécie da África oriental, existiram entre 4 e 3 milhões de anos atrás nas regiões do Chade.
  • Australopithecus deyiremeda. Viveram entre 3,3 e 3,4 milhões de anos atrás, tinham dentes pequenos e ossos robustos na mandíbula.
  • Australopithecus africanus. Possuíam um crânio mais globular que alcançava até os 450 ml de capacidade e sua existência data entre 3 e 2,5 milhões de anos atrás.
  • Australopithecus gharni. A eles são atribuídos os indícios da indústria lítica (ferramentas de pedra) e viveram há 2,5 milhões de anos atrás.
  • Australopithecus sediba. São a espécie mais recente, com apenas 2 milhões de anos de idade e estima-se que são o antepassado mais provável da linha que conduziu até os seres humanos.

Lucy (Australopithecu)

Australopithecus
Os restos fósseis de Lucy encontram-se no Museu Nacional de Adis Abeba, na Etiópia.

Lucy é o nome do esqueleto de Australopithecus afarensis melhor preservado de que se tem registro. Seus restos fósseis foram encontrados em Hadar, Etiópia, em novembro de 1974 pelo cientista Donald Johanson e sua equipe. Correspondem ao esqueleto de um Australopithecus afarensis, com 40% de seu corpo.

Lucy media apenas 1,27 metros e pesava 27 kg e estima-se que viveu entre 2,9 e 3,8 milhões de anos atrás.

Os depósitos de fósseis de Australopitecos

As principais jazidas fósseis deste gênero encontram-se na África, especificamente em: Bahr-el-Gazal, Sudão do Sul; Hadar e Awash Médio, Etiópia; Lago Turcana, Quênia; Laetoli, Tanzânia; Makanspansgat, Sterkfontein e Taung, África do Sul.

A extinção dos Australopitecos

Estima-se que o desaparecimento dos Australopitecos ocorreu há 1 milhão de anos. Os arqueólogos afirmam que isso provavelmente aconteceu devido à competição com o gênero Homo, com os quais coexistiram no habitat das savanas e das planícies.

Os Australopitecos na linha de tempo humana

Australopithecus
O Australopiteco deu lugar às primeiras espécies do gênero Homo.

O estudo do Australopiteco na evolução humana é fundamental. Tratou-se do primeiro primata bípede que inaugurou a possibilidade de caminhar sobre as extremidades inferiores e assim liberar as superiores para realizar toda uma série de tarefas complexas.

Além disso, uma das espécies deste gênero (Australopithecus afarensis) deu lugar às primeiras espécies do gênero Homo, do qual derivou o ser humano atual.

Referências

  • López Serrano, A. (1996). Proceso de hominización y cultura material. La aportación de la antropología histórica.
  • Harris, M. (1981). Introducción a la antropología general. Alianza.
  • “Australopithecus” em Wikipedia.
  • “Australopithecus” em La Enciclopaedia Britannica.
  • “¿Quién es Lucy, la australopiteco?” em El País (España)
  • “El Australopithecus y la evolución humana” (Video) Museo Nacional de Antropología mexicano.
  • “Del Australopithecus al Homo sapiens” (Video) RTVE.
  • “Australopithecus” em Mundo Prehistórico.

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

KISS, Teresa. Australopithecus. Enciclopedia Humanidades, 2023. Disponível em: https://humanidades.com/br/australopitecos/. Acesso em: 26 fevereiro, 2024.

Sobre o autor

Autor: Teresa Kiss

Professora de História do ensino médio e superior.

Traduzido por: Cristina Zambra

Licenciada em Letras: Português e Literaturas da Língua Portuguesa (UNIJUÍ)

Data da última edição: 12 outubro, 2023
Data de publicação: 29 junho, 2023

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