Países comunistas no século XXI

Vamos explicar quais são os países comunistas que existem atualmente. Além disso, as características de cada governo e os líderes de cada país.

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Atualmente, há cinco países que mantêm um regime comunista.

O que e quais são os países comunistas do século XXI?

Os países comunistas são Estados em que o governo é constituído por um único partido e em que é implementado um sistema econômico comunista (marxista-leninista).

O primeiro estado comunista foi a União Soviética (URSS), que surgiu em 1917, quando o governo czarista do Império Russo foi derrubado pela Revolução Russa. Depois, ao longo do século XX, os movimentos políticos comunistas conquistaram vitórias em diferentes países.

Durante a Guerra Fria (1945-1991), os Estados comunistas ficaram sob a influência da URSS e formaram o Bloco Comunista.

No entanto, no início da década de 1990, a URSS foi dissolvida e a maioria dos países comunistas iniciou a transição para o capitalismo e a democracia.

Poucos regimes comunistas sobreviveram ao colapso do Bloco Soviético. Atualmente, os países que mantêm um regime comunista são a China, a Coreia do Norte, Cuba, o Laos e o Vietnã.

China

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O Partido Comunista da China combina o regime comunista com uma economia de mercado.

Desde 1949, a República Popular da China é um Estado socialista governado pelo Partido Comunista da China (PCCh). Desde a primeira metade do século XX, o Kuomintang (uma facção que representa a burguesia urbana e as classes altas) e o Partido Comunista da China (baseado em camponeses e trabalhadores) lutaram pelo controle e pelo domínio do país.

Após a Segunda Guerra Mundial, o governo de Chiang Kai-shek (Kuomintang) perdeu gradualmente o apoio popular e, em 1948, eclodiu a Revolução Chinesa. Entre 1949 e 1976, Mao Zedong governou a República Popular da China e implementou um regime chamado de “ditadura democrática do povo”, no qual o PCCh e o Estado agiam em nome do povo para manter a “ditadura do proletariado”.

Mao baseava-se na ideologia marxista-leninista, mas via o campesinato na China como tendo um papel fundamental como agente revolucionário. Durante seu governo, ele conseguiu reunificar a China e recuperar sua independência e soberania do Japão e das potências ocidentais.

Após a morte de Mao, Deng Xiaoping assumiu o cargo de líder supremo de 1978 a 1989. Durante seu governo, o controle político permaneceu centralizado nas mãos do Partido, mas na esfera econômica ele introduziu reformas importantes que levaram a China a se tornar uma das economias de crescimento mais rápido do mundo.

Deng fez a transição de uma “economia planejada” para uma “economia mista” com certos elementos de abertura comercial e deu origem ao sistema conhecido como “socialismo com características chinesas”.

Durante a segunda metade do século XX, a China se tornou a principal potência industrial do mundo e o maior exportador e importador de mercadorias. Também conseguiu manter sua soberania em relação à União Soviética. Atualmente, possui o maior exército do mundo e é uma potência nuclear.

Coreia do Norte

Na Coreia do Norte, após a morte de Kim Il Sung, o governo autocrático passou para seu filho Kim Jong-il.

A República Popular Democrática da Coreia, também conhecida como Coreia do Norte, surgiu em 1948 com a divisão da Coreia em dois países: um país comunista no norte (uma área que havia sido ocupada pelos soviéticos após a Segunda Guerra Mundial em 1945) e um país pró-ocidental e capitalista no sul (região ocupada pelos americanos).

Entre 1950 e 1953, os dois países travaram a Guerra da Coreia. No final, um armistício foi assinado e uma zona desmilitarizada foi estabelecida para separar os dois países.

A partir de 1948, a Coreia do Norte foi governada por Kim Il Sung, que foi sucedido por seu filho Kim Jong-il após sua morte em 1997. O governo de Kim Il Sung se definiu como um Estado socialista autossuficiente.

Contudo, as organizações internacionais a consideram uma ditadura autocrática e totalitária, na qual o culto à personalidade do líder era fundamental.

Cuba

Fidel Castro estabeleceu um regime comunista e governou Cuba por mais de cinquenta anos.

Cuba foi o primeiro país a implementar um sistema político e econômico comunista na América. Após a Revolução Cubana, que derrubou o regime ditatorial de Fulgêncio Batista, Fidel Castro assumiu o poder em 1959. O movimento revolucionário era socialista, populista e nacionalista.

Desde o início de seu governo, ele realizou reformas políticas e econômicas, como a nacionalização de várias empresas de serviços e a centralização da imprensa. Essas medidas afetaram as classes mais altas e, principalmente, os interesses dos Estados Unidos na ilha.

Diante das rebeliões e das ameaças dos Estados Unidos, Castro endureceu seu governo com caráter ditatorial, estabeleceu relações com a União Soviética (URSS) e aprofundou a transição para o comunismo.

No contexto da Guerra Fria, Cuba se tornou um elemento-chave nas relações entre os Estados Unidos e a URSS, pois se constituiu como um país comunista no meio do bloco ocidental e na frente dos Estados Unidos. A crise dos mísseis de 1962 foi um evento importante que fortaleceu as relações entre Cuba e a URSS.

Durante a década de 1960, foi formalmente criado o Partido Comunista de Cuba, que monopolizou o poder político na ilha até os dias atuais. No âmbito econômico, o embargo norte-americano, que impedia qualquer comércio com a ilha, foi contrabalançado pela ajuda massiva soviética.

Entretanto, a economia cubana não conseguiu continuar crescendo. Essa situação difícil foi bastante agravada pela dissolução da URSS em 1991, que pôs fim à ajuda econômica, material e de recursos a Cuba.

Como resultado, o governo iniciou o “regime especial”, caracterizado pela privação de bens da população. Com o novo milênio, procurou realizar reformas e modernizar a economia do país. Para isso, foram incentivadas as relações internacionais com novos países e algumas regulamentações econômicas foram flexibilizadas para criar vínculos comerciais.

Em 2006, Fidel Castro cedeu o poder a seu irmão Raúl Castro devido a uma doença que padecia. O governo continuou a ser controlado pelo partido e a economia foi controlada pelo Estado.

Laos

No Laos, o governo é controlado pelo Partido Popular Revolucionário do Laos.

A República Democrática Popular do Laos foi fundada após a guerra civil que devastou o país entre 1964 e 1975. Durante a guerra, grupos comunistas, alinhados no movimento conhecido como Pathet Lao (oficialmente chamado de Exército de Libertação do Laos), lutaram contra a monarquia constitucional estabelecida pelos franceses, que ocuparam o país durante a Segunda Guerra Mundial.

O Laos se envolveu na Segunda Guerra da Indochina (também conhecida como Guerra do Vietnã), quando o exército comunista do Vietnã do Norte ocupou parte do país e estabeleceu bases de operação no local. Os Estados Unidos bombardearam e destruíram esses territórios.

O Pathet Lao, apoiado pelo exército norte-vietnamita, pela China e pela URSS, conseguiu derrotar as divisões dos Estados Unidos e do Exército Real e tomar a cidade de Saigon. Finalmente, em dezembro de 1975, forçou o rei Sisavang Vatthana a abdicar, assumiu o controle do país e estabeleceu um governo comunista de partido único sob o Partido Popular Revolucionário do Laos (PPRL). Nesse contexto, o governo da nova República Democrática Popular do Laos manteve-se ligado ao Vietnã e foi influenciado por ele.

Foi somente na década de 1990 que o Laos assinou sua nova constituição. Nela, foi consolidado o poder do PPRL e certificada a organização estatal do país, com o poder legislativo nas mãos da Assembleia Nacional (controlada pelo partido) e o poder executivo liderado pelo presidente e pelo primeiro-ministro.

Também foi definido um novo rumo econômico, com uma abertura controlada para o investimento estrangeiro e a criação de empresas privadas, o que melhorou o crescimento econômico do país.

Entretanto, atualmente, 80% dos trabalhadores estão empregados na agricultura de subsistência. Por outro lado, a infraestrutura e a tecnologia são quase inexistentes, a eletricidade só está disponível nas áreas urbanas e os meios de transporte e comunicação são muito limitados.

Vietnã

Ho Chi Minh foi o líder da Revolução Comunista no Vietnã.

Durante o século XIX, a península da Indochina (onde o Vietnã está localizado atualmente) foi ocupada e colonizada pela França. Mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial, o exército japonês ocupou a península, mas acabou retirando suas tropas no final da guerra e foi derrotado pelos Aliados.

Nesse contexto, os nacionalistas vietnamitas liderados por Ho Chi Minh (vietnamita: Hồ Chí Minh) iniciaram uma guerra pela independência da França (conhecida como a Grande Guerra da Indochina). Em 1954, os nacionalistas conseguiram expulsar os franceses.

No entanto, as potências ocidentais queriam evitar que todo o Vietnã ficasse sob a liderança do comunista Ho Chi Minh. Na Conferência de Genebra, em 1954, conseguiram impor a divisão do território vietnamita em dois Estados soberanos independentes, com o compromisso de que seriam realizadas eleições em 1956 para que o povo vietnamita decidisse sobre a reunificação ou a separação definitiva.

O Vietnã do Norte ficou nas mãos das forças comunistas, organizadas em torno de Ho Chi Minh, e o Vietnã do Sul foi controlado por um governo pró-ocidental, apoiado política e economicamente pelos Estados Unidos. Nesse contexto, eclodiu a Guerra do Vietnã (1955–1975), que durou quase vinte anos e resultou na morte de quase três milhões de vietnamitas.

O Vietnã do Sul impediu a realização de eleições para o referendo de reunificação. Em 1957, os comunistas sul-vietnamitas da Frente de Libertação Nacional (também conhecida como vietcongue) iniciaram uma insurreição militar, apoiada pelos norte-vietnamitas. O governo sul-vietnamita reprimiu e perseguiu os comunistas.

Em 1959, as tropas norte-vietnamitas invadiram o Vietnã do Sul e os Estados Unidos começaram a intervir diretamente no conflito por meio de uma intervenção militar massiva. A guerra terminou em 1975 com a vitória do Vietnã do Norte e a reunificação de todo o território na República Socialista do Vietnã.

O governo foi colocado nas mãos do Partido Comunista do Vietnã (PCV), que estabeleceu um regime comunista de partido único. O governo consistia no secretário-geral do PCV, no primeiro-ministro e no presidente do Estado, nomeados por uma assembleia geral cujos membros pertencem ao PCV.

Durante os primeiros anos, foi estabelecida uma economia totalmente comunista, com planejamento estatal centralizado e controle máximo da produção. Seu objetivo principal era recuperar os índices de produção de alimentos e produtos de primeira necessidade, para aliviar as duras condições de vida e a grave situação econômica do país, devastado por vinte anos de guerra. A terra foi nacionalizada e dividida em cooperativas de trabalho agrícola.

No entanto, a partir do final da década de 1980, o PCV começou a implementar reformas moderadas de liberalização do mercado, conhecidas como “a Renovação’ (em vietnamita Đổi Mới). Essas medidas envolveram o surgimento controlado da propriedade privada no campo e na indústria e a abertura para o investimento estrangeiro. Desde então, a economia tem crescido gradualmente, melhorando especialmente a produção agrícola.

Nos últimos anos, o Vietnã tem se destacado como um dos países com o menor número de pessoas desempregadas. A pobreza foi drasticamente reduzida nas últimas décadas. Ao mesmo tempo, o aumento anual constante do PIB o torna uma das economias de crescimento mais rápido.

Referências

  • Ball, Terence and Dagger, Richard. (2023). "Communism". Encyclopedia Britannica.
    https://www.britannica.com/ 
  • Tato, M. I., Bubello, J. P., Castello, A. M. y Campos, E. (2011). Historia de la segunda mitad del siglo XX. Estrada.
  • Van Dijk, R., Gray, W. G., Savranskaya, S., Suri, J., & Zhai, Q. (Eds.). (2013). “Communism”, “”China, People’s Republic of”, “Cuba”, “Laos”, “North Korea” y “Vietnam”. Encyclopedia of the Cold War. Routledge.

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

KISS, Teresa. Países comunistas no século XXI. Enciclopédia Humanidades, 2023. Disponível em: https://humanidades.com/br/paises-comunistas-no-seculo-xxi/. Acesso em: 7 junho, 2024.

Sobre o autor

Autor: Teresa Kiss

Professora de História do ensino médio e superior.

Traduzido por: Márcia Killmann

Licenciatura em letras (UNISINOS), Doutorado em Letras (Universidad Nacional del Sur)

Data da última edição: 26 maio, 2024
Data de publicação: 23 outubro, 2023

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