Rio Nilo

Vamos explicar o que é o rio Nilo, a sua história e a sua geografia. Além disso, quais são as suas características gerais, a sua flora e a sua fauna.

O Império Egípcio floresceu na beira do rio Nilo.

Qual é o rio Nilo?

O rio Nilo é o mais longo curso d'água da África, com uma extensão de aproximadamente 6650 quilômetros, e o segundo maior do mundo, depois do rio Amazonas.

Atravessa o território de onze países e deságua no mar Mediterrâneo, no delta do Nilo. Neste último encontram-se as cidades do Cairo, a capital do Egito, e Alexandria, a segunda cidade mais populosa do país. Estima-se que no delta do Nilo vivam cerca de 40 milhões de pessoas.

A bacia do rio Nilo é uma das maiores do mundo, com uma área total de aproximadamente 3 400 000 quilômetros quadrados. Estende-se ao longo de 11 países: Burundi, República Democrática do Congo, Egito, Etiópia, Quênia, Ruanda, Sudão do Sul, Sudão, Tanzânia, Uganda e Eritreia. Os principais afluentes do Nilo são o Nilo Branco, que nasce em Uganda, e o Nilo Azul, que nasce na Etiópia.

A bacia do rio Nilo cobre aproximadamente 10% da área terrestre da África. Estima-se que a bacia abriga mais de 160 milhões de pessoas que dependem de seus recursos hídricos para sua subsistência, alimentação e atividades econômicas.

A população que utiliza as águas do rio Nilo é muito diversificada, o que inclui diferentes grupos étnicos e comunidades que vivem em áreas rurais e urbanas ao longo do rio. Essas pessoas dependem do rio para realizar atividades como a agricultura, a pesca, a produção de energia hidrelétrica, o turismo e o transporte fluvial.

Seu nome provém do árabe 'ni-l que, por sua vez, é herdado do grego Neilos ou da raiz semítica Nahal, que significa “vale” ou “vale de um rio”.

Origem geológica do rio Nilo

Nilo
Alguns estudos defendem que o Nilo existe há 30 milhões de anos.

Acredita-se que o rio Nilo tenha se originado há cerca de 30 milhões de anos, durante o período Oligoceno, quando a placa africana começou a se mover para o norte e colidiu com a placa eurasiática. Essa colisão criou uma elevação no terreno que se transformou em uma série de montanhas conhecidas como montanhas da Lua ou montanhas Rwenzori, na atual Uganda.

Com o tempo, a água da chuva proveniente do degelo das montanhas começou a fluir e formou pequenos riachos que se juntaram para formar o rio Nilo. À medida que o Nilo fluía para o norte, criou um vale profundo através do deserto e começou a depositar sedimentos na planície aluvial do delta, o que levou à formação da fecunda planície do delta do Nilo.

Ao longo dos últimos milênios, o rio Nilo tem testemunhado muitas mudanças climáticas e geológicas, com períodos alternados de seca e períodos de inundações massivas.

História do rio Nilo

A importância histórica do Nilo tem a ver com o surgimento do Egito Antigo, uma das civilizações mais antigas e importantes. Durante 3 mil anos, o Império Egípcio prosperou na região do centro e baixo Nilo, até ser conquistado e anexado pelo Império Romano em 30 a.C.

Na história do Egito Antigo, o rio Nilo exerceu um papel fundamental. Suas inundações recorrentes e sua riqueza fluvial garantiram a fertilidade da terra e não exigiram trabalho agrícola pesado. Isso permitiu aos egípcios realizar outras atividades culturais, militares ou religiosas. Além disso, a circulação fluvial possibilitou transportar os recursos obtidos nas regiões desérticas do sul para as cidades mais importantes do império no norte.

Sistema fluvial da bacia do Nilo

Nilo Azul
O Nilo Azul nasce no lago Tana, nas terras altas da Etiópia.

O rio Nilo é formado por diferentes sistemas ou estágios fluviais:

  • O Nilo Azul. Nasce na Etiópia, no lago Tana. Recebe esse nome devido à cor escura e azulada de suas águas. Seus principais afluentes são os rios Abay, Atbara e Dinder.
  • O Nilo Branco. Nasce no lago Vitória, no Quênia. Seu nome se deve à coloração esbranquiçada de suas águas em função da grande quantidade de sedimentos e argila que transporta. Ele se une ao Nilo Azul na cidade de Cartum, capital do Sudão. Seus principais afluentes são os rios Sobat, Baro e Bahr el Ghazal.
  • O Nilo Médio. Abrange a área da bacia de Cartum, onde o Nilo Branco e o Nilo Azul convergem, e a cidade de Assuã, no Egito. Essa seção do rio atravessa uma região desértica com pouquíssimas precipitações, o que faz com que o fluxo do rio diminua consideravelmente. Além disso, essa seção do Nilo tem importantes quedas d'água que dificultam a navegação e o transporte através de suas águas.
  • O Baixo Nilo. Estende-se de Assuã até sua foz no mar Mediterrâneo. Essa é a região mais fértil do Nilo, pois o rio deposita sedimentos ricos em nutrientes e forma um amplo vale que permite a agricultura intensiva.

O delta do Nilo

Alexandria está localizada na foz do delta.

O delta do Nilo é a desembocadura do rio Nilo no mar Mediterrâneo. Localiza-se no norte do Egito e se estende por uma área de aproximadamente 24 mil km².

O delta do Nilo é formado pelos braços do rio que se dividem em vários canais, que, por sua vez, formam numerosas ilhas. O delta se divide em duas partes: a ocidental e a oriental. A parte ocidental, na margem esquerda do rio, se estende do Cairo até a cidade de Rosetta. A parte oriental, na margem direita, vai do Cairo até a cidade de Port Said.

O delta do Nilo é uma região muito fértil devido às inundações anuais do rio, que depositam sedimentos ricos em nutrientes na terra. Isso permite a produção de uma grande variedade de culturas, como algodão, arroz, cana-de-açúcar, legumes e frutas.

No delta do Nilo também se encontram as principais cidades, como Cairo, a capital do Egito, e Alexandria, a segunda maior cidade do país, bem como importantes portos para o comércio marítimo, como Porto Said, Damietta, Rosetta, Abuquir e Dekheila.

Flora e fauna do rio Nilo

O Nilo é o lar do chamado “crocodilo do Nilo”.

A bacia do Nilo abriga muitas espécies endógenas que só podem ser encontradas no Nilo. Na região do lago Vitória, onde se encontra uma das cabeceiras do Nilo, o clima é úmido e quente, isso faz com que as selvas e as florestas tropicais com uma grande variedade de espécies de plantas e animais se desenvolvam de forma abundante.

À medida que o rio avança para o norte, o clima se torna mais árido e somente se encontra uma flora adaptada às condições de seca. A maior biodiversidade é encontrada na região do delta, na sua desembocadura. As plantas usadas pelos antigos egípcios para a fabricação dos primeiros papéis ou papiros (Cyperus papyrus) crescem na região. Além disso, há vários tipos de bambu, banana e árvores como o ébano.

Com relação à fauna, há cerca de 129 espécies de peixes no Nilo, das quais pelo menos 26 não podem ser encontradas em outros corpos d'água. Ele também abriga o famoso crocodilo do Nilo (Crocodylus niloticus) e o lagarto-do-nilo (Varanus niloticus), além de ser o local de nidificação da tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta).

Atividades econômicas do Nilo

A agricultura continua sendo a principal atividade econômica da bacia do Nilo, como ocorre há mais de 5 mil anos. Isso se dá principalmente no Egito e no Sudão, onde os solos férteis do delta possibilitam a produção de culturas como algodão, trigo, arroz e cana-de-açúcar.

A pesca é outra atividade significativa, especialmente em Uganda, Quênia e Sudão. A criação de gado, de ovelhas e de cabras nas proximidades do rio Nilo também é importante para a economia da região, especialmente para o Sudão.

Finalmente, o turismo também é uma atividade econômica muito importante. Milhões de turistas visitam o delta do Nilo todos os anos para ver as pirâmides do Egito. Também é possível praticar turismo de aventura e rafting nas águas do rio.

Poluição do rio Nilo

A poluição do rio Nilo é causada principalmente por atividades humanas realizadas em sua bacia, tais como a agricultura intensiva, a pecuária, a atividade industrial e a mineração. O despejo de esgoto não tratado, o descarte de resíduos sólidos e o uso de pesticidas e outros produtos químicos tóxicos poluem a água e afetam a saúde das pessoas e da vida animal que dependem do rio.

Além disso, devido ao fato de quase todas as grandes cidades da região estarem localizadas em suas margens, o rio Nilo é o repositório dos resíduos urbanos e de esgoto de milhões de pessoas.

A poluição do rio Nilo também tem consequências econômicas. A pesca e a agricultura são duas das principais atividades da região, no entanto, a poluição da água tem afetado negativamente a qualidade e a quantidade de produtos agrícolas e pesqueiros. Além disso, o turismo, que é outra importante fonte de renda, também tem sido afetado nos últimos anos devido à crescente poluição do rio.

A represa de Assuã

A represa de Assuã fornece eletricidade a vários países africanos.

A represa de Assuã é uma obra hidráulica localizada no rio Nilo, na cidade de Assuã, no Egito. Ela foi construída em 1970 com a finalidade de regular o fluxo do rio, proteger o Egito de inundações e melhorar a irrigação na região. Além disso, a represa produz a maior parte da eletricidade usada no país.

A represa tem 111 metros de altura e 3830 metros de comprimento. Seu lago artificial, o lago Nasser, é um dos maiores do mundo, com uma área de superfície de 5250 km² e capacidade de armazenamento de 169 bilhões de metros cúbicos de água.

Referências

  • Egipto.net (s.f). La represa de Asuan. Egipto
  • Flamarique, L. (2019). El Nilo ya existía hace 30 millones de años. LaVanguardia
  • Flores, J (2023). El Nilo, río sagrado de Egipto. National Geographic. NationalGeographic
  • Portillo, G (s.f). Río Nilo. MeteorologiaEnRed

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

SPOSOB, Gustavo. Rio Nilo. Enciclopedia Humanidades, 2023. Disponível em: https://humanidades.com/br/rio-nilo/. Acesso em: 28 fevereiro, 2024.

Sobre o autor

Autor: Gustavo Sposob

Professor de Geografia do ensino médio e superior (UBA).

Traduzido por: Márcia Killmann

Licenciatura em letras (UNISINOS), Doutorado em Letras (Universidad Nacional del Sur)

Data da última edição: 27 fevereiro, 2024
Data de publicação: 18 julho, 2023

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