Crise do Canal de Suez

Vamos explicar por que se desencadeou a crise do Canal de Suez e quais países estiveram envolvidos. Além disso, sua importância política e suas consequências.

Em novembro de 1956, tropas britânicas e francesas atacaram Port Said, no Canal de Suez.

A crise do Canal de Suez (1956) também conhecida como a Guerra do Sinai (ou Guerra de Suez), foi um conflito bélico entre o Reino Unido, a França e Israel contra o Egito. A crise eclodiu quando o presidente egípcio, Gamal Abdel Nasser, nacionalizou a Companhia do Canal de Suez em benefício da economia egípcia e em detrimento dos interesses estrangeiros de empresas privadas britânicas e francesas.

Por sua vez, esta crise ocorreu no contexto do conflito árabe-israelita iniciado em 1948, com a criação do Estado de Israel e a expulsão da população árabe do antigo território da Palestina. Neste contexto, o Egito estabeleceu uma aliança com a Síria e a Jordânia contra Israel.

Quando eclodiu a crise do Canal de Suez, o Reino Unido, a França e o Estado de Israel coordenaram a invasão do Egito. Em poucos dias, a comunidade internacional repudiou o ataque e, sob a forte pressão dos Estados Unidos, os atacantes tiveram que retirar suas tropas.

Quando a crise do Canal de Suez terminou, a influência política internacional do Reino Unido e da França enfraqueceu. Ao contrário, o Egito foi reforçado e Nasser tornou-se um dos mais importantes líderes do nacionalismo árabe.

Precedentes da crise do Canal de Suez

O Canal de Suez é um canal artificial que liga o mar Mediterrâneo ao mar Vermelho. Foi construído na segunda metade do século XIX e localizado dentro das fronteiras do Egito. Além disso, faz fronteira com a península do Sinai, que une a África e a Ásia.

A passagem pelo Canal de Suez é fundamental para o abastecimento de petróleo dos países ocidentais, uma vez que permite a navegação entre a Europa e o Sul da Ásia sem ter de circundar o continente africano.

Desde sua construção, o canal é propriedade do governo egípcio. No entanto, desde então, e durante toda a primeira metade do século XX, encontrava-se sob o usufruto de uma empresa concessionária de acionistas europeus (a maioria britânicos e franceses).

Em 1956, Gamal Abdel Nasser foi eleito presidente do Egito. Nasser era um político nacionalista que promovia o desenvolvimento político e econômico do país através de um programa de “nacionalismo socialista árabe”. Era contra o colonialismo europeu da região e a favor da autonomia e da autodeterminação dos povos árabes.

Por outro lado, o Egito necessitava de financiamento para a construção da Represa Alta de Assuão, uma obra fundamental para o crescimento da economia egípcia. O Banco Mundial aceitou um empréstimo na condição de outros países se apresentarem como garantia.

Os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido tinham prometido financiar uma parte, mas em julho de 1956 negaram o seu apoio econômico em represália pelos laços que o Egito estava estabelecendo com a União Soviética e com a Tchecoslováquia.

Como começou a crise do Canal de Suez?

O presidente Gamal Abdel Nasser defendeu os interesses do Egito e nacionalizou o Canal de Suez.

Diante da recusa dos Estados Unidos e do Reino Unido de apoiar o financiamento da construção da Represa Alta de Assuão, Nasser reagiu com a nacionalização do Canal de Suez.

Estima-se que o projeto de construção da Represa Alta de Assuão possa ser financiado com os lucros de cinco anos do usufruto do Canal de Suez. Em 26 de julho de 1956, Nasser declarou a lei marcial na zona do canal e assumiu o controle da Companhia do Canal de Suez.

Além de quererem recuperar os benefícios econômicos que recebiam do Canal de Suez, o Reino Unido e a França temiam o nacionalismo árabe pregado por Nasser e, por isso, procuraram derrubar o governo do presidente egípcio. Para poder fazê-lo, recorreram ao Estado de Israel (inimigo do Egito pelo conflito árabe-israelense) para obter um pretexto e realizar uma intervenção militar.

A Guerra do Sinai

Em 29 de outubro de 1956, o Estado de Israel invadiu a península do Sinai. Em 5 de novembro, as forças britânicas e francesas desembarcaram em Port Said para ocupar o Canal de Suez e garantir o tráfego comercial.

No entanto, o ataque foi repudiado pela comunidade internacional e, especialmente, pelos Estados Unidos. Finalmente, sob forte pressão dos Estados Unidos e da ONU, o Reino Unido e a França concordaram em parar a invasão no dia seguinte e retirar as suas tropas ao fim de um mês.

Consequências da crise do Canal de Suez

Estes acontecimentos afetaram a força política do Reino Unido e da França. Verificou-se que eram incapazes de atuar no cenário internacional sem o apoio dos Estados Unidos. Além disso, essa derrota levou à demissão do primeiro-ministro britânico, Anthony Eden.

Por outro lado, Nasser tinha podido recusar o ataque do Reino Unido, da França e do problemático Estado de Israel. A crise do Canal de Suez tornou Nasser um dos mais importantes líderes do nacionalismo árabe. 

Referências

  • Britannica, The Editors of Encyclopaedia (2023). "Suez Crisis". Encyclopedia Britannica
    https://www.britannica.com/ 
  • Palmowski, J. (2000). “Suez Crisis". A dictionary of twentieth-century world history. Oxford University Press.
  • Van Dijk, R., Gray, W. G., Savranskaya, S., Suri, J., & Zhai, Q. (Eds.). (2013). “Suez Crisis”. Encyclopedia of the Cold War. Routledge.

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

KISS, Teresa. Crise do Canal de Suez. Enciclopédia Humanidades, 2023. Disponível em: https://humanidades.com/br/crise-do-canal-de-suez/. Acesso em: 27 maio, 2024.

Sobre o autor

Autor: Teresa Kiss

Professora de História do ensino médio e superior.

Traduzido por: Cristina Zambra

Licenciada em Letras: Português e Literaturas da Língua Portuguesa (UNIJUÍ)

Data da última edição: 1 dezembro, 2023
Data de publicação: 15 novembro, 2023

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