Benito Mussolini

Vamos explicar quem foi Benito Mussolini e qual foi o seu papel na origem do fascismo. Além disso, sua ascensão ao poder na Itália, sua aliança com Adolf Hitler e sua execução por um grupo de partisanos.

Benito Mussolini estabeleceu uma ditadura totalitária na Itália e se autodenominou “o Duce”.

Quem foi Benito Mussolini?

Benito Mussolini foi um líder político e ditador italiano que fundou o Partido Nacional Fascista e governou a Itália entre 1922 e 1943. Era chamado de “o Duce” (líder) e foi o arquiteto de um regime totalitário que aboliu as liberdades civis e políticas, perseguiu a oposição, dissolveu sindicatos, estabeleceu um modelo de estado corporativo e desenvolveu o culto à personalidade do líder.

Antes de criar o movimento fascista, Mussolini havia sido uma figura importante do socialismo italiano. Sua posição a favor da entrada da Itália na Primeira Guerra Mundial (1914–1918) forçou sua expulsão do Partido Socialista Italiano. Sua experiência em frente de guerra e o triunfo da revolução bolchevique na Rússia incentivaram seu nacionalismo e sua postura anticomunista.

A crise econômica após a guerra e o medo da disseminação do comunismo permitiram que as ideias de Mussolini ganhassem adeptos entre os desempregados e os veteranos de guerra, bem como entre os industriais, os proprietários de terras e a classe média.

O fascismo italiano e a figura carismática de Mussolini influenciaram outros líderes de extrema direita do período, como Adolf Hitler na Alemanha. Mussolini formou uma aliança com Hitler (o Eixo Roma-Berlim) que levou à participação da Itália na Segunda Guerra Mundial, mas as derrotas militares italianas levaram à sua destituição em 1943.

A partir de setembro de 1943, liderou a República Social Italiana, um regime instalado no norte da Itália com o apoio das forças armadas alemãs. Em 1945, na iminência da vitória dos Aliados, Mussolini tentou fugir, mas foi interceptado por guerrilheiros antifascistas. Foi fuzilado em 28 de abril de 1945.

A vida pessoal de Benito Mussolini

Benito Mussolini nasceu em 29 de julho de 1883 na pequena cidade italiana de Predappio, na atual Emilia-Romagna. Foi o primeiro filho do casamento entre Alessandro Mussolini, um ferreiro socialista, e Rosa Maltoni, uma professora católica. Seus irmãos mais novos eram Arnaldo e Edvige.

Frequentou um colégio interno dirigido por padres salesianos em Faenza até ser expulso por apresentar comportamento violento. Depois, estudou em uma escola em Forlimpopoli e, em 1901, emigrou para a Suíça.

Leu as obras de pensadores como Friedrich Nietzsche, Piotr Kropotkin e Georges Sorel, e começou a trabalhar como jornalista e orador. Por sua participação no movimento socialista e sua defesa da violência, foi preso várias vezes.

Em 1904, retornou à Itália, serviu no exército e se dedicou a ensinar. Em 1909, mudou-se para Trento, onde trabalhou como jornalista em um jornal socialista, e em 1910 mudou-se para Forli com Rachele Guidi, com quem se casou em 1915. Eles tiveram cinco filhos: Edda, Anna Maria, Vittorio, Bruno e Romano. Ao longo de sua vida, Mussolini também teve várias amantes, incluindo Margherita Sarfatti e Clara Petacci.

O início da carreira política de Mussolini

Durante sua juventude, Mussolini fez parte do movimento socialista. Participou de jornais políticos e atividades sindicais e foi preso várias vezes. Em 1912, tornou-se editor do jornal Avanti!, o órgão oficial do Partido Socialista Italiano.

Quando a Primeira Guerra Mundial começou, em 1914, Mussolini manifestou sua concordância com as ideias antimilitaristas predominantes no partido, mas logo se posicionou a favor da intervenção italiana na guerra e, por isso, teve que deixar o jornal e foi expulso do Partido Socialista Italiano.

Em novembro de 1914, obteve financiamento do governo francês e de industriais italianos para publicar seu próprio jornal, Il Popolo d'Italia, que defendia o militarismo e o nacionalismo. Quando a Itália entrou na guerra em 1915, Mussolini serviu na frente de batalha até ser ferido em 1917.

Quando a guerra terminou, Mussolini combinou a defesa das ideias nacionalistas com uma postura antissocialista, pois via a disseminação do comunismo, que havia triunfado na Rússia, como uma ameaça à Itália.

A crise econômica do período imediatamente pós-guerra levou um grupo de pessoas a se identificar com as ideias de Mussolini, que também culpou os políticos liberais pela “vitória mutilada” da Itália na guerra, pois, apesar de estar do lado vencedor, a Itália não teve todas as suas reivindicações territoriais reconhecidas. Assim, nasceram em 1919 os Fasci italiani di combattimento, um grupo político que empregava violência contra manifestações de trabalhadores e socialistas, que se tornou o Partido Nacional Fascista em 1921.

A Marcha sobre Roma e a ditadura de Mussolini

Mussolini organizou a Marcha sobre Roma que o levou ao poder na Itália em 1922.

Os Fasci italiani di combattimento, liderados por Mussolini, foram ganhando poder em grande parte da Itália. Em 1921, Mussolini foi eleito deputado, graças ao apoio de proprietários de terras e industriais que temiam o avanço do comunismo e, em outubro de 1922, ocorreu um evento que determinou a ascensão de Mussolini ao governo italiano: a Marcha sobre Roma.

A Marcha sobre Roma foi liderada pelos “Camisas Negras”, um grupo paramilitar do Partido Nacional Fascista composto por veteranos de guerra, desempregados e outros influenciados pela liderança carismática de Mussolini. Os “Camisas Negras” marcharam sobre Roma para exigir que o rei, Victor Emmanuel III, permitisse a formação de um governo fascista liderado por Mussolini.

O rei da Itália cedeu à pressão fascista e nomeou Mussolini presidente do Conselho de Ministros. O líder fascista passou a residir em Roma e formou um novo gabinete. Concentrou cada vez mais poder, com a obtenção de plenos poderes do Parlamento e com a mudança da lei eleitoral para obter a maioria nas eleições parlamentares de 1924.

Em poucos anos, e especialmente após o assassinato do deputado socialista Giacomo Matteoti por grupos fascistas em 1924, Mussolini (apelidado de “o Duce”, ou seja, o líder) estabeleceu uma ditadura fascista de partido único.

A política externa de Mussolini

Em 1935, Mussolini iniciou uma política expansionista que o aproximou de Adolf Hitler.

A política externa de Mussolini nos primeiros anos do regime fascista não tinha uma direção clara, como demonstra a assinatura dos Tratados de Locarno (nos quais a Itália era garantidora dos acordos entre Alemanha, França e Bélgica) e sua participação na Frente de Stresa (um acordo entre Itália, França e Reino Unido para ratificar o Tratado de Versalhes e os Tratados de Locarno contra a política de rearmamento de Adolf Hitler na Alemanha).

Entretanto, com a invasão italiana da Etiópia em outubro de 1935, Mussolini optou por uma política expansionista que levou a uma aliança com Hitler. Essa aliança foi consolidada por sua intervenção conjunta na Guerra Civil Espanhola (1936-1939), em apoio ao lado rebelde ou “nacional”, e pela formação do Eixo Roma-Berlim em 1936, pela adesão da Itália ao Pacto Anticomintern em 1937 e pela assinatura do Pacto de Aço entre a Alemanha e a Itália em maio de 1939.

Depois de invadir a Albânia em abril de 1939, a Itália de Mussolini entrou na Segunda Guerra Mundial em junho de 1940, quando a França estava prestes a se render. No entanto, as derrotas militares das tropas italianas na África e na Europa e, em especial, o bem-sucedido desembarque aliado na Sicília em julho de 1943, levaram à destituição de Mussolini do governo italiano em 25 de julho de 1943 e sua substituição pelo marechal Pietro Badoglio.

A República Social Italiana e a morte de Mussolini

Após ser deposto e preso em 1943, Mussolini foi resgatado por um comando alemão.

Mussolini foi deposto e feito prisioneiro, mas em setembro de 1943 foi libertado por um comando alemão. Depois disso, estabeleceu a República Social Italiana no norte da Itália, com capital em Salò. Essa ditadura sobreviveu apenas devido ao apoio alemão, cujas tropas ocuparam grande parte do território.

Diante da derrota iminente do Eixo, Mussolini tentou fugir da Itália com sua amante, Clara Petacci, e um grupo de fascistas leais. Foi capturado por um grupo de guerrilheiros antifascistas em Dongo, perto da fronteira com a Suíça, em 27 de abril de 1945.

Foi levado para o povoado de Giulino di Mezzegra e morreu fuzilado em 28 de abril de 1945. Os corpos de Mussolini, Petacci e outros líderes fascistas que tentaram fugir foram levados para Milão e pendurados de cabeça para baixo na Piazza Loreto para serem contemplados e ultrajados pela população.

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Referências

  • Foot, J. & Hibbert, C. (2023). Benito Mussolini. Encyclopedia Britannica. https://www.britannica.com/ 
  • Gentile, E. (2005). La vía italiana al totalitarismo. Partido y estado en el régimen fascista. Siglo XXI.
  • Sasson, D. (2008). Mussolini y el ascenso del fascismo. Crítica.
  • United States Holocaust Memorial Museum (2018). Benito Mussolini. Holocaust Encyclopedia. https://encyclopedia.ushmm.org/ 

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

GAYUBAS, Augusto. Benito Mussolini. Enciclopedia Humanidades, 2023. Disponível em: https://humanidades.com/br/benito-mussolini/. Acesso em: 22 abril, 2024.

Sobre o autor

Autor: Augusto Gayubas

Doutor em História (Universidad de Buenos Aires)

Traduzido por: Márcia Killmann

Licenciatura em letras (UNISINOS), Doutorado em Letras (Universidad Nacional del Sur)

Data da última edição: 1 dezembro, 2023
Data de publicação: 28 setembro, 2023

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