Nazismo

Vamos explicar o que é o nazismo e o contexto em que se originou. Além disso, suas características gerais, modelo político e muito mais.

nazismo
O nazismo foi um movimento político alemão liderado por Adolf Hitler.

O que foi o nazismo?

O nazismo foi um movimento político e social que surgiu na Alemanha durante a década de 1920 e se consolidou na década de 1930. Originou-se em torno do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (também conhecido como Partido Nazista ou NSDAP) e seu principal líder foi Adolf Hitler. Foi um movimento nacionalista, totalitário, fascista e racista, que postulava a superioridade da raça ariana e discriminava o restante da população alemã.

O Partido Nazista foi responsável pelo início da Segunda Guerra Mundial e realizou maior genocídio judeu da história (chamado de Holocausto). O nazismo argumentava que, para superar a crise política, econômica e social pela qual o país estava passando, era necessário ter um governo de partido único, comandado por um líder forte (chamado de “Führer”). Acreditava que o mal-estar da nação alemã havia sido causado pela presença de determinados grupos sociais (como judeus, comunistas ou socialistas).

O nazismo ganhou o controle do governo alemão em 1933 e, nos anos seguintes, estabeleceu um regime totalitário. A oposição e alguns grupos sociais foram reprimidos e enviados a campos de concentração. A população judaica foi segregada (a partir das Leis de Nuremberg de 1935) e, por fim, levada para campos de concentração.

Por sua vez, Hitler iniciou uma política internacional agressiva e expansionista que, em 1939, levou à eclosão da Segunda Guerra Mundial. Quando a Alemanha foi derrotada, seis anos depois, Hitler cometeu suicídio e o Partido Nazista se dissolveu.

A origem do termo “nazista”

O termo “nazista” vem da contração de nationalsozialismus, denominação pela qual os membros do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP) chamavam sua ideologia: nacional-socialismo. Esse termo não era de uso comum entre os membros do partido, que, em vez disso, se autodenominavam diretamente como “nacional-socialistas”. O uso da palavra “nazista” se popularizou com as publicações de um jornalista chamado Konrad Heiden, que acompanhou de perto a ascensão do NSDAP.

As principais ideias do nazismo

Os princípios fundamentais do nazismo estão resumidos em seu slogan “um povo, uma nação, um líder” (em alemão: “Ein Volk, Ein Reich, Ein Führer”). Essa frase integra as ideias básicas do nazismo: construir na Alemanha uma sociedade para a raça ariana de homogeneidade política e cultural (racismo), por meio de um Estado militar forte (fascismo) guiado por um único líder (autoritarismo).

Hitler e o Partido Nazista alegavam que a República de Weimar (o governo alemão) era controlada por socialistas, judeus e os “criminosos de novembro” (como eles chamavam os políticos que haviam assinado a rendição do Império Alemão no final da Primeira Guerra Mundial).

Esse era um discurso que havia se difundido em alguns setores da população alemã, que argumentava que o exército alemão estava prestes a vencer a guerra, mas havia sido “apunhalado pelas costas” pelos políticos socialistas que declararam a derrota. Portanto, para os nazistas, o objetivo final do partido era derrubar a República de Weimar e implementar um novo governo.

Durante a década de 1920, o discurso nazista consolidou suas características racistas. Os nazistas defendiam que a raça ariana era superior a todas as outras raças e que os infortúnios da população alemã se deviam à intrusão da população não ariana. À medida que diferentes símbolos da identidade ariana eram adotados, o conceito racista se tornava cada vez mais antissemita, e os judeus eram apontados como os principais culpados pelas misérias da Alemanha, além dos eslavos.

Durante a década de 1930, as ideias racistas se radicalizaram ainda mais e a segregação começou a incluir grupos políticos. O Partido Nazista pregava que a nação alemã tinha de ser expurgada de judeus, eslavos, ciganos, comunistas e todas as outras minorias que impediam seu crescimento.

Por outro lado, o nazismo acreditava que o poder de um país residia em sua força militar e ordem civil. Nesse sentido, Hitler defendia que, para que a Alemanha conquistasse seu “espaço vital”, era preciso recuperar os territórios que historicamente lhe pertenciam (Áustria e parte dos Sudetos da Tchecoslováquia) e expandir-se para o leste.

As relações entre a população e o Estado deveriam ser guiadas por lealdade, dever, responsabilidade e obediência. Aqueles que não agissem dessa forma eram considerados inimigos do Estado.

Em resumo, os principais fundamentos da ideologia nazista eram os seguintes:

  • Nacionalismo totalitário. Como todos os movimentos fascistas, o nazismo defendia que o indivíduo deveria estar subordinado à vontade da nação e do líder. O objetivo do nazismo era alcançar uma sociedade ideologicamente homogênea.
  • Racismo e segregacionismo. O nazismo sustentava que a raça ariana era superior a todas as outras raças e acreditava que a nação alemã estava sofrendo com a presença de minorias raciais inferiores. Por isso, pregava que era necessário expurgar a nação alemã de todos os grupos sociais que ameaçassem a pureza do homem ariano ideal, seja por origem racial (ciganos, eslavos, judeus), ideologia política (comunistas e socialistas) ou condição física (pessoas com deficiência).
  • Antissemitismo. Os nazistas culpavam especialmente a população judaica pelos principais males da sociedade alemã. Consideravam os judeus os culpados pela derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial e, principalmente, pela crise econômica da Grande Depressão.

História do nazismo

Contexto histórico do nazismo

Durante a “República de Weimar”, a Alemanha foi governada por diferentes partidos.

No final da Primeira Guerra Mundial, o Império Alemão foi derrotado e forçado a assinar o Tratado de Versalhes (1919). As potências que venceram a guerra estabeleceram que a Alemanha havia sido a principal responsável pelo conflito e impuseram uma série de sanções: perdas territoriais (quase 15% do território imperial e todas as colônias), limitação da força naval e do exército, desmilitarização de determinadas áreas e a obrigação de pagar reparações de guerra.

Na Alemanha, foi estabelecido um novo governo conhecido como “República de Weimar”, com uma organização democrática e a criação de uma Assembleia Nacional. Entre 1919 e 1923, o país passou por uma grave crise, ligada à instabilidade econômica e à oposição de forças políticas opostas. Houve golpes de Estado de direita e rebeliões socialistas.

Além da crise social e política, muitos alemães consideraram as condições impostas no Tratado de Versalhes uma humilhação internacional e criticavam o governo da República de Weimar por aceitar sanções tão extremas. Além disso, começou a circular a ideia de que essa nova democracia permitia que alguns setores políticos se mantivessem no poder enquanto o povo alemão sofria com a crise econômica.

Nesse contexto, na década de 1920, a ideologia de direita começou a ganhar cada vez mais adeptos. A desconfiança em relação à democracia, a simpatia pelo autoritarismo e a adesão ao fascismo se espalharam. Essa tendência foi sentida em diferentes sociedades europeias, como na Itália (com a ascensão de Benito Mussolini).

A criação do Partido Nazista

O Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (também conhecido como Partido Nazista) foi fundado em 1919 na cidade de Munique. Foi uma das dezenas de agrupamentos políticos criados naqueles anos, em meio à crise de poder pela qual o país estava passando.

Adolf Hitler entrou para o grupo em setembro daquele ano como espião do exército alemão. No entanto, Hitler concordava com a ideologia nacionalista, autoritária e antissemita e acabou se demitindo do exército. A partir de então, ele se dedicou ao ativismo político e, graças às suas habilidades oratórias, logo subiu na estrutura do Partido Nazista.

À medida que seu poder dentro do partido aumentava, mudou alguns aspectos importantes da sua organização. Sob sua liderança, o Partido Nazista passou de uma estrutura de autoridade eleita, com tomada de decisões coletivas, e passou a ser uma organização liderada por um Führer como o único líder da política e das estratégias partidárias.

O crescimento do Partido Nazista

O Partido Nazista criou sua própria força paramilitar chamada Sturmabteilung (conhecida como “SA”).

O Partido Nazista foi fundado em 1919 e, em 1923, contava com mais de 20 mil membros. O crescimento do partido deveu-se principalmente aos discursos de Hitler e à sua promoção de ideias antissemitas, que apontavam a população judaica como culpada pelas misérias da população ariana. Em pouco tempo, suas ideias se tornaram populares, e o partido elaborou várias estratégias para aumentar seus adeptos.

Todos os anos, organizava-se uma manifestação em massa em Nuremberg, com o objetivo de demonstrar o apoio popular e a força do partido. Nessas demonstrações, o nazismo era mostrado como um movimento homogêneo, moderno e disciplinado. A multidão desfilava em frente ao líder e fazia um juramento de fidelidade ao Führer.

Por sua vez, para fortalecer sua posição nas ruas, o Partido Nazista criou uma milícia paramilitar chamada Sturmabteilung (em alemão, “destacamento tempestade” e mais conhecida como “SA”). Seus membros eram voluntários, armados e conhecidos como “camisas marrons” por causa de seu uniforme. Sua principal função era atuar como uma força policial partidária, especialmente para lidar com militantes comunistas.

No dia 7 de novembro de 1923, o Partido Nazista tentou um golpe de Estado. O evento ficou conhecido como o “Putsch de Munique” (putsch é a palavra alemã para “golpe”) e fracassou rapidamente. Os principais líderes do partido foram presos e mandados para a prisão. Hitler foi condenado a cinco anos de prisão, mas cumpriu uma pena de nove meses antes de ser libertado graças a seus contatos políticos. Durante esse período, ele escreveu seu livro Mein Kampf (em alemão significa, “Minha Luta”), uma combinação de autobiografia e manifesto político.

Após o golpe de Munique, o Partido Nazista decidiu mudar sua estratégia política, abandonar a ideia de tomar o poder pela força e focar na obtenção de um governo legal por meio de eleições. Nas eleições de 1924 e 1928, o Partido Nazista não conseguiu obter mais de 3% dos votos.

Entretanto, no final da década de 1920, o movimento começou a procurar novos aliados e ganhou apoio de diferentes grupos sociais, como pequenos comerciantes, cristãos protestantes minoritários, grupos de estudantes de direita e pequenos proprietários rurais.

Quando a Grande Depressão (uma grave crise econômica internacional) estourou em 1929, as condições extremas de instabilidade econômica e política na Alemanha fizeram com que cada vez mais pessoas radicalizassem as suas ideias e se voltassem para o nazismo. Naquela época, o nazismo era o único grupo político que demonstrava unidade, força e um plano de ação específico. Os grupos de esquerda estavam divididos e não podiam competir com a propaganda nazista.

A ascensão do Partido Nazista ao poder

Em 1933, von Hindenburg nomeou Hitler chanceler da Alemanha.

Nas eleições de 1930, o Partido Nazista obteve 18,3% dos votos parlamentares. Para a eleição presidencial de 1932, Hitler concorreu à presidência contra Paul von Hindenburg (que era presidente desde 1925). Nas semanas anteriores, o Partido Nazista adotou diferentes estratégias de campanha. Por um lado, dedicou um alto nível de recursos à propaganda nas ruas e no rádio.

Por outro lado, a milícia SA aumentou seus ataques contra as milícias dos partidos de esquerda. A polícia não conseguia controlar a situação, e a escalada da violência criou o caos nas ruas e a instabilidade civil. Hitler prometeu restaurar a lei e a ordem e destacava a incapacidade de von Hindenburg de fazer isso, enquanto suas milícias instigavam a maior parte da violência vista nas ruas.

Na eleição presidencial de 1932, von Hindenburg venceu com 53% dos votos. No entanto, nas eleições parlamentares do mesmo ano, o Partido Nazista conquistou 33% dos assentos e se tornou o partido majoritário no Reichstag (o parlamento alemão), o que obrigou von Hindemburg a se comprometer com o nazismo para poder governar. Por esse motivo, von Hindenburg nomeou Hitler como chanceler em 1933.

Distribuição de cadeiras por partido nos parlamentos alemães (1920–1933)
PartidoJunho 1920Maio 1924Dez. 1924Maio 1928Set. 1930Julho 1932Nov. 1932Março 1933Nov. 1933
Partido Nazista00012107230196288661
Social-Democracia1021001311531431331211200
Comunista46245547789100810
Centro (católicos)64656962687570740
Popular654551453071120
Popular-Nacionalista719510373413751520
Econômico4101731232100
Grupúsculos55126205391270
Popular da Baviera21161918192220180
Democrático39283225204250
Independentes8400000000

A concentração do poder em Hitler

Logo depois que Hitler se tornou chanceler, o prédio do Reichstag foi incendiado e os nazistas culparam os revolucionários comunistas por realizar o atentado contra o governo alemão. Hitler aproveitou essa situação para consolidar sua posição e concentrar o poder em suas mãos.

Primeiro, conseguiu que von Hindenburg emitisse o Decreto do Incêndio do Reichstag, pelo qual algumas liberdades civis foram anuladas e a polícia recebeu o poder de prender pessoas suspeitas. Esse instrumento tornou-se a base legal para a repressão nazista à oposição nos anos seguintes.

Em março de 1933, o parlamento aprovou a Lei para Remediar a Aflição do Povo e do Reich (mais conhecida como “Lei Habilitante de 1933”), que concentrou as funções legislativas e anulou a divisão republicana de poderes. Hitler usou seus novos poderes para obter controle total sobre o governo, a polícia e as comunicações.

Em agosto de 1934, von Hindenburg morreu e Hitler concentrou todo o poder em suas mãos: assumiu as funções de chanceler e presidente e se autoproclamou Führer do chamado Terceiro Reich da Alemanha. Entre 1934 e 1939, o aparato estatal alemão tornou-se um instrumento de governo do Partido Nazista. Posições divergentes foram eliminadas, a oposição foi reprimida e a ideologia nazista tornou-se uma regra de conduta obrigatória.

O governo de Hitler e o Partido Nazista

Hitler estabeleceu um regime totalitário na Alemanha entre 1933 e 1945.

Desde 1934, Hitler impôs um regime totalitário. Os partidos políticos e sindicatos de oposição foram dissolvidos, e a filiação ao Partido Nazista tornou-se obrigatória para todos os cidadãos. Ao mesmo tempo, todos os cargos políticos e administrativos do Estado foram preenchidos por membros do partido.

As instituições do governo local foram colocadas sob o controle centralizado do governo nacional. Criou-se tribunais especiais para perseguição política e ideológica. A polícia foi substituída primeiro pela SA e depois pela Gestapo, uma força policial secreta criada para reprimir a oposição e controlar os cidadãos.

No aspecto social, o Partido Nazista procurou impor sua ideologia em todos os aspectos da vida cotidiana e em todos os setores da sociedade alemã. O objetivo era alcançar a unidade ideológica absoluta por meio do controle dos pensamentos e das ideias da população. Para isso, foi elaborada uma estratégia de propaganda massiva visando impor os valores nazistas: racismo, antissemitismo, anticomunismo e nacionalismo.

No âmbito econômico, o nazismo procurou reorientar a economia alemã para posicioná-la entre as grandes potências europeias e preparar o país para a guerra. Para isso, promoveu o desenvolvimento dos setores siderúrgico, químico, de mineração e de armas.

Além disso, em 1936, ele deu início ao seu “Plano Quadrienal”, que visava alcançar a autonomia econômica alemã por meio da autossuficiência. Estabeleceu a fixação de preços e salários e aumentou os gastos do Estado com a construção de obras públicas. Durante os primeiros anos do governo de Hitler, o desemprego caiu, a inflação foi interrompida e a qualidade de vida dos cidadãos aumentou.

Em princípio, o uso da propaganda e o governo eficaz fizeram com que grande parte da população alemã apoiasse as mudanças impostas pelo Partido Nazista. Mas, ao mesmo tempo, a oposição foi perseguida, os sindicatos foram controlados e as greves foram proibidas. Em 1933, os dois primeiros campos de concentração foram fundados em Dachau e Buchenwald. Lá, os oponentes do regime, especialmente comunistas e socialistas, eram presos e torturados.

Hitler, por sua vez, identificou que a SA estava adquirindo demasiado poder dentro da estrutura do novo governo. Em 1934, ele decidiu dissolver as forças e substituir suas funções por outras organizações. Além disso, ordenou o assassinato do líder, Ernst Röhm, e de quase 300 líderes das SA. Assim, no final do ano, Hitler havia concluído a consolidação de seu poder absoluto dentro do Partido Nazista.

Política expansionista nazista

Em 1939, o nazismo alemão iniciou uma política de expansionismo destinada a ocupar determinados territórios. Hitler propunha alcançar o que ele chamava de “espaço vital”, ou seja, o território necessário para o correto desenvolvimento da nação alemã. O objetivo era anexar territórios ricos em recursos necessários para a indústria nacional.

A política internacional agressiva teve início quando, em 1933, Hitler decidiu que a Alemanha deveria deixar a Liga das Nações. Em 1936, o exército alemão ocupou a Renânia, que havia sido desmilitarizada como resultado do Tratado de Versalhes. Além disso, assinou um pacto com Benito Mussolini (líder da Itália) conhecido como “Eixo Roma-Berlim” (esse pacto foi a base para as alianças na Segunda Guerra Mundial).

Em 1938, Hitler ordenou a invasão da Áustria e reivindicou a região dos Sudetos na Tchecoslováquia, com o argumento de que ela era historicamente parte do Império Alemão. As principais potências europeias concordaram em conceder à Alemanha a região dos Sudetos com a condição de que ela encerrasse sua política expansionista.

No entanto, em março de 1939, Hitler ordenou a invasão da Tchecoslováquia e, no mês seguinte, fez com que a Hungria e a Romênia aderissem ao Pacto do Eixo. Por sua vez, Hitler negociou com Stalin (o líder da União Soviética) um pacto de não agressão com uma série de cláusulas secretas que previam a invasão e a divisão da Polônia entre os dois países.

Quando, em setembro de 1939, o exército alemão invadiu a Polônia, a Grã-Bretanha e a França declararam guerra e a Segunda Guerra Mundial foi deflagrada.

O racismo no governo nazista

O nazismo procurava alcançar a “pureza racial” na Alemanha para consolidar a “superioridade ariana”. Nesse sentido, foram adotadas diferentes políticas com o objetivo de “expurgar a sociedade” de todos os elementos que fossem considerados capazes de afetar o bem comum ou enfraquecer a sociedade.

  • As pessoas com deficiências mentais e motoras foram confinadas em instituições estatais.
  • Campanhas estatais de esterilização contra alemães com doenças hereditárias foram implementadas.
  • As minorias étnicas (eslavos e ciganos), sexuais (homossexuais) e religiosas (especialmente judeus) foram perseguidas.
  • A oposição política e aqueles que defendiam ideias diferentes das promovidas pelos nazistas foram perseguidos: comunistas e socialistas.

O antissemitismo no governo nazista

Em 1938, a polícia nazista atacou as casas, os estabelecimentos comerciais e as sinagogas judaicas.

O governo nazista foi particularmente violento com a população judaica. Para os nazistas, o judaísmo era biológico e hereditário, ou seja, uma questão de raça, não de observância religiosa. Não importava se os judeus haviam vivido na Alemanha durante séculos ou se haviam se convertido ao cristianismo.

O discurso nazista culpava os judeus por todos os males sofridos na Alemanha, como a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial, a crise da Grande Depressão ou a ameaça da revolução comunista. Essa acusação era infundada e alinhada inteiramente com suas visões racistas e ideológicas.

Em 1935, o governo nazista emitiu as “Leis de Nuremberg”. Através dessa legislação, os nazistas atacaram diretamente a população judaica: foram privados de direitos políticos, econômicos e civis elementares.

O casamento e a união com não judeus foram proibidos. Nos anos seguintes, o governo continuou a emitir várias leis com o objetivo de consolidar a segregação, expulsar a sociedade judaica do país ou colocá-la em bairros separados (conhecidos como “guetos”).

Parte da população alemã contribuiu para a política de perseguição e segregação dos judeus. Por exemplo, alguns comerciantes os impediam de entrar em suas lojas.

O racismo contra os judeus era algo cotidiano e era praticado tanto pelo Estado quanto por diferentes setores da população alemã. Por esse motivo, muitos judeus aceitaram a deportação nos primeiros anos do governo nazista. Estima-se que, entre 1933 e 1939, quase 300 mil judeus foram deportados da Alemanha para outros países.

Entre as principais leis antissemitas do nazismo se encontram:

  • Lei de Cidadania do Reich (1935). Ficou estabelecido que somente as pessoas de “sangue alemão” tinham direito à cidadania. A população judaica e as minorias étnicas foram excluídas dos direitos políticos.
  • Lei para a Proteção do Sangue e da Honra Alemães (1935). O casamento e as relações extraconjugais entre judeus e cidadãos alemães foram proibidos.
  • Lei sobre a Mudança de Nomes e Sobrenomes (1938). Foi imposto o uso de determinados nomes para pessoas judias. Foi proibido o uso de nomes fora de uma lista aprovada pelo governo.
  • Decreto sobre passaportes judeus (1938). Foi anulada a validade de todos os passaportes da população judaica e ficou estabelecido que, para recuperar sua validade, cada pessoa deveria se apresentar no escritório do governo para que seu passaporte fosse marcado com a letra “J”.
  • Regulamentação policial sobre a identificação de judeus (1941). Foi estipulado que todos os judeus deveriam usar um distintivo visível em suas roupas com o formato da Estrela de Davi e a palavra “jude” (alemão para “judeu”) para facilitar a identificação.

Em 1938, a polícia nazista iniciou ataques violentos diretos contra a população judaica. O ataque mais conhecido foi a “Noite dos Vidros Quebrados”, entre 9 e 10 de novembro. Foi um ataque generalizado em diferentes locais que resultou na morte de centenas de pessoas e na destruição de lojas, casas e sinagogas. Terminou com a deportação de quase 30 mil judeus para um campo de concentração pela primeira vez.

O Holocausto judeu

Chama-se Holocausto judeu a perseguição sistemática e o extermínio do povo judeu pelo Estado alemão sob o domínio do Partido Nazista. O Holocausto foi o resultado radical das políticas racistas antissemitas iniciadas pelas Leis de Nuremberg em 1935. Estima-se que, em sua totalidade, o Partido Nazista tenha sido responsável pela morte de cerca de seis milhões de judeus.

Quando a Alemanha invadiu a Europa Oriental e a Segunda Guerra Mundial começou em 1939, as políticas de perseguição à população judaica foram radicalizadas. Em algumas cidades, como Varsóvia (Polônia) e Budapeste (Hungria), os judeus foram confinados em bairros demarcados controlados pelo exército alemão.

Porém, na maioria das vezes, a população judaica era deportada para campos de concentração. Os campos de concentração tinham o objetivo de confinar a população aprisionada e organizar sua atividade em trabalhos forçados.

Em 1942, oficiais de alto escalão do Partido Nazista, reunidos na Conferência de Wannsee, proclamaram “a solução final do problema judaico”. Essa iniciativa levou quase toda a população judaica para a Europa Oriental a fim de construir estradas de abastecimento necessárias para o exército alemão na guerra. As condições de construção eram tão severas que muitos dos prisioneiros morriam durante o trabalho.

Nos anos seguintes, os nazistas decidiram exterminar diretamente a população judaica dos campos de concentração. Os campos foram construídos de forma que pudessem matar o maior número possível de pessoas no menor tempo possível. Por esse motivo, eles também são conhecidos como “fábricas da morte”.

Os métodos de extermínio variavam de pelotões de fuzilamento à criação de câmaras de gás, onde, em um único dia, entre 5 mil e 10 mil pessoas podiam ser mortas por asfixia.

Queda do nazismo

Nos julgamentos de Nuremberg, os principais criminosos nazistas que sobreviveram à guerra foram julgados.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Estado alemão foi totalmente controlado pelo Partido Nazista Por sua vez, o nazismo havia se tornado uma prática de lealdade absoluta a Hitler.

Diante da derrota iminente na Segunda Guerra Mundial, em 30 de abril de 1945, Hitler e sua esposa Eva Brown cometeram suicídio. A maioria dos principais comandantes do Partido Nazista e pessoas próximas a Adolf Hitler também cometeram suicídio nos últimos dias da guerra ou fugiram para o exterior.

Quando Hitler morreu em 1945, os danos da guerra, a derrota iminente e a fraqueza interna levaram ao colapso e à dissolução do Partido Nazista como um todo. Com a rendição alemã, os exércitos aliados ocuparam a Alemanha e dividiram o país. As forças de ocupação foram encarregadas de eliminar qualquer vestígio do nazismo.

Por sua vez, levaram a julgamento os responsáveis pelos crimes do Holocausto. Esse julgamento, conhecido como os “Julgamentos de Nuremberg”, ocorreu entre 1945 e 1946 e julgou os juízes das potências aliadas que venceram a guerra: Reino Unido, França, União Soviética e Estados Unidos.

As audiências foram públicas e acusaram vinte e duas pessoas consideradas os principais criminosos da organização nazista ainda presente. Doze deles foram condenados à morte. A maioria deles admitiu ter cometido os crimes dos quais foram acusados sob o pretexto de seguir as ordens de sua autoridade de comando superior.

As leis de Nuremberg

Em 1935, o governo nazista emitiu duas leis para a segregação racial: a Lei de Proteção do Sangue e da Honra Alemã. Essa legislação é conhecida como “Leis de Nuremberg” porque foi anunciada em um comício do Partido Nazista na cidade de Nuremberg.

A Lei de Cidadania do Reich estabelecia que somente os “alemães racialmente puros” eram cidadãos alemães. Os judeus e outras minorias étnicas foram excluídos dessa definição e, portanto, não podiam ser cidadãos da Alemanha e foram privados de seus direitos políticos.

Por outro lado, a Lei de Proteção do Sangue e da Honra Alemã proibia o casamento e a união de judeus com pessoas “de sangue alemão”. Além disso, os judeus eram proibidos de usar as cores alemãs ou de usar símbolos de identidade nacional.

Referências

  • Ackerman, M., Schroeder, M. J., Terry, J. (Eds.) (2008). “Nazi Party”. Encyclopedia of World History. Crisis and achievement. Vol. 5. Facts on File. 
  • Britannica, The Editors of Encyclopaedia (2023). "Nazi Party". Encyclopedia Britannica.
    https://www.britannica.com/  
  • Sheldon, G. W. (2001). “National Socialism”. Encyclopedia of political thought. Infobase Publishing.
  • United States Holocaust Memorial Museum (2020). “Documenting numbers of victims of the Holocaust and Nazi Persecution”. Holocaust Encyclopedia. https://encyclopedia.ushmm.org/ 

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

KISS, Teresa. Nazismo. Enciclopédia Humanidades, 2023. Disponível em: https://humanidades.com/br/nazismo/. Acesso em: 24 maio, 2024.

Sobre o autor

Autor: Teresa Kiss

Professora de História do ensino médio e superior.

Traduzido por: Márcia Killmann

Licenciatura em letras (UNISINOS), Doutorado em Letras (Universidad Nacional del Sur)

Data da última edição: 4 dezembro, 2023
Data de publicação: 14 novembro, 2023

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