Otto von Bismarck

Vamos explicar quem foi Otto von Bismarck e qual foi seu papel na unificação alemã em 1871. Além disso, suas políticas como chanceler do Império Alemão

Otto von Bismarck tornou possível a unificação alemã em 1871.

Quem foi Otto von Bismarck?

Otto von Bismarck foi um estadista prussiano que se destacou como o principal incentivador da unificação alemã e da fundação do Império Alemão em 1871. Foi o primeiro chanceler do Império Alemão de 1871 a 1890.

Na política interna, Bismarck implementou medidas autoritárias, como a proibição do Partido Socialista dos Trabalhadores Alemães. Também promulgou uma Constituição que definia o Império Alemão como uma federação de 25 estados sob a autoridade do rei da Prússia, que simultaneamente se tornou kaiser ou imperador da Alemanha.

Nas relações exteriores, Bismarck promoveu uma política pragmática baseada na diplomacia (conhecida como Realpolitik ou “política realista”), que visava manter um equilíbrio de poder na Europa e consolidar a posição da Alemanha.

Em 1888, Guilherme II foi proclamado imperador da Alemanha e, dois anos depois, Bismarck foi forçado a renunciar. O novo imperador deu uma guinada na política alemã com medidas como a legalização de grupos socialistas e a substituição da Realpolitik de Bismarck pela Weltpolitik (“política mundial”), que visava garantir a hegemonia alemã por meio de políticas mais agressivas.

Em seus últimos anos, Bismarck escreveu suas memórias. Morreu em 1898, aos 83 anos de idade. Seus restos mortais repousam em um mausoléu em Schneckenberg, nos arredores de Friedrichsruh, no norte da Alemanha.

A vida pessoal de Otto von Bismarck

Otto von Bismarck (cujo nome completo era Otto Eduard Leopold, príncipe von Bismarck, conde de Bismarck-Schönhausen, duque de Lauenburg) nasceu em 1º de abril de 1815 no seio de uma família prussiana proprietária de terras.

Aos sete anos de idade, ingressou no Instituto Plamann, em Berlim. Mais tarde, frequentou o Friedrich Wilhelm Gymnasium. Estudou direito na Universidade de Göttingen e na Universidade de Berlim e, mais tarde, entrou para o serviço público prussiano.

Quando sua mãe faleceu, ela ajudou seu pai na administração das propriedades agrícolas da família. Em 1847, casou-se com Johanna von Puttkamer, que pertencia a uma família aristocrática conservadora. O casal teve uma filha e dois filhos.

A vida política de Otto von Bismarck

Bismarck e a unificação alemã

Em 1871, Guilherme I foi proclamado imperador e Bismarck (retratado em branco) tornou-se chanceler.

Bismarck iniciou sua carreira política como membro do Parlamento Unido da Prússia em 1847, onde defendeu os interesses da nobreza conservadora. Quando as revoluções de 1848 eclodiram na Europa, ele se manifestou contra qualquer negociação com os liberais revolucionários.

Em 1862, o rei Guilherme I da Prússia nomeou Bismarck primeiro-ministro. A partir desse cargo, Bismarck liderou o processo de unificação alemã. Em 1867, formou a Confederação da Alemanha do Norte, que reuniu 22 estados sob a autoridade do rei da Prússia.

Em 1870, ele provocou a Guerra Franco-Prussiana para acabar com a hegemonia francesa na Europa e promover a união dos Estados alemães que ainda não faziam parte da Confederação. A vitória prussiana na guerra contra a França levou à criação do Reich alemão, ou Império, que foi oficialmente proclamado em 18 de janeiro de 1871 no Salão dos Espelhos do Palácio de Versalhes.

A proclamação do império significou a unificação dos Estados do norte e do sul da Alemanha sob a autoridade do kaiser ou imperador alemão, cargo ocupado pelo rei da Prússia. O império também incorporou os territórios franceses da Alsácia e da Lorena. Por sua vez, Bismarck tornou-se o primeiro chanceler do Reich.

Bismarck como chanceler do Império Alemão

A partir do momento em que o Império Alemão se formou, Bismarck orientou sua política externa para a manutenção da paz e da ordem internacional. Favorecido pelo desenvolvimento econômico alemão, Bismarck desempenhou o papel de árbitro nas relações internacionais por quase vinte anos.

O foco de sua política era manter a França isolada, pois ele era consciente do desejo de vingança do país vizinho após a perda da Alsácia e da Lorena em 1870. Com esse objetivo, construiu vários acordos com outras nações europeias, conhecidos como sistemas bismarckianos, que faziam parte de uma política diplomática pragmática conhecida como Realpolitik (“política realista”).

Sua política interna foi caracterizada pelo autoritarismo. Favoreceu o protecionismo para impulsionar a industrialização e promoveu leis antissocialistas que, entre outras coisas, proibiram o Partido Socialista dos Trabalhadores Alemães em 1878. Ao mesmo tempo, Bismarck adotou políticas trabalhistas e sociais que favoreciam os trabalhadores a fim de afastá-los do socialismo, mas a adesão à social-democracia continuou a crescer.

Em 1890, Bismarck foi forçado a renunciar pelo fato de o novo kaiser, Guilherme II, não estar disposto a implementar uma nova lei antissocialista que poderia provocar um surto de violência.

Após a renúncia de Bismarck, iniciou-se um novo período de relações internacionais na Europa, devido a substituição da Realpolitik pela Weltpolitik, que visava à hegemonia alemã por meio do desenvolvimento de armas e da expansão política.

Bismarck se aposentou da atividade política e, durante seus últimos anos, dedicou-se a escrever suas memórias. Faleceu em 30 de julho de 1898 em Friedrichsruh, no norte da Alemanha.

Referências

  • Barkin, K. (2023). Otto von Bismarck. Encyclopedia Britannica. https://www.britannica.com/ 
  • Britannica, Encyclopaedia (2023). German Empire. Encyclopedia Britannica. https://www.britannica.com/ 
  • Steinberg, J. (2013). Bismarck: A Life. Oxford University Press.
  • Stürmer, M. (2004). El Imperio alemán (1870-1919). Mondadori.

Como citar?

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GAYUBAS, Augusto. Otto von Bismarck. Enciclopedia Humanidades, 2023. Disponível em: https://humanidades.com/br/otto-von-bismarck/. Acesso em: 20 fevereiro, 2024.

Sobre o autor

Autor: Augusto Gayubas

Doutor em História (Universidad de Buenos Aires)

Traduzido por: Márcia Killmann

Licenciatura em letras (UNISINOS), Doutorado em Letras (Universidad Nacional del Sur)

Data da última edição: 22 novembro, 2023
Data de publicação: 22 novembro, 2023

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