Mahatma Gandhi

Vamos explicar quem foi Gandhi e quais princípios ele professava. Além disso, suas características gerais, como ele morreu e muito mais.

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Gandhi foi uma figura importante no movimento nacionalista indiano.

Quem foi Mahatma Gandhi?

Mahatma Gandhi é o nome pelo qual ficou conhecido Mohandas Karamchand Gandhi (1869–1948), advogado, pensador e político hinduísta indiano que liderou o movimento nacionalista indiano contra o domínio britânico.

Acredita-se que o nome Mahatma, que significa “grande alma” em sânscrito, tenha sido dado a ele como uma homenagem pelo poeta indiano Rabindranath Tagore, com quem teve um longo relacionamento de amizade e admiração mútua.

Gandhi é famoso por ter liderado o movimento nacionalista indiano contra o Raj Britânico no início do século XX e por sua filosofia de resistência pacífica, fidelidade à consciência (mesmo que isso signifique desobediência civil) e um retorno aos antigos valores do hinduísmo.

Gandhi foi preso várias vezes e se tornou um herói nacional. Defendeu a superação das rivalidades religiosas de seu país (que frequentemente colocavam hindus contra muçulmanos) e a reforma da sociedade de castas.

Em 1948, Gandhi foi assassinado por um fundamentalista hindu que discordava da postura tolerante de Gandhi em relação aos muçulmanos durante a divisão da Índia, e suas cinzas foram jogadas no rio Ganges.

Nascimento e juventude de Mahatma Gandhi

Mohandas Gandhi nasceu em 2 de outubro de 1869 em Porbandar, uma cidade litorânea no atual estado de Gujarat, na Índia.

Era filho de Karamchand Gandhi, primeiro-ministro (diwan) dos estados principescos de Porbandar e Rajkot, e de sua quarta esposa, Putlibai, a quem se atribui a criação e a educação de Gandhi nos valores do hinduísmo, do pacifismo e da não violência.

Casou-se aos 13 anos de idade com Kasturba, uma garota da mesma idade e casta, com quem teve quatro filhos.

Passou no exame de admissão da Universidade de Bombaim (atual Universidade de Mumbai) e estudou direito no Samaldas College, em Bhavnagar (Índia) e no University College, em Londres (Inglaterra).

Gandhi e o Partido do Congresso

Entre 1893 e 1914, Gandhi morou na África do Sul e observou as injustiças do regime racial daquele país. Quando retornou à Índia em 1915, filiou-se ao Congresso Nacional Indiano (também chamado de Partido do Congresso), um partido nacionalista fundado em 1885.

Ainda que mais de um milhão de indianos tenham lutado pelo Império Britânico durante a Primeira Guerra Mundial (1914–1918), o governo colonial endureceu as leis repressivas contra os movimentos nacionalistas e contra qualquer pessoa suspeita de conspirar contra o domínio colonial. Isso levou Gandhi a liderar grandes protestos.

No massacre de Amritsar, no norte da Índia, em 1919, mais de 400 indianos foram mortos pelas tropas britânicas. Esse fato levou Gandhi a repensar suas táticas políticas e, a partir de 1920, ele lançou uma campanha de não violência e não colaboração com as autoridades britânicas.

A Marcha do Sal

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A Marcha do Sal promoveu a independência da Índia do Império Britânico.

Em 1930, Gandhi liderou um grande protesto não violento chamado a “Marcha do Sal”, que inspirou líderes posteriores, como Martin Luther King.

Esse evento é considerado uma das manifestações mais importantes que levaram à independência da Índia do Império Britânico, que, na época, extraía e comercializava sal de forma monopolista.

Gandhi organizou um “boicote ao sal”, que consistia em retirar água do mar e evaporá-la para obter sal por meios próprios. Uma multidão imitou esse gesto e cerca de 60 mil pessoas foram presas, inclusive Gandhi.

Os indianos não resistiram às prisões e a população pobre continuou a evaporar a água. As autoridades coloniais não tiveram escolha a não ser permitir legalmente o acesso ao sal, pois sentiram que o recrudescimento da repressão teria prejudicado sua imagem perante as elites indianas que ajudavam a manter a estabilidade da ordem colonial.

Essa é considerada a primeira vitória da filosofia de não violência de Gandhi contra o domínio britânico.

A Segunda Guerra Mundial e a Partição da Índia

Durante o período entre guerras, Gandhi continuou envolvido na luta anticolonial e foi preso várias vezes. Quando a Segunda Guerra Mundial eclodiu (1939–1945), o Congresso Nacional Indiano apoiou os Aliados (entre os quais estava o Reino Unido), acreditando que isso traria melhorias para a Índia.

Entretanto, Gandhi não aceitou essa postura, acreditando que a liberdade democrática pela qual os Aliados diziam lutar não era reconhecida pela Índia. Continuou a fazer campanha pela independência da Índia, o que levou ele e milhares de seus seguidores a serem presos pelos britânicos entre 1942 e 1944.

A fraqueza britânica após a Segunda Guerra Mundial e a chegada ao poder dos trabalhistas, liderados por Clement Attlee, em 1945, aceleraram o processo de independência. As negociações entre o governo britânico, o Congresso Nacional Indiano liderado por Jawaharlal Nehru e a Liga Muçulmana de Muhammad Ali Jinnah sobre o Plano Mountbatten (um plano para a divisão da Índia após a dissolução do Raj Britânico) culminaram em 1947 com a independência e a divisão da Índia em duas: A União da Índia e o Domínio do Paquistão.

A violência entre hindus e muçulmanos e o fracasso na construção de um estado unitário marcaram os últimos dias do pacifista Mahatma Gandhi.

Características de Mahatma Gandhi

Resistência não violenta

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Gandhi professava a resistência pacífica e a desobediência civil.

Um dos principais preceitos da doutrina de Gandhi era a resistência pacífica, que consistia em desconsiderar autoridades consideradas ilegítimas mediante atitudes autônomas de desobediência que não recorressem à violência.

Assim, desgastava a autoridade do grupo dominante, pois a repressão violenta ficava sem resposta, minando a legitimidade do setor opressor aos olhos de um número cada vez maior de pessoas e, ao mesmo tempo, desmoralizando suas próprias bases.

Essa doutrina de resistência pacífica inspirou vários movimentos sociais em todo o mundo e continua a ser um método de organização de protestos sociais.

A liderança de Gandhi

A liderança de Gandhi na Índia era tal que sua presença em público era suficiente para acalmar os ânimos, devido ao respeito que lhe tinham tanto os hindus quanto os muçulmanos. Isso foi importante em um contexto de confronto entre os praticantes de ambas as religiões na Índia.

Entretanto, isso não impediu episódios de grande violência, especialmente entre 1945 e 1947, que deixaram mais de 5 mil mortos e levaram à separação da Índia (de maioria hindu) do Paquistão (de maioria muçulmana).

Gandhi sempre incentivou as classes políticas indianas a defender seus interesses por meio da não violência e rejeitou o envolvimento da Índia na Segunda Guerra Mundial, acreditando que o povo indiano não poderia participar de uma luta pela democracia e pela liberdade se isso não existisse em seu próprio país.

Considerações espirituais de Mahatma Gandhi

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Gandhi considerava fundamental o equilíbrio entre mente, corpo e espírito.

Gandhi era um defensor do vegetarianismo. Ele considerava o vegetarianismo uma forma de manter o corpo puro e saudável e de equilibrar a mente, o corpo e o espírito.

Além disso, ser vegetariano era uma decisão moral, pois ele se opunha a qualquer forma de maus-tratos aos animais.

Gandhi levava uma vida simples, sem luxo. Confeccionava suas próprias roupas e aderiu às doutrinas hindus de purificação e paz interior, incluindo o celibato (a partir dos 36 anos).

O assassinato e as últimas palavras de Mahatma Gandhi

Gandhi foi assassinado aos 78 anos de idade em Nova Delhi, em 30 de janeiro de 1948, quando ia rezar.

O autor do crime foi Nathuram Godse, um militante fundamentalista hindu, que o culpava por enfraquecer o governo indiano diante de seus inimigos paquistaneses.

Godse e um de seus cúmplices, Narayan Apte, foram julgados e condenados à morte, sendo executados por enforcamento em 1949. No entanto, os mandantes do crime não foram condenados por falta de provas.

As últimas palavras de Gandhi antes de sua morte foram “Hey, Rama!”, uma mensagem que foi interpretada como uma última saudação a Rama, um dos avatares do deus hindu Vishnu e libertador da Índia do jugo do demônio Ravana, de acordo com a mitologia religiosa contida no texto épico Ramayana.

O legado de Gandhi

Reconhecimento de Mahatma Gandhi

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Na Índia, o Gandhi Jayanti é celebrado em 2 de outubro para comemorar o aniversário de Mahatma Gandhi.

Gandhi nunca recebeu o Prêmio Nobel da Paz, mas foi indicado cinco vezes entre 1937 e 1948.

Desde 1995, a Índia concede o Prêmio Gandhi da Paz. Um de seus ganhadores foi o político sul-africano Nelson Mandela. Na Índia, o nascimento de Gandhi é comemorado em 2 de outubro com uma festa nacional chamada Gandhi Jayanti.

Críticas ao pensamento de Gandhi

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Gandhi foi criticado por sua atitude durante a Segunda Guerra Mundial.

Muitos criticaram a postura não violenta de Gandhi na Segunda Guerra Mundial, um conflito que foi decisivo para a democracia europeia e no qual Gandhi defendia que se deveria baixar as armas contra os nazistas, mas sempre se recusar a obedecê-los, mesmo que isso significasse abandonar a própria casa ou ser preso.

Essas declarações renderam ao pensador indiano muitas críticas, e ele também foi acusado em algumas ocasiões de atitudes racistas quando morava na África do Sul.

Citações famosas de Gandhi

Algumas das citações famosas atribuídas a Gandhi incluem as seguintes:

  • “Olho por olho e o mundo inteiro acabará cego.”
  • “A humanidade não pode se libertar da violência a não ser por meio da não violência.”
  • “A vida e a morte são apenas dois lados da mesma moeda.”
  • “Há água suficiente para satisfazer a vida humana, mas não a ganância humana.”
  • “A verdade é a meta, o amor é o meio para alcançá-la.”

Referências

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

GAYUBAS, Augusto. Mahatma Gandhi. Enciclopédia Humanidades, 2023. Disponível em: https://humanidades.com/br/mahatma-gandhi/. Acesso em: 27 maio, 2024.

Sobre o autor

Autor: Augusto Gayubas

Doutor em História (Universidad de Buenos Aires)

Traduzido por: Márcia Killmann

Licenciatura em letras (UNISINOS), Doutorado em Letras (Universidad Nacional del Sur)

Data da última edição: 30 março, 2024
Data de publicação: 16 outubro, 2023

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