Hernán Cortés

Vamos explicar quem foi Hernán Cortés, como foi a sua vida e o papel na conquista do México. Além disso, quais são suas características.

Conquista de México
Hernán Cortés se destacou pelas alianças com populações indígenas na conquista do México.

Quem foi Hernán Cortés?

Hernán Cortés, ao lado de Francisco Pizarro, foi um dos mais importantes conquistadores do território americano. Nasceu na Espanha, em 1485 e morreu em 1547.

Além de ser um militar bem-sucedido, Cortés foi muito hábil em criar alianças com as populações indígenas mesoamericanas, que não só forneceram informações e tropas, mas também o protegeram nos momentos de maior debilidade.

Suas maiores façanhas foram a conquista do México, após vencer o Império Asteca e a descoberta da Califórnia. Foi também o primeiro governante da região a ser chamada Nova Espanha.

Hernán Cortés é um personagem polêmico, já que a historiografia espanhola costumava considerá-lo um herói, enquanto certas posturas historiográficas mais recentes, sobretudo americanas, consideram-no responsável por massacres de indígenas que alguns inclusive consideram genocídios.

Biografia de Hernán Cortés

Hernán Cortés
Cortés começou a conquista do México em 1519.

Hernán Cortés nasceu em 1485, na cidade de Medellín, Extremadura, Espanha. A família Cortés pertencia à nobreza, mas de fidalguia menor. Seu pai era Martin Cortés de Monroy e sua mãe Catalina Pizarro Altamirano.

Estudou leis por um curto tempo na cidade de Salamanca. Sua primeira viagem aos territórios espanhóis na América foi em 1504. Se instalou na ilha La Española (atual Santo Domingo), onde administrou uma plantação e trabalhou como notário. Sua primeira viagem expedicionária a Cuba foi em 1511 e o início da conquista do México foi em 1519.

Seu primeiro casamento foi com Catalina Suárez Marcayda, em 1512, com quem não teve filhos e faleceu em 1522. Seu segundo matrimônio foi com Joana de Zúñiga e Ramírez de Arellano em 1528, com quem teve dois filhos (o primeiro faleceu pouco depois de nascer) e quatro filhas. Além disso, teve pelo menos mais cinco filhos de relações extraconjugais.

Faleceu em 1547, em Castilleja de la Cuesta, Andaluzia, Espanha.

A conquista de Cuba

Cortés chegou a Cuba em 1511 e participou da conquista sob o comando de Diego Velázquez com a função de secretário do tesoureiro. Obteve terras na ilha e nativos em regime de encomenda, o que lhe permitiu acumular riquezas. Também foi eleito prefeito da nova cidade de Santiago.

Em 1518, Velázquez, que tinha sido nomeado governador da ilha de Cuba sob a autoridade da coroa espanhola, confiou a Cortés a condução de uma expedição para o México, no continente. Embora, depois se arrependeu e tentou deter a marcha, Cortés adiantou a partida e zarpou em fevereiro de 1519.

Graças ao financiamento do governador e sua própria riqueza e capacidade de negociação, reuniu algumas embarcações com mais de 500 homens armados, cerca de 100 marinheiros, alguns cavalos e peças de artilharia.

A conquista do México

Causas da conquista do México

Hernán Cortés
A expedição ao México incluiu motivações pessoais de Hernán Cortés.

A conquista do México se produziu no contexto maior da conquista espanhola de território americano, por isso algumas de suas motivações coincidem: explorar novos territórios, obter riquezas mediante a exploração e o comércio, difundir a evangelização.

No entanto, a expedição ao México em particular incluiu as motivações pessoais de Hernán Cortés, que possivelmente desejava tanto contribuir para a expansão da dominação espanhola e do cristianismo, como obter para si mesmo riquezas e a glória da conquista.

Além disso, o fato de que tinha se desentendido com o governador de Cuba, Diego Velázquez, a conquista bem-sucedida do território mexicano podia ganhar-lhe o favor do imperador Carlos V.

A expedição ao México

Cortés chegou primeiro à ilha de Cozumel e logo desembarcou em Tabasco, em março de 1519. Começou por coletar informação sobre a geografia e as populações locais.

Ele conheceu duas pessoas que atuaram como intérpretes e foram de grande importância para o sucesso da missão: o clérigo espanhol Jerônimo de Aguilar, que havia sido feito prisioneiro pelos maias e conhecia sua língua, e Malintzin (batizada depois como Marina e mais conhecida como “la Malinche"), uma mulher escrava de origem nahua que foi cedida como escrava pelos maias aos espanhóis e com quem Cortés teve posteriormente um filho.

Cortés fundou, então, a cidade de Veracruz em outro lugar do litoral mesoamericano e foi eleito capitão-geral de sua prefeitura, o que garantiu que já não estivesse sob a autoridade do governador de Cuba. A Malinche comunicou-lhe o que sabia sobre o Império Asteca (ou Mexica), suas maneiras de fazer a guerra, suas alianças e sua inimizade com outras populações indígenas (especialmente os tlaxcaltecas). Toda esta informação foi levada em consideração por Cortés para empreender a conquista. Previamente, para evitar deserções de suas tropas, mandou afundar suas próprias embarcações.

A situação dos povos indígenas

Quando Hernán Cortés chegou à América, muitos povos indígenas estavam brigados entre si. Por exemplo, quando os espanhóis chegaram à península de Iucatã, diversos povos que pertenciam à cultura maia tinham conflitos que costumavam resolver mediante a guerra.

No território central da Mesoamérica dominavam os mexicas (também chamados astecas), com centro em Tenochtitlán (sobre o qual posteriormente se fundou a cidade do México). Os mexicas de Tenochtitlán estabeleceram alianças com os governantes de Texcoco e Tlacopan, mas conservaram muitos inimigos. Muito antes da chegada de Cortés, o Império Asteca havia submetido ou mantinha guerras com populações como as que habitavam Huejotzingo, Cholula e Tlaxcala.

Cortés soube dessas inimizades e as utilizou a seu favor: prometeu territórios e riquezas aos povos que o apoiassem contra os mexicas. Estas alianças foram de vital importância para o seu triunfo.

A Malinche

Malitzin, batizada depois como Marina e conhecida como “a Malinche”, foi uma das intérpretes de Cortés. Esta mulher, que foi entregue como escrava por populações maias de Tabasco, depois de derrotadas pelos espanhóis, foi de grande utilidade ao conquistador por falar o idioma náhuatl e a língua maia.

Foi uma das poucas indígenas que mostrou uma incondicional fidelidade aos espanhóis e em especial a Cortés, com quem inclusive teve um filho chamado Martín. Já que tinha um profundo conhecimento dos costumes, necessidades e ambições dos povos indígenas mesoamericanos, foi uma das peças centrais das estratégias de Cortés, atuando como sua conselheira.

Moctezuma

Moctezuma permitiu que Cortés se instalasse em sua cidade.

Moctezuma era o imperador do Império Asteca (ou Mexica) que recebeu Cortés em sua cidade, Tenochtitlán (onde hoje está localizada a cidade do México). Alguns historiadores têm sugerido que Moctezuma acreditava que Cortés tinha origem divina já que, segundo a mitologia mexica, o deus Quetzalcoatl enviava emissários antes de chegar do leste. No entanto, não existem fontes que comprovem esta crença. As decisões tomadas pelo governante parecem ter sido mais devidas a considerações estratégicas erradas.

Moctezuma permitiu a Cortés e suas tropas (acompanhadas de mil tlaxcaltecas inimigos dos mexicas) se instalarem no interior da cidade em novembro de 1519, mas assim que começaram a surgir suspeitas entre eles e os moradores locais, os invasores prenderam o imperador.

Em maio de 1520, Cortés teve que se dirigir ao litoral para enfrentar uma expedição enviada contra ele pelo governador Diego Velázquez e dirigida por Pánfilo de Narváez. Depois de vencer estas tropas, regressou a Tenochtitlán, mas aqui a guarnição espanhola havia sido assediada pelos mexicas descontentes com a presença dos espanhóis e com o massacre de nobres executado por Pedro de Alvarado (conhecida como Massacre do Templo Maior).

Em um evento chamado “A Noite Triste”, em 30 de junho de 1520, os espanhóis fugiram às escondidas da cidade, mas foram assaltados pelas forças militares e os moradores mexicas, o que provocou importantes perdas humanas. Anteriormente, Montezuma havia morrido, embora não esteja claro se foi assassinado pelos seus súbditos ou pelos espanhóis.

A queda de Tenochtitlán

Depois de terem sido expulsos da cidade de Tenochtitlán, os espanhóis se refugiaram em Tlaxcala, uma cidade indígena aliada de Cortés. De julho de 1520 a abril de 1521, as forças espanholas e os seus aliados indígenas se prepararam para a conquista de Tenochtitlán. Com a ajuda dos tlaxcaltecas, os espanhóis desarmaram os navios que estavam no litoral e os rearmaram no lago que rodeava a cidade, já que Tenochtitlán era uma ilha.

Graças a estes navios, os espanhóis realizaram o cerco de Tenochtitlán que durou aproximadamente 75 dias, entre maio e agosto de 1521. Os combates foram acirrados, mas a estratégia de Cortés foi mais eficiente. Os mexicas foram dizimados e com a queda de Tenochtitlán, em 13 de agosto de 1521, caiu também o Império Asteca.

Cortés foi nomeado governador de Nova Espanha por uma cédula real de 1522 e, além de administrar o território conquistado, continuou dirigindo expedições contra populações hostis. Em 1524, viajou a Honduras e estabeleceu ali uma nova cidade, mas sua ausência por dois anos provocou que alguns de seus subordinados no México se apropriassem de seus bens e chamassem a atenção da coroa espanhola pela crueldade realizada contra os indígenas.

A lenda negra

Hernán Cortés
Acredita-se que Cortés promoveu o massacre, tortura e escravidão de indígenas mesoamericanos.

Chama-se “Lenda Negra” as histórias que sustentam que os conquistadores como Hernán Cortés massacraram, torturaram e escravizaram em grande número as populações indígenas americanas. O termo alude ao suposto caráter de propaganda antiespanhola dos primeiros relatos que teriam sido promovidos pelas potências rivais da Espanha.

O exemplo emblemático em relação a Hernán Cortés é a tortura de Cuauhtémoc, o governante de Tenochtitlán, depois da morte de Moctezuma e a quem se tentou em vão extrair informação sobre o lugar onde se supunha que se ocultavam o ouro e outras riquezas. A participação de Cortés na tortura é destacada por uns e, ao contrário, matizada por aqueles que consideram que o conquistador não ordenou sua realização, mas se limitou a consenti-la.

Aqueles que advogam contra a Lenda Negra, argumentam que Cortés não poderia ter realizado a conquista sem ter tido contado com as alianças de diversos povos locais e destacam com frequência a crueldade dos próprios governantes mexicas.

No entanto, o fato de alguns grupos indígenas terem sido beneficiados com a chegada de Cortés, não nega que muitos outros foram dizimados ou sofreram diversos tipos de maus tratos dos quais se tem conhecimento nas fontes históricas. Cortés e outros conquistadores também exploraram a mão de obra indígena e escrava para o trabalho em fazendas e minas de metais preciosos.

A descoberta da Califórnia

Em 1528, Cortés teve que voltar à Espanha para se defender de acusações por acontecimentos ocorridos em Nova Espanha. Levou consigo riquezas trazidas do Novo Mundo e se encontrou com o imperador Carlos V em Toledo, que o confirmou como capitão-geral da Nova Espanha e o nomeou marquês do Vale de Oaxaca, em 1529. No ano seguinte, voltou para o México.

Entre 1533 e 1540, Cortés financiou expedições à Baixa Califórnia, sobre o litoral do Oceano Pacífico. As primeiras expedições foram dificultadas pela sua inimizade com Nuño de Guzmán, o governador da Nova Galiza (o território mais ao norte explorado até o momento pelos espanhóis).

Cortés encabeçou a terceira expedição em 1535 e Guzmán não se atreveu a detê-lo. Nesta ocasião, e depois de confrontos com os nativos, Cortés pode estabelecer a primeira colônia na Califórnia, na baía de Santa Cruz.

Naquele mesmo ano, foi fundado no México o Vice-reinado da Nova Espanha, que ficou a cargo do vice-rei Antonio de Mendoza e Pacheco. Cortés retornou à península ibérica em 1541 e morreu assolado por litígios na Andaluzia, em 2 de dezembro de 1547.

Obras de Hernán Cortés

Algumas compilações de textos escritos pelo conquistador, são:

  • Cartas de relação (1519–1526). É um conjunto de epístolas enviadas ao imperador Carlos V entre 1519 e 1526, nas que descrevia a expedição e conquista do México. Foram compiladas e publicadas em diversas edições.
  • Documentos cartesianos (1990–1992). É um conjunto de documentos escritos e assinados por Cortés ou que o envolvem de um modo ou outro, editados por José Luis Martínez.

Referências

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

GAYUBAS, Augusto. Hernán Cortés. Enciclopedia Humanidades, 2023. Disponível em: https://humanidades.com/br/hernan-cortes/. Acesso em: 20 fevereiro, 2024.

Sobre o autor

Autor: Augusto Gayubas

Doutor em História (Universidad de Buenos Aires)

Traduzido por: Cristina Zambra

Licenciada em Letras: Português e Literaturas da Língua Portuguesa (UNIJUÍ)

Data da última edição: 15 janeiro, 2024
Data de publicação: 4 dezembro, 2023

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