Franklin D. Roosevelt

Vamos explicar quem foi Franklin D. Roosevelt e como ele se tornou presidente dos Estados Unidos. Além disso, o New Deal e a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.

Franklin D. Roosevelt impulsionou o New Deal para promover a recuperação econômica.

Quem foi Franklin D. Roosevelt?

Franklin Delano Roosevelt foi um político norte-americano do Partido Democrata que foi presidente dos Estados Unidos de 1933 a 1945. Ele foi o único presidente americano a ser eleito quatro vezes, embora não tenha conseguido terminar seu quarto mandato porque morreu enquanto estava no cargo.

Roosevelt governou em um período de duas grandes crises mundiais: a Grande Depressão da década de 1930 e a Segunda Guerra Mundial (1939–1945). Durante seus dois primeiros mandatos, implementou um programa de reforma, conhecido como New Deal, que favorecia o intervencionismo do governo federal para lidar com a crise econômica.

Durante a Segunda Guerra Mundial, no início, manteve a neutralidade dos Estados Unidos, mas apoiou o bloco dos Aliados. Após o ataque japonês a Pearl Harbor em dezembro de 1941, Roosevelt pediu ao Congresso que declarasse guerra ao Império do Japão, o que determinou a entrada dos Estados Unidos na guerra. A partir de então, Roosevelt atuou ativamente no fortalecimento da aliança contra as potências do Eixo.

Promoveu a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) e participou da Conferência de Yalta em fevereiro de 1945, mas morreu em 12 de abril de 1945. A guerra terminou durante o governo de seu sucessor, Harry S. Truman.

Vida pessoal de Franklin D. Roosevelt

Franklin D. Roosevelt nasceu em Hyde Park, estado de Nova York, em 30 de janeiro de 1882. Ele era o único filho do casamento entre o empresário James Roosevelt e sua segunda esposa, Sara Ann Delano. Ambos os pais pertenciam a famílias abastadas.

Até os 14 anos de idade, Franklin D. Roosevelt recebeu educação particular em casa. Depois disso, entrou na Groton Preparatory School, em Massachusetts, e em 1900 ingressou na Harvard College.

Nessa época, seu parente Theodore Roosevelt se tornou presidente dos Estados Unidos (1901–1909) e era favorável a um papel maior do governo na economia, o que influenciou Franklin. Foi também durante esses anos que ele conheceu Eleanor Roosevelt, com quem se casou em 1905 e teve seis filhos.

Em 1904, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Columbia, mas desistiu em 1907, logo após ser aprovado no exame da Ordem dos Advogados que lhe permitiria exercer a advocacia, em Nova York. Em 1908, entrou a trabalhar em um escritório de advocacia.

Início da carreira política de Roosevelt

Roosevelt iniciou sua carreira política como senador do Partido Democrata no Senado do Estado de Nova York de 1911 a 1913. Apoiou a candidatura de Woodrow Wilson à presidência dos Estados Unidos e, em 1913, foi nomeado secretário assistente da Marinha no governo de Wilson. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914–1918), pronunciou-se a favor da preparação militar dos Estados Unidos.

Em 1920, concorreu à vice-presidência na chapa do candidato democrata James Cox, mas a vitória do Partido Republicano o levou a abandonar seu posto na Marinha e entrar no mundo dos negócios. Em 1921, contraiu poliomielite e, a partir de então, sua parte inferior do corpo ficou paralisada. Entretanto, continuou ativo na política e, em 1928, foi eleito governador do estado de Nova York, cargo que ocupou de 1929 a 1933.

A presidência de Franklin D. Roosevelt

Roosevelt promoveu um programa de obras públicas e legislação para diminuir a crise econômica.

Na eleição presidencial de 1932, Roosevelt foi o candidato do Partido Democrata. Como o presidente republicano Herbert Hoover não havia conseguido lidar com a crise econômica desencadeada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York em 1929, as ideias de Roosevelt de implementar um New Deal (“novo acordo”) ganharam popularidade e ele foi eleito presidente.

Quando assumiu o cargo em março de 1933, Roosevelt apresentou ao Congresso um plano de medidas para reanimar a economia norte-americana e aliviar a situação de milhões de pobres e desempregados. O New Deal, que vigorou de 1933 a 1938, consistia principalmente em uma maior intervenção do governo federal na economia.

Ele determinou o fechamento temporário de bancos para evitar corridas bancárias e estabeleceu um seguro para depósitos bancários. Além disso, apresentou uma legislação de auxílio agrícola e industrial, uma lei de seguridade social e um programa de obras públicas para reduzir o desemprego.

O primeiro mandato presidencial de Roosevelt terminou em 1937, embora tenha sido eleito para um segundo mandato. Neste segundo mandato, teve fim o New Deal, mas os gastos militares foram aumentados devido à eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939–1945).

A política internacional de Roosevelt antes da Segunda Guerra Mundial

Ainda que na Conferência Econômica Internacional de Londres, em 1933, Franklin D. Roosevelt tenha negado o apoio dos Estados Unidos a uma política de estabilização monetária internacional, optando, em vez disso, por soluções de claro nacionalismo econômico, ele estava preocupado com questões internacionais.

Além de lançar a política de boa vizinhança em relação à América Latina, firmou acordos de estabilização da moeda com o Reino Unido e a França em 1936 e reconheceu o governo da União Soviética (URSS), algo que todas as administrações anteriores dos Estados Unidos haviam se recusado a fazer.

O domínio dos isolacionistas (aqueles que defendiam o isolamento dos Estados Unidos em relação aos assuntos de outros países) no Congresso levou à Lei de Neutralidade de 1935. Embora Roosevelt a tenha aceitado, já em 1937 ele propôs que as nações que buscavam a paz deveriam “colocar em quarentena” as potências agressoras. Apesar de aparentemente estar pensando apenas em cortar as relações diplomáticas, a reação de alarme no país foi tão grande que o presidente teve que retirar sua proposta e voltar a defender uma política de neutralidade estrita.

A política internacional de Roosevelt durante a Segunda Guerra Mundial

Roosevelt assinou a Carta do Atlântico com Winston Churchill, que antecipou a criação da ONU.

A partir da eclosão da Segunda Guerra Mundial, Roosevelt convenceu o Congresso de que deveria tomar medidas cada vez mais envolvidas no apoio às democracias, especialmente ao Reino Unido, que ficou sozinho contra a Alemanha nazista após a derrota da França em 1940.

Essa atitude foi exemplificada, durante o início do terceiro mandato de Roosevelt, pela Lei Lend-Lease (ou Lei do Empréstimo e Arrendamento) de março de 1941 e pela assinatura da Carta do Atlântico com o primeiro-ministro britânico Winston Churchill, em agosto de 1941.

O bombardeio japonês a Pearl Harbor em dezembro de 1941 precipitou a entrada dos Estados Unidos na guerra e fez de Roosevelt o líder dos Aliados. Na Conferência de Casablanca, em janeiro de 1943, impôs a ideia de que a única saída para o conflito era exigir a “rendição incondicional” da Alemanha.

Com a ajuda de Cordell Hull, seu secretário de Estado, Roosevelt conduziu pessoalmente a política internacional dos Estados Unidos. Fortaleceu o “relacionamento especial” com o Reino Unido e procurou prolongar a Grande Aliança com o Reino Unido e a União Soviética após a vitória, através da criação de um sistema de segurança coletiva inspirado nos princípios da Carta do Atlântico (que, após sua morte, deu origem às Nações Unidas).

Doente e próximo da morte, participou da Conferência de Yalta em fevereiro de 1945, na qual, de acordo com seus críticos, foi tolerante demais com as ambições do líder soviético Josef Stalin. Quando retornou de Yalta, sua saúde estava debilitada e, em abril, pouco depois de assumir seu quarto mandato, mudou-se para sua casa de campo em Warm Springs, onde morreu de hemorragia cerebral, em 12 de abril de 1945. Seu vice, Harry S. Truman, sucedeu-o no cargo de presidente.

A Lei Lend-Lease (ou Lei do Empréstimo e Arrendamento)

Após a derrota da França em 1940, o presidente Roosevelt se convenceu da necessidade de ajudar o Reino Unido em sua luta contra a Alemanha nazista. Se o Reino Unido caísse sob o domínio de Hitler, a ameaça aos Estados Unidos seria óbvia.

Até aquele momento, a lei nos Estados Unidos exigia que os britânicos pagassem em dinheiro por todas as compras de materiais bélicos e os transportassem em navios que não fossem norte-americanos (o chamado sistema “cash and carry”). As demandas urgentes do primeiro-ministro britânico Winston Churchill, que alertou que não poderia mais pagar por esses materiais em dinheiro, levaram o Congresso dos Estados Unidos, a pedido de Roosevelt, a aprovar a Lend-Lease, em março de 1941.

Essa lei deu ao presidente a autoridade para ajudar qualquer nação cuja defesa ele considerasse vital para os Estados Unidos em troca de qualquer pagamento que ele considerasse satisfatório. Assim, permitiu a ajuda em armamentos, munições, caminhões e outros recursos ao Reino Unido e aos países da futura Commonwealth ( receberam 63% do total) e a outros países envolvidos na guerra. Entre esses, a União Soviética se destacou, recebendo 22% do total.

O total da ajuda chegou a quase 50 bilhões de dólares, dos quais uma parte significativa foi entregue sem nenhum pagamento em troca. Essa ajuda militar foi essencial para a vitória dos Aliados na guerra.

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Referências

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

GAYUBAS, Augusto. Franklin D. Roosevelt. Enciclopedia Humanidades, 2023. Disponível em: https://humanidades.com/br/franklin-d-roosevelt/. Acesso em: 20 fevereiro, 2024.

Sobre o autor

Autor: Augusto Gayubas

Doutor em História (Universidad de Buenos Aires)

Traduzido por: Márcia Killmann

Licenciatura em letras (UNISINOS), Doutorado em Letras (Universidad Nacional del Sur)

Data da última edição: 30 dezembro, 2023
Data de publicação: 29 dezembro, 2023

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