Plano Quinquenal (URSS)

Vamos explicar o que foi o Plano Quinquenal na União Soviética. Além disso, sua história e consequências.

Stalin implementou os planos quinquenais para industrializar a União Soviética.

O que foi o Plano Quinquenal?

O Plano Quinquenal foi um método de planejamento econômico com metas para cinco anos implementado pela primeira vez na União Soviética (URSS) pelo líder comunista Josef Stalin, no período de 1928 a 1932.

Após a morte de Lenin em 1924, Stalin tornou-se o líder absoluto da União Soviética e promoveu a ideia do “socialismo em um só país”. Para consolidar o modelo comunista na União Soviética e evitar a dependência das potências capitalistas ocidentais, Stalin considerou necessário que a economia soviética passasse por uma rápida industrialização.

Stalin abandonou a NEP (Nova Política Econômica), uma economia mista privada-estatal que Lenin havia instituído, e implementou um modelo de desenvolvimento industrial pesado baseado no planejamento estatal e na coletivização forçada da agricultura (cujos recursos eram necessários para sustentar a produção industrial).

Esse modelo de administração econômica foi posto em prática com o Primeiro Plano Quinquenal (1928–1932), uma combinação de política econômica e propaganda estatal, e foi seguido por outros, como o Segundo Plano Quinquenal (1933–1937), o Terceiro Plano Quinquenal (1938–1941) e o Quarto Plano Quinquenal (1946–1950), que também se concentraram na produção de armamentos.

O contexto histórico

Durante os últimos anos do Império Russo, o czarismo considerava a industrialização da Rússia uma meta a ser alcançada. Por esse motivo, foram feitos esforços de industrialização e alguns sucessos foram alcançados.

Entretanto, na visão dos líderes comunistas, influenciados pelo pensamento marxista, a industrialização tinha uma importância muito maior: dela dependia a sobrevivência do regime instalado na Rússia desde a Revolução de Outubro (novembro de 1917), que enfrentava hostilidade internacional, mas não renunciava à ideia de levar o comunismo ao resto do mundo.

De qualquer forma, a dificuldade era que a economia soviética permanecia majoritariamente agrícola, camponesa e rural.

Quando os bolcheviques chegaram ao poder na Rússia, foi implementado o “comunismo de guerra”, um sistema de nacionalização de recursos e requisições de grãos que visava vencer a guerra civil contra os setores contrarrevolucionários.

Após o fim da Guerra Civil e a supressão das revoltas antibolcheviques em 1921, Lenin implementou a NEP (Nova Política Econômica), que permitiu o funcionamento de uma economia mista estatal-privada para lidar com as limitações produtivas do sistema anterior.

Após a morte de Lenin em 1924 e a ascensão de Stalin como líder soviético, os esforços foram direcionados para a consolidação do “socialismo em um só país” (contra as ideias de Leon Trotsky de estimular a “revolução permanente” e levar o comunismo para o resto da Europa). Para isso, era necessário criar as condições para que a União Soviética se industrializasse e competisse com as potências capitalistas ocidentais.

Os meios utilizados por Stalin para esse fim foram os planos quinquenais, programas de planejamento econômico estatal de cinco anos baseados na coletivização forçada da produção agrícola e no desenvolvimento acelerado da indústria pesada.

O Primeiro Plano Quinquenal (1928–1932)

Industrialização acelerada

O Primeiro Plano Quinquenal deu prioridade ao desenvolvimento da indústria pesada.

Em 1927 e 1928, houve uma profunda crise agrícola na União Soviética: os camponeses, que, devido à NEP, podiam comercializar os grãos de suas colheitas, venderam uma quantidade muito pequena de alimentos para o Estado.

Stalin acusou as camadas médias dos camponeses (os chamados kulaks) de reter as colheitas para forçar o Estado a pagar um preço mais alto e decidiu pôr fim à NEP (que, em sua opinião, não permitia que a industrialização prosseguisse com a rapidez desejada). Assim começou uma nova fase na história econômica da União Soviética: a industrialização acelerada por meio do planejamento central.

A mudança na política econômica soviética foi incorporada na elaboração, pela agência de planejamento central (Gosplan), do Primeiro Plano Quinquenal (1928-1932). O plano estabelecia as prioridades econômicas do Estado, que as empresas e os indivíduos deveriam seguir.

A principal prioridade era o rápido crescimento do setor de bens de capital (carvão, petróleo, hidroeletricidade, ferro, aço, maquinário etc.) e, em menor escala, do setor de armamentos. Isso exigia alimentar uma grande força de trabalho, construir e manter instalações de produção e importar maquinário. Esse objetivo baseava-se em um elemento-chave: a coletivização forçada das fazendas.

A coletivização da agricultura

A coletivização da agricultura foi colocada a serviço da indústria pesada.

O processo de industrialização iniciado com o Primeiro Plano Quinquenal foi baseado na coletivização agrícola estatal. Por meio do uso sistemático da violência, a propriedade privada da terra – que o governo de Stalin considerava responsável pelos problemas de abastecimento na União Soviética – desapareceu do setor agrário e foi substituída por grandes fazendas estatais.

Os camponeses foram forçados a se integrar às fazendas estatais ou a migrar para as cidades e os centros industriais emergentes. A coletivização forçada foi acompanhada pelo assassinato, internação em campos de trabalho forçado e exílio interno de milhões de pessoas.

Além disso, o desmantelamento do sistema agrário da NEP contribuiu decisivamente para a fome de 1933, que matou milhões de cidadãos soviéticos (especialmente na Ucrânia, onde ficou conhecida como Holodomor). O setor agrícola soviético sofreu durante décadas com a baixa prioridade dada pelos planejadores à produção agrícola e pecuária em comparação com a indústria.

Resultados do Primeiro Plano Quinquenal

O crescimento da indústria pesada e sua redistribuição espacial para o leste da Rússia foram muito rápidos com a implementação do Primeiro Plano Quinquenal. A criação de enormes plantas industriais muitas vezes sacrificou a eficiência econômica geral para atingir os ambiciosos números de produção da indústria pesada estabelecidos no plano.

A performance do setor de bens de consumo duráveis (como habitação) e não duráveis (como calçados e vestuário) foi muito menos impressionante. O desequilíbrio entre a indústria pesada, por um lado, e a indústria leve e o setor agrícola, por outro, foi consistente com o objetivo final do plano. Esse objetivo consistia basicamente em uma gigantesca transferência de recursos do consumo da população para o investimento.

O consumo per capita da população soviética era, especialmente no caso do campesinato, menor em 1940 do que em 1928. Isso mostra que a industrialização voltada para a produção de bens de capital e armamentos foi favorecida em detrimento da satisfação das necessidades básicas da população. Os efeitos negativos desse padrão de crescimento econômico sobre o bem-estar da população foram parcialmente compensados pelo aumento dos gastos sociais (por exemplo, em educação e saúde).

Outros planos quinquenais da União Soviética

O Segundo Plano Quinquenal (1933–1937) estabeleceu metas mais realistas do que o primeiro. Os investimentos feitos nos anos anteriores levaram a um crescimento econômico espetacular e, em 1935, foram abolidos os cartões de racionamento que haviam sido implementados para atender às necessidades básicas da população industrial quando a NEP foi abandonada.

A partir de 1934, a piora do clima político internacional (a ocupação japonesa da Manchúria em 1931 e a ascensão de Adolf Hitler ao poder na Alemanha em 1933) levou a uma grande expansão do setor de armas na União Soviética.

A imposição da industrialização acelerada do Segundo Plano Quinquenal exigiu um expurgo do aparato econômico bolchevique. Os “expurgos” de Stalin (a perseguição, deportação ou execução de funcionários acusados de serem opositores ou contrarrevolucionários) afetaram grande parte da administração das empresas. No final do Segundo Plano Quinquenal, cerca de 2,7 milhões de pessoas estavam nos vários campos de trabalho forçado sob o controle do Gulag. Calcula-se que sua contribuição econômica, provavelmente subestimada, tenha sido de 1,2% da produção industrial.

A indústria de armas se intensificou com o Terceiro Plano Quinquenal (1938–1941), interrompido quando a Alemanha nazista invadiu a União Soviética em 1941, e com o Quarto Plano Quinquenal (1946–1950), que coincidiu com o período de reconstrução pós-Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra Fria.

A transformação econômica provocada pelo processo de industrialização dos Planos Quinquenais permitiu que a União Soviética emergisse como uma das duas potências mundiais da Guerra Fria, ainda que tenha custado milhões de vidas humanas.

Referências

  • Britannica, Encyclopaedia (2022). Five-Year Plans. Encyclopedia Britannica. https://www.britannica.com/ 
  • Britannica, Encyclopaedia (2020). Stalinism. Encyclopedia Britannica. https://www.britannica.com/
  • Fitzpatrick, S. (2005). La revolución rusa. Siglo XXI.
  • Saborido, J. (2009). Historia de la Unión Soviética. Emecé.

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

GAYUBAS, Augusto. Plano Quinquenal (URSS). Enciclopédia Humanidades, 2023. Disponível em: https://humanidades.com/br/plano-quinquenal-urss/. Acesso em: 25 maio, 2024.

Sobre o autor

Autor: Augusto Gayubas

Doutor em História (Universidad de Buenos Aires)

Traduzido por: Márcia Killmann

Licenciatura em letras (UNISINOS), Doutorado em Letras (Universidad Nacional del Sur)

Data da última edição: 4 dezembro, 2023
Data de publicação: 24 outubro, 2023

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