Mortos na Primeira Guerra Mundial

Vamos explicar quantas foram as vítimas (militares e civis) da Primeira Guerra Mundial dos diferentes países que combateram no conflito.

Muertos en la Primera Guerra Mundial
Estima-se que só na Batalha de Verdun (1916) morreram cerca de 300 mil soldados.

Quantas pessoas morreram na Primeira Guerra Mundial?

Estima-se que na Primeira Guerra Mundial (1914–1918) morreram cerca de onze milhões de soldados e quase nove milhões de civis. Isto a converte na segunda guerra com maior número de mortes da história da humanidade, depois da Segunda Guerra Mundial (1939–1945). A mobilização de homens na linha de frente de batalha alcançou os sessenta e cinco milhões de soldados e se calcula que durante a guerra morreram em média quase cinco mil e quinhentos soldados por dia.

Os países com maior número de mortes militares foram o Império Russo e o Império Alemão, com cerca de dois milhões de mortos cada um. No entanto, o país que registou a maior percentagem de mortes em relação ao número de soldados mobilizados foi o Império Austro-Húngaro: cerca de 90% dos soldados russos enviados para a linha de frente de batalha foram mortos, feridos ou desapareceram.

Este enorme número de mortes resultou de duas questões elementares. Em primeiro lugar, a introdução de novas tecnologias de armamento, especialmente as armas de repetição e as armas químicas, como a metralhadora e o gás. E, em segundo lugar, o surgimento da “guerra de desgaste” como uma nova forma de enfrentar o inimigo. Esta estratégia consistia em consolidar posições através da construção de trincheiras e manter o ataque constante e contínuo sobre o inimigo.

Por outro lado, estima-se que quase onze milhões de civis morreram nestes anos por causas diretas ou indiretas da guerra: fome, doença, migrações em massa, destruição de recursos e instalações e privação de serviços. Além disso, no último ano da guerra, a epidemia da “gripe espanhola” matou também milhões de civis.

É importante levar em consideração que nenhuma instituição contou quantos civis perderam a vida de forma oficial. Os especialistas estimaram o número de vítimas a partir de diferentes fontes e documentos. Além disso, é sabido que a magnitude em destruição de vidas da Primeira Guerra Mundial não tem precedentes. O total de vidas perdidas é superior à soma das mortes de todas as guerras europeias dos últimos cem anos.

Mortes militares e civis por país na Primeira Guerra Mundial

As mortes militares durante a Primeira Guerra Mundial foram registradas pelos sistemas militares de cada país. Embora se saiba que os números não são exatos, pode-se afirmar que a sua aproximação é bastante certa.

No entanto, as mortes de civis durante a Primeira Guerra Mundial não foram contabilizadas por nenhum organismo oficial e a sua estimativa corresponde a fontes posteriores ao desenvolvimento da guerra. Muitas estimativas diferentes são divulgadas na internet e algumas chegam a afirmar que o número de mortes civis atinge, por si só, os 40 milhões de pessoas. Em muitos casos, procura-se destacar a magnitude da destruição humana durante a guerra e os números apresentados podem ser enganosos.

Os especialistas de hoje concordam que é muito difícil estabelecer um número exato de civis que morreram por causas ligadas à guerra, como a fome, a doença ou como vítimas de ataques inimigos.

No entanto, através da comparação de dados de várias fontes, o número de mortes de civis durante a Primeira Guerra Mundial pode ser aproximado das seguintes estimativas:

Mortes militares e civis por país durante a Primeira Guerra Mundial
País Mortes militares Mortes civiles Total de mortes
Império Alemão 2 037 000 426 000 2 463 000
Império Austro-Húngaro 1 513 500 460 000 1 973 500
Império Otomano 772 000 4 200 000 4 972 000
Bulgaria 87 500 100 000 187 500
Total Impérios Centrais 4 410 000 5 186 000 9 596 000
Império Russo 1 997 500 1 500 000 3 497 500
França 1 400 000 300 000 1 700 000
Império Britânico 959 000 109 000 1 068 000
Itália 600 000 589 000 1 189 000
Estados Unidos 87 900 800 88 700
Japão 300 0 300
România 250 700 430 000 680 700
Sérvia 278 000 450 000 728 000
Bélgica 38 000 68 000 108 000
Grécia 26 000 150 000 176 000
Portugal 7 200 82 000 89 200
Montenegro 3 000 0 3 000
Total Entente 5 647 600 3 678 800 9 326 400
Totais 10 057 600 8 864 800 18 922 400

Baixas militares por país na Primeira Guerra Mundial

As “baixas militares” integram a quantidade de mortos, feridos e desaparecidos de um exército. É um número que define o número de soldados que foram enviados para a guerra e que deixaram de estar ativos. São contabilizados como mortos os soldados cujos corpos foram identificados.

Os feridos são soldados que deixaram o campo de batalha e foram atendidos por causa dos seus ferimentos de guerra. Em vez disso, os desaparecidos são soldados que foram enviados para a linha de frente e que seus corpos nunca puderam ser encontrados ou identificados. O número de desaparecidos pode incluir desertores e prisioneiros de guerra.

O número de baixas militares durante a Primeira Guerra Mundial foi diferente para os diferentes países que estiveram envolvidos no conflito:

Baixas militares por país durante a Primeira Guerra Mundial
País Mortos Feridos Desaparecidos Total baixas
Império Alemão 2 037 000 4 216 000 1 153 000 7 406 000
Império Austro-Húngaro 1 513 500 3 620 000 2 200 000 7 333 500
Império Otomano 772 000 400 000 250 000 1 422 000
Bulgaria 87 500 152 000 27 000 266 500
Total Impérios Centrais 4 410 000 8 388 000 3 630 000 16 428 000
Império Russo 1 997 500 4 950 000 2 500 000 9 447 500
França 1 400 000 3 400 000 537 000 5 337 000
Império Britânico 959 000 2 090 000 190 000 3 239 000
Itália 600 000 947 000 600 000 2 147 000
Estados Unidos 87 900 234 000 4 500 326 400
Japão 300 900 0 1 200
România 250 700 120 000 80 000 450 700
Sérvia 278 000 133 000 153 000 564 000
Bélgica 38 000 45 000 35 000 118 000
Grécia 26 000 21 000 1 000 48 000
Portugal 7 200 14 000 12 000 33 200
Montenegro 3 000 10 000 7 000 20 000
Total Entente 5 647 600 11 964 900 4 119 500 21 732 000
Totais 10 057 600 20 352 900 7 749 500 38 160 000

Baixas em relação aos soldados mobilizados por cada país

Os números absolutos de baixas podem apresentar uma ideia enganosa em relação à efetividade dos exércitos. Embora os países da Entente tenham tido maior número de baixas na linha de frente da guerra, isto esteve vinculado ao fato de que mobilizaram uma maior quantidade de soldados aos campos de batalha.

Se compararmos o número total de baixas em relação aos soldados mobilizados por cada país e por cada lado, é possível identificar quais foram os exércitos que mais sofreram e quais deles tiveram uma taxa de baixas menor entre seus combatentes.

Por exemplo, o lado do Império Central mobilizou quase 23 milhões de soldados, dos quais houve 16,5 milhões de baixas. Isto significa que aproximadamente 72% dos soldados dos Impérios Centrais foram feridos, mortos ou desaparecidos durante a guerra.

Em contrapartida, os países que constituíram o lado da Entente mobilizaram em conjunto mais de 42 milhões de combatentes, dos quais 21 milhões foram contabilizados como baixas. Isto significa que apenas 51% dos soldados da Entente foram mortos, feridos ou desaparecidos.

Baixas em relação a soldados mobilizados por cada país
durante a Primeira Guerra Mundial
País Mobilizados Total baixas Percentagem de baixas sobre mobilizados
Império Alemão 11 000 000 7 406 000 67%
Império Austro-Húngaro 7 800 000 7 333 500 92%
Império Otomano 2 850 000 1 422 000 49%
Bulgaria 1 200 000 266 500 22%
Total Imperios centrais 22 850 000 16 428 000 72%
Império Russo 12 000 000 9 447 500 78%
França 8 410 000 5 337 000 63%
Império Britânico 8 904 500 3 239 000 36%
Itália 5 615 000 2 147 000 38%
Estados Unidos 4 355 000 326 400 8%
Japão 800 000 1 200 0,2%
Romênia 750 000 450 700 60%
Sérvia 707 400 564 000 80%
Bélgica 267 000 118 000 44%
Grécia 230 000 48 000 20%
Portugal 100 000 33 200 33%
Montenegro 50 gt000 20 000 40%
Total Entente 42 188 900 21 732 000 51%
Totais 65 038 900 38 160 000 58%

Variáveis que afetaram a quantidade de baixas por cada país

Houve diferentes variáveis que influenciaram a quantidade de baixas de soldados por país:

  • Soldados mobilizados. Nem todos os países mobilizaram o mesmo número de soldados para as linhas de frente da guerra. Por exemplo, o Império Russo e o Império Alemão mobilizaram mais de 11 milhões de soldados cada um. Em contrapartida, outros países com menor população (ou menos comprometidos com a guerra) mobilizaram tropas que não alcançaram um milhão de combatentes (por exemplo, a Grécia, Portugal ou a Bélgica).
  • Tempo de guerra. Outro ponto importante a considerar é a quantidade de tempo que cada país participou na guerra. Enquanto a França e o Império Austro-Húngaro estiveram em guerra de 1914 a 1918, outros países se juntaram à luta mais tarde, como a Itália e a Bulgária se envolveram somente em 1915 e os Estados Unidos em 1917.
  • Linhas de frente de guerra. Por outro lado, há países que se converteram em campos de batalha, em cujos casos as mortes de civis foram muito maiores que a dos países que não tiveram territórios comprometidos na guerra. Nesses casos, os países mobilizaram mais combatentes para lutar na linha de na França, na Bélgica e no Império Russo foi onde se travaram mais batalhas e, ao mesmo tempo, morreram mais civis.

Batalhas com maior mortalidade da Primeira Guerra Mundial

Ao longo dos quatro anos que durou a “Grande Guerra”, houve alguns eventos que foram especialmente destrutivos para as vidas humanas. Entre os mais importantes, estão:

  • A Batalha de Verdun (1916). Foi a batalha mais longa da Primeira Guerra Mundial: começou em 21 de fevereiro e terminou em 28 de dezembro. O confronto entre as tropas francesas e o exército alemão mobilizou no total de quase um milhão de combatentes de cada lado. No total, estima-se que, durante os dez meses que durou a batalha, morreram cerca de 170 mil soldados franceses e 120 mil alemães.
  • A Batalha do Somme (1916). Foi o confronto com mais mortes da Primeira Guerra Mundial. Ali, o Império Alemão enfrentou tropas francesas e britânicas. Houve quase 150 mil alemães mortos ou desaparecidos e mais de 180 mil soldados mortos entre franceses e britânicos.
  • A Ofensiva Brusilov (1916). Foi uma operação militar do Império Russo que se tornou uma das batalhas com maior número de vítimas na história. O exército russo atacou as tropas alemãs e austríacas na linha de frente oriental e, no total, estima-se que houve mais de dois milhões de baixas (entre mortos, feridos e prisioneiros).

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Referências

  • Hart, P. (2014). “¿Un mundo sin guerra?”. La Gran Guerra, 1914-1918: historia militar de la Primera Guerra Mundial. Grupo Planeta (GBS).
  • Hernández, J. (2007). “La ocasión perdida”. Todo lo que debe saber sobre la Primera Guerra Mundial, 1-412.
  • Janssens De Bisthoven, B. (2016). “El precio de la guerra”. La Primera Guerra Mundial. Tomo 3. El desenlace. Editorial 50 minutos.
  • Prost, Antoine (2014). “War Losses”. International Encyclopedia of the First World War. Freie Universität Berlin. https://encyclopedia.1914-1918-online.net/
  • United States Holocaust Memorial Museum (2023). “Primera Guerra Mundial” Holocaust Encyclopedia.
    https://encyclopedia.ushmm.org/

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

KISS, Teresa. Mortos na Primeira Guerra Mundial. Enciclopédia Humanidades, 2023. Disponível em: https://humanidades.com/br/mortos-na-primeira-guerra-mundial/. Acesso em: 27 maio, 2024.

Sobre o autor

Autor: Teresa Kiss

Professora de História do ensino médio e superior.

Traduzido por: Cristina Zambra

Licenciada em Letras: Português e Literaturas da Língua Portuguesa (UNIJUÍ)

Data da última edição: 20 novembro, 2023
Data de publicação: 20 novembro, 2023

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