John F. Kennedy

Vamos explicar quem foi John F. Kennedy e como se converteu em presidente dos Estados Unidos. Além disso, sua visão política e como foi o seu assassinato.

John F. Kennedy assumiu como presidente dos Estados Unidos em 1961.

Quem foi John F. Kennedy?

John Fitzgerald Kennedy (1917–1963), também conhecido como JFK pelas iniciais de seu nome, foi um político americano que exerceu funções como presidente dos Estados Unidos (1960–1963) e foi assassinado no exercício das mesmas.

Kennedy enfrentou diferentes crises internacionais relacionadas com a Guerra Fria, como a construção do Muro de Berlim e a crise dos mísseis de Cuba (1962). Além disso, por sua política de diplomacia, iniciou com Nikita Khrushchev (líder da União Soviética) um novo período nas relações entre o Bloco Ocidental e o Bloco Oriental, conhecido como a “era da distensão”.

Como presidente, Kennedy implementou um programa de política interna conhecido como “Nova Fronteira”, destinado a melhorar a qualidade de vida da população e garantir os direitos civis dos cidadãos norte-americanos. Durante sua campanha presidencial, prometeu erradicar a discriminação racial e estabelecer programas de saúde para a terceira idade. No entanto, estas medidas enfrentaram uma forte oposição no Congresso e o alcance das reformas sociais foi moderado.

Kennedy foi morto em 1963, em Dallas, Texas. Dispararam três vezes quando estava em um carro aberto ao lado de sua esposa, pois foi atingido na cabeça e na garganta. Sua morte foi quase imediata e gerou uma profunda comoção social.

Em poucas horas, o ex-soldado da Marinha Lee Harvey Oswald foi declarado culpado e, depois, único responsável pelo assassinato. No entanto, a controvérsia sobre a morte de Kennedy levou uma década para formar uma comissão para investigar o assassinato e se concluiu que foi produto de uma conspiração, na qual estiveram envolvidos diferentes organismos do governo norte-americano.

A vida pessoal de John F. Kennedy

John F. Kennedy se casou com Jacqueline em 1953 e tiveram quatro filhos.

John Fitzgerald Kennedy nasceu em 29 de maio de 1917, em Brookline, Massachussets, Estados Unidos. Sua família era rica, católica e de origem irlandesa. Seu pai, Joseph Kennedy, havia feito sua fortuna como banqueiro no mercado de valores, empresário do cinema e contrabandista de bebidas alcoólicas durante a época da Lei Seca.

Joseph também se envolveu na política durante a década de 1930. A mãe de John F. Kennedy era Rose Fitzgerald e provinha de Boston. O pai de Rose (o avô materno de John) também havia se dedicado à política em Boston, foi congressista pelo Partido Democrata e prefeito da cidade.

John foi o segundo dos nove filhos que tiveram Joseph e Rose. Nasceu com uma deformação na espinha dorsal e uma deficiência adrenal. Isto gerou ao longo dos anos diferentes problemas de saúde. Os seus estudos primários foram feitos em Brookline, na Edward Devotion School e na Dexter School.

Em 1927, a família se mudou para Nova York. Durante a adolescência, esteve internado em numerosas ocasiões e teve que terminar alguns anos escolares estudando em sua casa. Frequentou diferentes escolas privadas para meninos e formou-se na Escola Secundária The Choate, em Connecticut, em 1935.

Em 1936, entrou na Universidade de Harvard para estudar relações internacionais e obteve o seu diploma universitário com excelentes notas em 1939. Durante os seus anos universitários, viajou muitas vezes para a Europa porque o seu pai era o Embaixador dos Estados Unidos no Reino Unido. Percorreu muitos países, o que lhe deu uma visão particular sobre a política, a sociedade e a economia internacional.

Em 1941, começou seu serviço militar como voluntário na Marinha dos Estados Unidos. No contexto da Segunda Guerra Mundial, foi enviado para o Panamá e depois para o Pacífico. Por seu heroísmo durante a guerra, recebeu diferentes condecorações: a Medalha da Marinha e do Corpo de Fuzileiros, o Coração Púrpura, a Medalha da Campanha Ásia-Pacífico e a Medalha da Vitória da Segunda Guerra Mundial.

No final da guerra, John F. Kennedy começou a sua carreira política. Em 1953 se casou com Jacqueline Lee Bouvier, com quem teve quatro filhos (embora dois deles morreram em sua infância). Jacqueline foi muito popular como primeira-dama durante a presidência de Kennedy e reconhecida por promover as artes e a cultura. Foi muito publicitada na televisão a sua reforma da Casa Branca e se converteu em um ideal de mulher da “American way of life" (o ideal de vida norte-americana).

Início da carreira política de John F. Kennedy

Antes de ser presidente, John Kennedy foi congressista (1946 e 1952) e senador (1952–1958).

A família Kennedy havia encaminhado a vida de Joseph Kennedy Jr. (o irmão mais velho de John) para a política. No entanto, Joseph Jr. morreu durante a Segunda Guerra Mundial. No final da guerra, com o apoio de seus familiares, John F. Kennedy seguiu os passos de seu irmão e decidiu se dedicar à política.

Em 1946, com a ajuda da influência política e dos recursos econômicos de seu pai, Kennedy se candidatou à Câmara dos Representantes dos Estados Unidos com o Partido Democrata em representação de um distrito de Boston. Ganhou as eleições e exerceu como congressista durante seis anos. Logo, em 1952, obteve um lugar no Senado.

Como congressista, teve uma alta taxa de ausentismo às sessões devido a seus problemas de saúde e a diferentes viagens (tanto de índole oficial como pessoal). Durante este período, defendeu um forte anticomunismo e no princípio apoiou as investigações do senador Joseph McCarthy. No entanto, à medida que as ideias de McCarthy foram se radicalizando, Kennedy retirou o seu apoio e criticou as perseguições políticas, alegando que eram um perigo para a liberdade civil das pessoas.

Em 1960, decidiu concorrer às eleições presidenciais. A plataforma política de sua campanha girou em torno da necessidade de lutar contra a pobreza e o descontentamento social, que eram para ele as principais causas da expansão do comunismo. Em relação à Guerra Fria, Kennedy sustentava que a segurança e a paz internacional podiam ser mantidas, combinando ações de contenção militar e negociação diplomática.

A presidência de John F. Kennedy

Kennedy governou os Estados Unidos desde 1960 até seu assassinato, em 1963.

Kennedy ganhou as eleições de 1960, nas quais concorreu contra o candidato republicano Richard Nixon. Em 20 de janeiro de 1961, assumiu como o 35° Presidente dos Estados Unidos. No seu primeiro discurso proferiu duas frases que se tornaram muito famosas e que exprimem duas das características mais importantes da sua presidência.

Referindo-se ao contexto da Guerra Fria, disse: “Pagaremos qualquer preço, suportaremos qualquer fardo, enfrentaremos qualquer dificuldade e nos oporemos a qualquer inimigo para garantir a sobrevivência e o sucesso da liberdade”. Depois, aludindo à necessidade de que os cidadãos norte-americanos participassem politicamente e se envolvessem nos assuntos do país, afirmou: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você; pergunte o que você pode fazer pelo seu país”.

A política internacional de John F. Kennedy

A construção do Muro de Berlim

John F. Kennedy assumiu como presidente em 1961 e imediatamente teve que enfrentar a crise de Berlim, que terminou com a construção do Muro de Berlim. Kennedy e Nikita Khrushchev (líder da União Soviética), reuniram-se em Viena para negociar o que fazer com a cidade, mas não conseguiram chegar a um acordo.

Kennedy tinha três pontos fundamentais (conhecidos como os "three essentials"), nos quais não quis ceder: a presença das potências (Reino Unido, França e Estados Unidos) em Berlim Oeste, a garantia do acesso à cidade (que ficava no meio da zona alemã controlada pelos soviéticos) e a escolha de Berlim Ocidental do seu regime político.

Kennedy e Khrushchev não chegaram a um acordo e, por sua vez, a situação levou a que cada vez mais cidadãos de Berlim do Leste fugissem para a zona ocidental da cidade. Neste contexto, a República Democrática Alemã (Alemanha Oriental) começou a construir, de forma surpreendente e no meio da noite, o Muro de Berlim, que dividiu definitivamente a cidade por mais de trinta anos.

A crise dos mísseis de Cuba

O segundo grande conflito que Kennedy teve que enfrentar foi a crise dos mísseis de Cuba, que se desencadeou em 1962. Quando a Revolução Cubana triunfou na Ilha e Fidel Castro assumiu o poder em 1959, os interesses americanos foram prejudicados e o governo tomou uma série de medidas enérgicas contra o regime revolucionário.

Em abril de 1961, Kennedy aprovou uma invasão militar à Baía dos Porcos (Cuba). Os cubanos conseguiram levar ao fracasso a operação norte-americana, mas Fidel Castro procurou o apoio da União Soviética para conter a política norte-americana e manter a autonomia da Cuba revolucionária. Kruschev negociou com Castro a instalação de mísseis de médio alcance em Cuba (os Estados Unidos tinham instalado as mesmas armas na Turquia alguns meses antes, com alcance à União Soviética).

Em outubro de 1962, aviões americanos espiões detectaram a instalação dos mísseis e a presença soviética em Cuba. Kennedy ordenou imediatamente o bloqueio militar de Cuba e um cinturão de unidades navais e aviões cercaram a Ilha.

Reconhece-se que este foi um dos momentos mais críticos da Guerra Fria, pois foi a situação que esteve mais próxima de os Estados Unidos e a União Soviética entrarem em um confronto militar direto. No entanto, o perigo de uma potencial guerra nuclear levou Kennedy e Khrushchev a iniciar negociações secretas. Kennedy se comprometeu a desinstalar os mísseis enviados para a Turquia e a respeitar a autonomia de Cuba, e Khrushchev aceitou retirar os mísseis da ilha.

As novas relações com o Bloco Soviético

Depois da crise dos mísseis, as superpotências definiram melhorar suas relações e a Guerra Fria entrou em um novo período conhecido como “a Era da Distensão” (ou Détente). Os Estados Unidos e a União Soviética estabeleceram uma linha telefônica direta entre a Casa Branca (sede presidencial norte-americana) e o Kremlin (sede do governo soviético), conhecida como “o telefone vermelho”. Desta forma, pretendia-se encaminhar as relações entre o Oriente e o Ocidente para a diplomacia e a negociação, e afastar-se do perigo da guerra.

Durante a “Era da Distensão”, a competição pelo poder e o controle das economias do mundo se manifestou através da concorrência pelos avanços tecnológicos e a “corrida espacial”. Kennedy foi o primeiro presidente a dar prioridade à chamada “conquista do espaço”. Em 1960, decidiu financiar o Programa Apollo, preparado pela NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço), que tinha como objetivo chegar à Lua (o que se alcançou nove anos mais tarde, em 1969).

A luta contra o comunismo na América Latina

Kennedy afirmava que a expansão do comunismo se devia à pobreza da população, sua falta de educação e à corrupção dos sistemas políticos. Para evitar que a revolução comunista se espalhasse pela América Latina, em 1961 lançou um programa chamado “Aliança para o Progresso”. Tratava-se de um programa de assistência técnica e econômica destinado a “melhorar a qualidade de vida dos habitantes do continente”.

Entre os objetivos explícitos da Aliança para o Progresso estavam estabelecer governos democráticos, erradicar o analfabetismo, estabilizar os preços, eliminar a inflação e equilibrar a redistribuição da renda. Para isso, propunham-se diferentes medidas de planejamento econômico e social, entre elas uma profunda reforma agrária, a liberação dos mercados, a modernização da infraestrutura e o investimento de capitais privados para o desenvolvimento das indústrias locais.

Em princípio, o programa foi bem recebido pelas diferentes sociedades latino-americanas. No entanto, acabou fracassando, já que os sucessores de Kennedy reorientaram a luta contra o comunismo para a formação de acordos bilaterais com os países latino-americanos e o estabelecimento de pactos militares.

A política interna de John F. Kennedy

Quando assumiu o governo, em 1961, Kennedy promoveu uma política interior chamada “New Frontier” (que em português significa “nova fronteira”), na qual o Estado investiria em educação, saúde e bem-estar social. Propôs medidas de apoio específicas à agricultura e investimentos públicos na educação. Além disso, procurou promover a reabilitação de zonas urbanas degradadas.

Outro dos slogans mais importantes de sua campanha presidencial tinha sido a promessa de acabar com a discriminação racial e implementar políticas específicas para garantir os direitos civis da população negra. Embora no discurso, Kennedy apoiasse a igualdade de direitos, é frequentemente criticado que a sua gestão em matéria de segregação social era bastante moderada.

Além dessas críticas, em 1963, Kennedy enviou ao Congresso uma lei de direitos civis que proibia todo tipo de discriminação racial nas instituições públicas. Quando o Congresso deteve o avanço da lei, realizou-se uma marcha multitudinária em Washington, na qual Martin Luther King (líder dos direitos civis da população negra) pronunciou seu conhecido discurso “I have a dream” (que em português significa “Eu tenho um sonho”).

No plano econômico, conseguiu que fossem aprovadas certas medidas orçamentais destinadas a reduzir os impostos e a criar incentivos ao emprego. Estas medidas contribuíram para impulsionar o crescimento do PIB norte-americano, que entre 1961 e 1965 atingiu 4,5% ao ano.

O programa reformista de Kennedy foi realizado apenas parcialmente por diferentes razões. Para além da curta duração da sua presidência, ele teve de concentrar o seu trabalho nos problemas de política internacional e, ao mesmo tempo, a sua gestão de política interna foi limitada pela oposição dos setores mais conservadores da população e dos republicanos e democratas sulistas no Congresso e no Senado.

O assassinato de John F. Kennedy

John F. Kennedy foi assassinado em 22 de novembro de 1963, em pleno exercício do seu mandato presidencial. Kennedy estava em Dallas, Texas, em um carro aberto que o transportava do aeroporto para o lugar onde devia fazer um discurso.

O carro se encontrava em uma longa caravana de veículos e, além de Kennedy e sua esposa Jacqueline, nele viajavam John Connally (o governador do Texas) e sua esposa. O vice-presidente Lyndon Johnson e a sua esposa, Lady Bird, encontravam-se em outro carro da caravana.

No meio da caravana, foram ouvidos três tiros. O presidente John F. Kennedy foi ferido na cabeça e na garganta, morrendo quase de imediato. John Connally foi ferido no ombro. Os tiros foram disparados da janela de um 6° andar, de um edifício que era um depósito de livros. Em poucas horas detiveram Lee Harvey Oswald, considerado o autor do crime.

Oswald era um ex-fuzileiro naval (soldado da Marinha dos Estados Unidos) que havia vivido dois anos na União Soviética e tinha se casado com uma mulher russa.

Existe uma controvérsia sobre quem foi efetivamente o responsável pelo assassinato de Kennedy. Após a morte de Kennedy, Johnson assumiu as funções presidenciais e criou uma comissão encarregada de investigar o assassinato, a cargo de Earl Warren (presidente da Corte Suprema dos Estados Unidos), conhecida como “Comissão Warren”. A comissão concluiu que Lee Harvey Oswald havia sido o único responsável pelo assassinato e havia agido por motivos pessoais.

No entanto, o cepticismo da população era generalizado e a opinião popular era que Kennedy tinha sido assassinado pelas suas reformas progressistas em matéria de direitos humanos e qualidade de vida, que, na maioria das vezes, enfrentou uma forte hostilidade no Congresso.

Perante a contínua demanda popular, em 1976 o Congresso criou o Comitê Seleto da Câmara sobre Assassinatos para realizar novas investigações. Depois de três anos, o comitê publicou um relatório final, no qual se afirmava que o assassinato de Kennedy se realizou com mais de uma arma de cada vez e que era o resultado de uma conspiração criminal, na qual estiveram envolvidos diferentes órgãos do governo americano.

Referências

  • Fusi, J. P. (2020). “John F. Kennedy”. Ideas y poder: 30 biografías del siglo XX. Turner.
  • Manchester, William (2023). "John F. Kennedy". Encyclopedia Britannica. https://www.britannica.com/
  • Palmowski, J. (2000). “Kennedy, John F.". A dictionary of twentieth-century world history. Oxford University Press.
  • Van Dijk, R., Gray, W. G., Savranskaya, S., Suri, J., & Zhai, Q. (Eds.). (2013). “Kennedy, John F.”. Encyclopedia of the Cold War. Routledge.

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

KISS, Teresa. John F. Kennedy. Enciclopedia Humanidades, 2024. Disponível em: https://humanidades.com/br/john-f-kennedy/. Acesso em: 20 fevereiro, 2024.

Sobre o autor

Autor: Teresa Kiss

Professora de História do ensino médio e superior.

Traduzido por: Cristina Zambra

Licenciada em Letras: Português e Literaturas da Língua Portuguesa (UNIJUÍ)

Data da última edição: 30 janeiro, 2024
Data de publicação: 23 janeiro, 2024

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