Relativismo

Vamos explicar o que é o relativismo e as suas principais características. Além disso, as críticas a esta corrente de pensamento, exemplos e mais.

relativismo
O relativismo defende que não há verdade absoluta, mas em comparação com outra coisa.

O que é o relativismo?

O relativismo é uma posição filosófica que pensa na verdade em termos relativos, não absolutos. O fato dessa verdade ser relativa e não absoluta significa que seu caráter veritativo (seu caráter de verdade) é tal somente em comparação ou em relação outra coisa.

Para o relativismo, falar de “verdade” é falar de uma verdade entre outras. Isto está relacionado ao conhecimento e ao seu grau de veracidade. Ou seja, para o relativismo, o conhecimento humano é relativo, condicionado pelo contexto histórico, cultural, econômico e político.

Existem diferentes formas de relativismo, seja em termos do seu radicalismo ou do campo a que se aplicam. O relativismo moral ou ético, o relativismo gnosiológico, o relativismo cultural e o relativismo na física são alguns deles.

História do relativismo

Como posição filosófica, o relativismo existe desde o início da filosofia ocidental. Um exemplo disso são os sofistas, pensadores gregos do século V a.C. que estavam em oposição às ideias de Sócrates e Platão (que propunham verdades fixas e absolutas), os Sofistas apresentaram uma teoria do conhecimento cujo caráter de verdade era relativo à forma em que era apresentado no discurso. O mais conhecido dos Sofistas, Protágoras (490-420 a.C.), afirmava que o homem é a medida de todas as coisas. Isto pode ser interpretado como uma forma de relativismo gnosiológico do tipo subjetivo, pensando que as coisas estão de acordo com quem as olha e como elas são vistas.

As ideias de Protágoras e dos sofistas foram seguidas pelo ceticismo pirrônico. Pirro (360-270 a.C.) foi um filósofo grego que assumiu as ideias de Protágoras como precursoras do seu próprio pensamento. Algumas características do pensamento pirrônico podem ser vislumbradas no trabalho de Boécio (480-524) e também em Averróis (1126-1198). O mesmo pode ser dito do pensamento de filósofos modernos como Montaigne (1533-1592), Rousseau (1712-1778), Voltaire (1694-1778) e Montesquieu (1689-1755), que compartilharam a ideia do relativismo cultural.

As principais figuras do relativismo contemporâneo (pelo menos no século XX) foram Hegel (1770-1831), Nietzsche (1844-1900) e Dilthey (1833-1911). A frase de Nietzsche “não há fatos, apenas interpretações” fundou o que é conhecido como o perspectivismo nietzschiano, que é uma forma radicalizada do relativismo. Tanto Nietzsche como Hegel e Dilthey mudaram a maneira de fazer a ciência e a filosofia no século XX e influenciaram correntes filosóficas tão próximas do século XXI como o pós-estruturalismo e o pós-humanismo.

Tipos de relativismo

O relativismo é uma posição filosófica que nega a existência de uma verdade única e absoluta. Em vez de acreditar que existe uma verdade única e independente, o relativismo defende que a verdade é relativa a, pelo menos, um ponto de referência, seja de onde se pensa, quando ou para que. Neste sentido, podemos falar de três tipos de relativismo:

  • Relativismo gnosiológico. O relativismo gnosiológico ou cognitivo sustenta que não existem verdades universais. Todo o conhecimento é relativo às condições ou contexto de quem afirma. Uma forma de relativismo gnosiológico ou cognitivo é o subjetivismo, que afirma que o conhecimento é relativo às próprias condições de enunciação do sujeito.
  • Relativismo cultural. O relativismo cultural e moral argumenta que não há verdade absoluta, mas que a verdade depende de cada indivíduo em um espaço e tempo concretos. Afirma que a diversidade das ideias culturais não pode ser reduzida a uma única forma, pois todas as sociedades são diferentes. O relativismo moral é uma forma de relativismo que muitas vezes enfrenta dilemas éticos que acabam definindo as leis e normas que governam cada sociedade.
  • Relativismo na física. O relativismo na física defende que a verdade é relativa ao modelo de acordo com o qual ela é observada. Isto se tornou evidente no campo da física quântica, especialmente após o surgimento da Teoria da Relatividade de Einstein e outras ideias que ainda hoje são válidas, por mais contraditórias que sejam.

Principais características do relativismo

Entre as principais características do relativismo se destacam as seguintes:

  • O conhecimento não é único e absoluto, mas existe em comparação com alguma outra coisa ou seu contexto. Por exemplo: algo é considerado bom somente em comparação com algo ruim e em uma circunstância específica.
  • O saber é condicionado pela cultura, pela moral e pelos preconceitos de cada indivíduo. Por exemplo: algo é verdadeiro em uma determinada cultura, mas em outra é considerado falso devido a crenças e costumes que condicionam a definição de conceitos.
  • A noção de relativismo se aplica ao campo do conhecimento em geral, embora se destaque mais no campo da moral, da ética e da cultura.
  • As diferentes maneiras de interpretar e explicar o mundo são válidas, desde que sejam formuladas com base em argumentos compreensíveis e justificáveis.
  • A verdade e o conhecimento não são independentes dos indivíduos e do seu contexto (como afirma a corrente objetivista), mas bem pelo contrário.

Alguns exemplos de relativismo

Um exemplo de pensamento relativista é a concepção de trovões ao longo da história da humanidade. As civilizações primitivas interpretavam o trovão como a manifestação da “raiva dos deuses” e não como um fenômeno meteorológico.

A definição ou explicação do evento é influenciada pelo contexto e momento histórico em que ocorre. Conforme o momento e o lugar mudam e os indivíduos evoluem, a concepção de um mesmo evento torna-se relativa ou diferente.

De acordo com o relativismo, não é que uma cultura seja melhor ou superior a outra, mas que ambas são importantes e sustentadas com base nos seus próprios conhecimentos e crenças que, embora diferentes, são necessárias para compreender melhor o mundo (desde que seus conceitos sejam fundamentados).

Principais críticas ao relativismo

Entre as principais críticas ao relativismo, estão as seguintes posições:

  • Tudo acaba sendo subjetivo. Há certas questões que são impossíveis de abordar a partir da subjetividade absoluta: é perdida a coerência quando se tenta aceitar absolutamente todos os pontos de vista. Por causa da falta de parâmetros, o relativismo revela-se uma corrente subjetiva.
  • O relativismo se contradiz a si mesmo. De acordo com a lógica como disciplina filosófica, podemos tomar a afirmação “toda verdade é relativa” como um enunciado que pretende ser verdadeiro. Se isso é verdade, então a afirmação se torna contraditória, pois afirmar que toda verdade é relativa implica que mesmo este fato em si é relativo e que pode haver alguma verdade absoluta, pelo menos como uma possibilidade.

Referências

  • Hoyos, L. E. (2005). Relativismo y racionalidad. Univ. Nacional de Colombia.
  • Baghramian, M. (2004). Relativism. Routledge.
  • Hales, S. D. (2009). Relativism and the Foundations of Philosophy. MIT Press.
  • “Relativism” em Stanford encyclopedia
  • “Relativism” em Science direct
  • “Relativism” em Cambridge dictionary
  • “Ethical relativism” em Britannica

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

ESPÍNOLA, Juan Pablo Segundo. Relativismo. Enciclopédia Humanidades, 2023. Disponível em: https://humanidades.com/br/relativismo/. Acesso em: 7 junho, 2024.

Sobre o autor

Autor: Juan Pablo Segundo Espínola

Licenciatura em Filosofia (Universidad de Buenos Aires)

Traduzido por: Márcia Killmann

Licenciatura em letras (UNISINOS), Doutorado em Letras (Universidad Nacional del Sur)

Data da última edição: 28 maio, 2024
Data de publicação: 29 junho, 2023

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