Pitágoras

Vamos explicar quem foi Pitágoras, suas contribuições e o que era a irmandade pitagórica. Além disso, as suas diversas teorias e características.

Pitágoras
Pitágoras é considerado o primeiro matemático.

Quem foi Pitágoras?

Pitágoras de Samos, ou simplesmente Pitágoras, foi um filósofo e matemático da Grécia Antiga, conhecido pelas suas contribuições no avanço da aritmética, geometria e matemática helênica, e por ter influenciado tanto Platão quanto Aristóteles.

É considerado o primeiro matemático puro, pois esta disciplina ocupou principalmente (embora não exclusivamente) seus interesses, e alguns dos seus teoremas e postulados, sobretudo na geometria e na aritmética ainda são utilizados.

Suas contribuições para o pensamento ocidental foram fundamentais apesar de seus textos não terem sido conservados e de que seja difícil distinguir seu pensamento do de seus discípulos.

A vida de Pitágoras

Pitágoras
Algumas pessoas dizem que Pitágoras faleceu na cidade de Metaponto.

Pitágoras nasceu na ilha de Samos, no litoral de Jônica, Grécia, por volta do ano de 569 a.C. Ainda que não existam dados precisos em relação às datas de sua vida, sabemos por meio do filósofo grego Aristóxeno, que Pitágoras deixou Samos aos quarenta anos, razão pela qual acredita-se que tenha nascido por volta da data proposta. Estima-se que faleceu aproximadamente entre os setenta ou oitenta anos. Não existe uma data precisa de nascimento ou informações exatas.

Filho de Mnesarco, um mercador e gravador de gemas originário da cidade de Tiro, e Pítais, sua mãe, nativa de Samos.

Sabe-se que Pitágoras viajou ao Egito e à Babilônia e isso lhe teria dado a oportunidade de instruir-se desde muito pequeno: aprendeu a tocar a lira, a recitar a Homero e escrever poesia. Acredita-se que Polícrates lhe deu uma carta de apresentação para o faraó Amasis II, amigo e aliado do tirano grego.

Pitágoras emigrou para Crotona, no sul da Itália, possivelmente encorajado por Democedes, físico da corte de Polícrates. Neste lugar, fundou sua escola e teve um grande impacto e influência sobre os governantes da região, pensadores e também sobre os artistas, matemáticos e artesãos, já que Pitágoras era filho de um artesão, e por si mesmo era um artista experimentado.

Após a fundação da sua escola, sua influência se estendeu por todas as cidades vizinhas. Em muitas delas, inclusive, vários membros da comunidade pitagórica chegaram a ocupar cargos de liderança e de poder. Isto conduziu à chamada “conspiração de Cílon”, que levou aos assassinatos de muitos pitagóricos e consequentemente ao exílio de Pitágoras e logo ao seu refúgio no templo das Musas, em Metaponto, onde morreu de fome.

Em relação à formação geral de Pitágoras pouco se sabe além do que já foi exposto. Acredita-se que foi discípulo de caldeus e de homens instruídos da Síria. Ferécides de Siro também é mencionado, Tales de Mileto já idoso e, por fim, o discípulo deste, Anaximandro. Em torno da vida de Pitágoras se formaram diversos mitos e lendas, que foram reunidos por alguns filósofos neoplatônicos e neopitagóricos.

A obra mais extensa sobre sua vida data do século III d.C. e foi escrita por Diógenes Laércio e Porfírio. A obra Vida Pitagórica, de Jâmblico, também é um texto valioso sobre a vida de Pitágoras.

Pouco se conhece sobre a morte de Pitágoras, embora acredita-se que tenha ocorrido por volta do ano 532 a.C., depois que a irmandade pitagórica foi desarticulada pelos seus rivais políticos. De acordo com a versão mais difundida, Pitágoras teria falecido na cidade de Metaponto, local em que o seu túmulo se encontrava nos tempos do Império Romano. Teria conseguido abrigo no templo das Musas, onde teria se escondido até morrer de fome e desidratação geral após o ataque à sua escola.

A irmandade pitagórica

Pitágoras - Hermandad
A irmandade pitagórica permitia pessoas de ambos os sexos.

Na cidade italiana de Crotona, por volta do ano 522 a.C., Pitágoras se estabeleceu após ter sido prisioneiro de guerra do imperador persa Cambises II, que tinha invadido o Egito em 525 a.C.

Nesta cidade italiana, fundou a escola conhecida como “irmandade ou fraternidade pitagórica’, na qual admitiam tanto homens como mulheres. Chamavam-se a si mesmos “matemáticos” (matematikoi) por considerar que a realidade é de natureza matemática, e exerciam e promoviam o estudo dos números além do seu uso comercial e das questões políticas.

A irmandade chegou a ter 300 seguidores, que eram conhecidos como "os pitagóricos". Não tinham posses, praticavam o vegetarianismo e se dividiam entre membros do grupo de matemáticos e dos ouvintes (chamados "acusmáticos" e que não residiam no templo).

A escola tinha uma certa natureza de secretismo, o que foi motivo de suspeita e de inveja por parte dos seus inimigos e dissidentes. A vida comunitária era promovida e todos que formavam parte desta eram convidados a se integrar de forma completa. O ascetismo e a metempsicose (a crença da transferência de certos elementos psíquicos de um corpo a outro) eram práticas habituais entre seus membros.

Por volta de 500 a.C., os pitagóricos assumiram um papel político na região e fragmentaram-se em casas, até que foram atacados e vencidos em 460 a.C. por seus oponentes políticos.

Princípios pitagóricos

Pitágoras - Hermandad Pitagórica
Os pitagóricos acreditavam que a filosofia era o caminho à purificação espiritual.

Pitágoras e seus discípulos se guiavam filosoficamente pelos seguintes princípios:

  • A realidade, em sua percepção mais profunda, é do tipo matemática. Todas as coisas são números.
  • A filosofia pode ser um caminho à purificação espiritual.
  • A alma humana pode elevar-se suficientemente para fusionar-se com o divino.
  • Certos símbolos de natureza mística são considerados como sinais sagrados.
  • Todos os membros da irmandade pitagórica devem manter um absoluto segredo sobre suas crenças e práticas.

Algumas contribuições de Pitágoras

Teorema de Pitágoras
O Teorema de Pitágoras hoje em dia é utilizado em diversas disciplinas.

As principais contribuições de Pitágoras são as seguintes:

  • Filosofia. Pitágoras foi o primeiro pensador grego a apresentar uma explicação não mística ou religiosa da origem de tudo o que é. Sua concepção de um princípio físico ou natural, no seu caso a água, como suporte e composição das coisas da vida, marcou o início de uma abertura de caminho racional e discursivo para pensar o mundo tal como o conhecemos.
  • Matemática. Pitágoras formulou o teorema que leva seu nome, segundo o qual “a soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa”. A ele também é atribuída a construção geométrica dos primeiros sólidos perfeitos, a descoberta dos números perfeitos e números amigos, bem como os números poligonais. Seu trabalho com triângulos e com a raiz quadrada é fundacional para a disciplina.
  • Astronomia. Foi um dos primeiros a apontar que a Estrela d'Alva ou a Estrela Vespertina são o mesmo planeta: Vênus. Também ensinava que a Terra era o centro do universo (modelo geocêntrico) e que a lua a orbitava ao redor do equador, embora estas descobertas também sejam atribuídas a Parmênides.
  • Música. Também é atribuída a ele a descoberta da lei dos intervalos musicais regulares, bem como a invenção do monocórdio, e do ensino de um uso ético e medicinal da música. Além disso, foi introduzida a ideia de que existe uma harmonia recíproca entre os diferentes sistemas do universo e que, nesse aspecto, a astronomia, a música, a saúde e outras áreas do pensamento estão relacionadas.

Homenagens a Pitágoras

Além das teorias que receberam o seu nome, Pitágoras é homenageado com uma cratera na lua (Pythagoras) e um asteroide (6143) do Sistema Solar.

Referências

  • De la Fuente, H., & David, A. (2011). Vidas de Pitágoras. Atalanta.
  • Guthrie, W. (1984). Historia de la filosofía griega, vol. I. Los primeros presocráticos y los pitagóricos. Gredos.
  • Guthrie, W. (1953). Los filósofos griegos. De Tales a Aristóteles. FCE.

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

ESPÍNOLA, Juan Pablo Segundo. Pitágoras. Enciclopédia Humanidades, 2023. Disponível em: https://humanidades.com/br/pitagoras/. Acesso em: 25 maio, 2024.

Sobre o autor

Autor: Juan Pablo Segundo Espínola

Licenciatura em Filosofia (Universidad de Buenos Aires)

Traduzido por: Márcia Killmann

Licenciatura em letras (UNISINOS), Doutorado em Letras (Universidad Nacional del Sur)

Data da última edição: 18 maio, 2024
Data de publicação: 28 junho, 2023

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