Período helenístico

Vamos explicar o que foi o Período helenístico, como se originou e seus principais acontecimentos. Além disso, as suas características gerais, ciências e artes.

Periodo Helenístico
Durante o Período helenístico, houve incentivo ao desenvolvimento das artes e ciências.

O que foi o Período helenístico?

O Período helenístico, ou Helenismo, é o período da Idade Antiga que ocorre da morte de Alexandre, o Grande, em 323 a.C. até a conquista do Mediterrâneo oriental e da Ásia Menor pela República Romana em 31 a.C.

Este período é marcado pela fragmentação do Império de Alexandria e pelo surgimento de diferentes reinos independentes nos territórios da Grécia, Egito, Anatólia, Levante, Mesopotâmia e Ásia Central. Ao mesmo tempo, a fusão da cultura Grega com as culturas orientais resultou na criação de um novo tipo de cultura, que foi atravessada por tradições de diferentes origens. É um período no qual as artes, a filosofia e as ciências aplicadas tiveram um grande desenvolvimento, pois foram implementadas políticas de mecenato e incentivo a artistas e estudiosos em diferentes reinos.

Características do Período helenístico

As principais características do Período helenístico são:

  • A fragmentação política do Império de Alexandria.
  • A expansão dos elementos culturais gregos para a Ásia Menor e o Oriente Próximo.
  • O surgimento de novas cidades como centros políticos e culturais do mundo antigo.
  • A formação de novos reinos, sob o poder das dinastias Antígona, Ptolomaica e Selêucida.
  • O desenvolvimento do sincretismo religioso, que combinava crenças e mitos gregos com cultos e costumes orientais.

A origem do termo “helenístico”

O termo “helenístico” foi usado pela primeira vez na obra do historiador alemão Johann Gustav Droysen (História do Helenismo, 1836). O termo “helenístico” vem de “heleno”, o nome pelo qual os antigos gregos se referiam à sua identidade cultural.

O autor utilizou este conceito para denominar o processo histórico a partir do qual a língua e a cultura gregas se espalharam pelas populações do Oriente Próximo. Cronologicamente, este processo se encontra entre a morte de Alexandre, o Grande, (323 a.C.) e a conquista romana do último reino helenístico (31 a.C.). Geograficamente, inclui o mundo mediterrâneo habitado pelos antigos gregos e os territórios conquistados por Alexandre, o Grande, e depois helenizados: Ásia Menor, Egito e Oriente Próximo (do Levante até o Rio Indo).

Contexto histórico

Periodo Helenístico
As conquistas de Alexandre, o Grande, mudaram o mapa político do mundo antigo.

Entre 336 e 323 a.C., Alexandre, o Grande, rei da Macedônia, construiu um império que reuniu, pela primeira vez, as civilizações mais importantes do mundo antigo. Através de uma série de campanhas militares, ele conquistou o mundo grego, o Egito, as cidades fenícias do Levante, a Babilônia e o planalto da Ásia Central até o Rio Indo.

Durante o seu reinado, Alexandre permitiu que os povos conquistados mantivessem seus deuses, sua cultura e tradições, mas ao mesmo tempo, instalou uma política para tentar fusioná-los. Incorporou soldados e oficiais persas em seus exércitos e incentivou o casamento entre os membros da nobreza macedônia e as elites locais de diferentes regiões.

Em 323 a.C., Alexandre ficou gravemente doente e morreu em poucos dias, não deixando uma linha clara de sucessão e um grande império sem organização. Após a sua morte, os generais macedônios, egípcios e persas que haviam formado seu grupo central de colaboradores mais próximos se enfrentaram pela sucessão e, como resultado, o império começou a se desintegrar.

Organização política durante o Período helenístico

Após a morte de Alexandre, o Grande, surgiu o problema da sucessão ao trono e a dificuldade de organizar, administrar e integrar um império tão grande.

No início, os diádocos (generais macedônios) e o exército apoiaram a nomeação conjunta de Alexandre IV (filho recém-nascido de Alexandre, o Grande) e Filipe III (meio-irmão de Alexandre, o Grande, que sofria de limitações mentais), sob a regência de colaboradores próximos ao grupo familiar.

De fato, porém, este grupo não tinha poder real e, com o tempo, as aspirações pessoais de muitos dos diádocos levaram a uma guerra interna pelo poder imperial.

Em 281 a.C., a unidade interna havia se desintegrado e, em seu lugar, fundaram-se vários Estados independentes:

  • Macedônia, que também controlava parte das cidades gregas e foi onde a dinastia Antígona foi estabelecida.
  • Egito, com Alexandria como sua capital, sob a dinastia Ptolomaica.
  • Império Selêucida, que incluía os territórios do Levante, Mesopotâmia e América Central, com sua capital em Antioquia.

Além disso, houve a criação de outros reinos menores, como Pérgamo na Anatólia, Armênia e Capadócia.

Nos reinos helenísticos, não existiam regras precisas de sucessão e o poder era alcançado através da força e imposição pessoal. Portanto, os conflitos entre os vários aspirantes ao trono eram frequentes e, durante todo o período, os limites foram mudando.

Quando a República Romana começou sua expansão territorial para o leste, encontrou reinos helenísticos enfraquecidos por disputas internas e guerras contínuas entre Estados vizinhos.

Cultura helenística

Durante o reinado de Alexandre, o Grande, a cultura grega se difundiu e foi, por sua vez, influenciada pelas culturas das diversas civilizações integradas ao império. Ocorreu uma fusão de elementos ocidentais e orientais, levando ao surgimento de uma nova cultura híbrida, chamada helenismo ou cultura helenística.

Os elementos característicos da cultura helenística foram:

  • Sincretismo religioso. A religião helenística era sincrética, isto é, misturava e fazia conviver o clássico panteão grego com deuses e divindades do Oriente, como Tique, Serápis, Ísis e Cibele.
  • Incentivo às ciências. Os diferentes reinos, especialmente o Egito sob a dinastia Ptolomaica, incentivaram o estudo e o desenvolvimento de diversas ciências através do mecenato. Datam desta época o matemático e geógrafo Eratóstenes (foi quem estabeleceu os princípios da cartografia científica e calculou a circunferência da terra), o físico Ctesíbio (ele foi pioneiro no estudo da balística) e os médicos Herófilo e Erasístrato (eles descobriram elementos fundamentais da anatomia e dos sistemas nervoso, ótico e reprodutivo).
  • Literatura. A erudição literária, o estudo crítico da língua e literatura gregas tiveram seus estudos aprofundados. A partir deste período, datam as obras de Calímaco, Zenódoto e Aristarco, que prepararam os textos canônicos de Homero e de outros poetas que continuaram a ser estudados durante séculos.
  • Artes plásticas. O estilo helenístico reflete a combinação do antigo e do novo. A sua principal característica é a variedade e a experimentação. Os escultores helenistas aperfeiçoaram a figura humana idealizada do período grego clássico, além disso, produziram imagens realistas de indivíduos de todas as idades, gêneros e categorias sociais. Há um profundo interesse no indivíduo como sujeito especial e único. Destaca-se neste período a produção de milhares de estatuetas de terracota, cujo trabalho e material as tornou acessíveis a uma grande parte da população.
  • Novas capitais culturais. A dinastia Ptolemaica do Egito estava determinada a fazer de Alexandria o centro cultural do mundo grego. Os vários governantes e suas cortes praticavam o mecenato incentivando economicamente os intelectuais, as artes e fundaram instituições culturais. Entre elas, foi criado um centro de pesquisa cultural chamado Museu (porque era dedicado às nove musas, patronas divinas das artes) e uma grande biblioteca, com a aspiração de possuir cópias de todos os livros escritos em grego. Acredita-se que a biblioteca de Alexandria tenha alojado mais de 700 000 rolos de papiro. Atenas, Antioquia e Rodes foram outras cidades importantes para suas instituições culturais.

Referências

  • Grimal, P. (1992). “Introducción” em El mundo mediterráneo en la Edad Antigua: el Helenismo y el auge de Roma (pp. 3-20). Siglo Veintiuno Editores.
  • Burstein, S. M., Donlan, W., & Pomeroy, S. B. (2003). “Los sucesores de Alejandro y la Cosmópolis” em La Antigua Grecia. Historia política, social y cultural (pp. 452-495). Crítica.
  • Roldán Hervás, J. M. (1998). “Introducción” em El mundo helenístico. Universidad de Salamanca.

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

KISS, Teresa. Período helenístico. Enciclopedia Humanidades, 2023. Disponível em: https://humanidades.com/br/periodo-helenistico/. Acesso em: 1 março, 2024.

Sobre o autor

Autor: Teresa Kiss

Professora de História do ensino médio e superior.

Traduzido por: Márcia Killmann

Licenciatura em letras (UNISINOS), Doutorado em Letras (Universidad Nacional del Sur)

Data da última edição: 18 fevereiro, 2024
Data de publicação: 29 junho, 2023

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