Dom Quixote

Vamos explicar quem é Dom Quixote, por que ele é tão importante e seus personagens. Além disso, quais são suas características e estrutura.

Don Quijote
Dom Quixote é a obra mais importante da literatura espanhola.

Quem é Dom Quixote?

Conhecido como Dom Quixote, Dom Quixote de la Mancha e apelidado de “O cavaleiro da triste figura”, Alonso Quijano é o personagem central do romance do escritor espanhol Miguel de Cervantes Saavedra: O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha.

Essa obra foi publicada em 1605 e é considerada o primeiro romance moderno. Até hoje, pode-se dizer que é a obra mais importante de toda a literatura em espanhol e uma das obras mais fundamentais da literatura mundial de todos os tempos.

O romance foi escrito em dois volumes separados. O segundo deles foi publicado em 1615 com o título Segunda parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.

Trata-se de um relato satírico ou burlesco do gênero medieval de romances de cavalaria, que dialoga com a tradição espanhola e europeia como um todo. Teve uma repercussão gigantesca na cultura literária da época e dos séculos posteriores.

A narração das aventuras de Dom Quixote foi levada a vários formatos artísticos: inspirou pinturas, peças de teatro, filmes e até versões apócrifas. Um exemplo foi o famoso Quixote de Avellaneda, que apareceu em 1614 e foi assinado por Alonso Fernández de Avellaneda, o pseudônimo de um autor ainda desconhecido.

Resumo do livro Dom Quixote

Don Quijote
Dom Quixote acaba acreditando que é um cavaleiro andante depois de ler muitos romances.

O romance de Cervantes narra as aventuras e desventuras de Alonso Quijano, um velho de origem nobre que entrou em decadência. Esse personagem, depois de ler tantos romances de cavalaria, acaba acreditando ser um cavaleiro andante e se arma como Dom Quixote. Para isso, usa a armadura enferrujada de algum antepassado esquecido e monta um cavalo pobre, magro e arruinado que ele batiza de Rocinante.

Em suas aventuras, Dom Quixote conhece Sancho Pança, um camponês pobre e ingênuo e o convence a ser seu escudeiro. Sancho o acompanha na busca de fortuna, sob a promessa de se tornar governador de uma ilha que juntos cheguem a descobrir.

Juntos, se aventuram pelas estradas para “desfazer agravos”, como diria Dom Quixote. Em meio às suas aventuras, eles conhecem outros personagens da região. Ouvem suas histórias e os ajudam em seus destinos ou simplesmente os acompanham por um tempo. Finalmente, cansados de tanto levar a pior e sem realizar o sonho de se tornarem ricos e famosos, retornam ao vilarejo, para o fim do primeiro volume da peça.

No segundo volume, os papéis se invertem. Alonso Quijano recuperou definitivamente a lucidez, mas isso lhe custou a vitalidade e ele está deprimido, esperando a morte. Para animá-lo, Sancho Pança decide incitá-lo a retomar suas aventuras.

Depois de convencê-lo de que a realidade é ficção e a ficção é realidade, ambos embarcam em novas aventuras, nas quais todos já conhecem Dom Quixote e brincam com ele. Esse segundo volume culmina com a volta para casa e a morte de Alonso Quijano.

Importância de Dom Quixote

Dom Quixote foi o primeiro romance moderno. Nele, conhecemos não só as personagens principais, mas dezenas de outras personagens que contam suas histórias e enriquecem o arco narrativo principal. Por essa razão, é também considerado o primeiro romance polifônico da história.

Além disso, a obra é rica em sátiras literárias e políticas da época, em referências aos romances de cavalaria e em peças que fundaram o gênero do romance como o entendemos hoje. Trata-se de uma referência universal da cultura espanhola e europeia da época e uma verdadeira joia da literatura.

Personagens na obra de Dom Quixote

O romance apresenta dezenas de personagens em seus dois volumes, mas, entre tantos, os principais são:

  • Alonso Quijano, “Dom Quixote”. Ele é o protagonista da história, ao lado de Sancho, e é quem dá o título à história.
  • Sancho Pança. É o escudeiro de Dom Quixote, que o acompanha em suas aventuras, montado em um burro, sob a promessa de torná-lo governador de uma “ilha”.
  • Rocinante. É o cavalo de Dom Quixote, tão velho e arruinado quanto ele.
  • Dulcineia del Toboso. Ela é a amada imaginária de Dom Quixote, pois todo cavaleiro andante deve ter um amor ideal e impossível a quem possa dedicar suas façanhas.
  • O padre e o barbeiro da aldeia. São amigos de Alonso Quijano e estão determinados a trazê-lo de volta da loucura, bem como a impedi-lo de sair pelo mundo fazendo papel de bobo.
  • O solteirão Samson Carrasco. É ele quem se apresenta como o “cavaleiro dos espelhos”, derrota Dom Quixote em um duelo cavalheiresco e consegue pôr fim à sua loucura.

Características de Dom Quixote

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Dom Quixote é um homem teimoso, de opinião e valente.

Alonso Quijano se caracteriza como um homem velho, desajeitado e extremamente magro. Normalmente, é retratado com barba e usando uma armadura enferrujada. Cervantes o descreve como “cor de avelã” e que “beirava os cinquenta anos de idade (...). Era de compleição áspera, seco de carnes e enxuto de rosto” (Capítulo I da Parte I).

Do ponto de vista psicológico, Dom Quixote é um homem teimoso, de opinião e valente. Sua enorme imaginação lhe permite ver o mundo real como se fosse o dos livros de cavalaria. Nesse sentido, Dom Quixote não age como um louco, mas como uma criança que acredita em seu próprio jogo.

Dom Quixote vê gigantes onde há moinhos de vento e exércitos inimigos onde se cruzam rebanhos de ovelhas. Por outro lado, tem breves momentos de lucidez, nos quais demonstra raciocínio claro e sabedoria discreta.

Na Espanha, existe uma “Rota de Dom Quixote”, que segue os supostos passos de Dom Quixote em La Mancha, Aragão e Catalunha, em um percurso de 2500 km. Foi declarada itinerário cultural europeu pelo Conselho da Europa.

O relacionamento de Dom Quixote com Sancho Pança

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O relacionamento com seu escudeiro cria diálogos e situações mais engraçadas.

A relação entre Dom Quixote e Sancho Pança é extremamente rica e gera os diálogos e as interações mais divertidas entre o suposto cavaleiro andante e seu suposto escudeiro. Nesse sentido, podemos resumi-la em dois momentos:

  • A primeira parte. Dom Quixote delira e leva Sancho a ver o mundo através das lentes de sua imaginação. Ele o convence de que as coisas são realmente como Quixote as vê e que, de qualquer modo, algum feiticeiro pode ter confundido o olhar de seu escudeiro para impedi-lo de ver o exército inimigo, disfarçando-o como um rebanho de ovelhas.
  • A segunda parte. Os papéis se invertem: Dom Quixote recupera sua sanidade e começa a ver o mundo como ele é, o que o leva à depressão e a adoecer. Enquanto isso, Sancho Pança, preocupado com a saúde de seu patrão, está determinado a levá-lo de volta ao delírio e a convencê-lo de que agora são seus olhos que o estão enganando, vítimas de algum feitiço maligno.

Estrutura de Dom Quixote

O romance Dom Quixote se estrutura em quatro partes, no estilo dos romances de cavalaria, como Amadis de Gaula. É composto de 52 capítulos, separados em quatro partes de 8, 6, 14 e 24 capítulos cada.

Possui também um prólogo ou carta ao leitor escrita por Cervantes, na qual ele zomba da erudição de outros autores (inclusive de Lope de Vega).

O segundo volume consta de 74 capítulos, além de um novo prólogo no qual o autor se defende das acusações feitas contra ele no prólogo do Quixote apócrifo.

O Dom Quixote de Avellaneda

O Quixote apócrifo foi publicado em 1614 e teve a assinatura de um certo Alonso Fernández de Avellaneda, natural de Tordesilhas. Contudo, sabe-se que se tratava de um pseudônimo, mas não se sabe de quem.

diversas teorias sobre a autoria dessa obra. Algumas delas apontam para um antigo companheiro de armas de Cervantes, que teria se sentido incomodado ao se reconhecer em um personagem da primeira parte.

O que é certo é que esse Quixote apócrifo tem uma introdução em que acusa Cervantes de covardia e outras baixezas. Em seguida, narra, de forma muito semelhante ao original, as aventuras de Quixote em Madri, Toledo e sua internação em um manicômio. Finalmente, promete uma terceira parte, que se passaria na Velha Castela, Ávila e Valladolid.

Biografia de Cervantes

Miguel de Cervantes Saavedra (1547–1616) foi um soldado, romancista, contista e dramaturgo espanhol. É um dos maiores representantes literários do Século de Ouro espanhol.

É conhecido como o “Príncipe dos Engenhos” ou o “Manco de Lepanto”, pois perdeu o uso de uma das mãos na batalha homônima. Conforme sua própria carta ao leitor, escreveu Dom Quixote na prisão, quando foi capturado pelos mouros em Argel. Faleceu de diabetes em Madri, aos 68 anos de idade.

Referências

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

ETECÉ, Equipo editorial. Dom Quixote. Enciclopedia Humanidades, 2024. Disponível em: https://humanidades.com/br/dom-quixote/. Acesso em: 19 abril, 2024.

Sobre o autor

Traduzido por: Márcia Killmann

Licenciatura em letras (UNISINOS), Doutorado em Letras (Universidad Nacional del Sur)

Data da última edição: 1 março, 2024
Data de publicação: 24 fevereiro, 2024

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