Humanismo

Vamos explicar o que é o humanismo e quais são as suas principais características. Além disso, seus representantes mais importantes e o impacto que gerou.

Humanismo
O humanismo procurou retomar as ideias da cultura greco-romana.

O que é humanismo?

O humanismo foi um movimento filosófico e cultural que surgiu na Europa durante o século XIV. Foi inspirado pela cultura e filosofia greco-romana, priorizou a razão sobre a fé e se interessou pelo conceito do ser humano como centro do universo.

Embora existiram vários “humanismos”, como os da Idade Média ou o humanismo da corte de Carlos, o Grande, quando falamos de humanismo geralmente falamos do Renascimento italiano, que é conhecido como o humanismo Renascentista. Em geral, qualquer estudo dedicado à leitura e interpretação de textos clássicos é um estudo humanista.

Trabalhos filosóficos que enfatizam o ser humano acima de tudo também são chamados humanistas. Exemplos disso são as obras de Werner Jaeger, Erich Fromm, Erasmo de Rotterdam e Jean-Paul Sartre.

A natureza multifacetada do termo e sua amplitude obrigam aqueles envolvidos nos estudos acadêmicos sobre o humanismo a tratar o termo com cuidado. Embora compartilhem algumas características muito gerais, não é o mesmo falar de humanismo renascentista que falar de humanismo existencialista.

Origem do humanismo e a etimologia do termo

renacimiento y humanismo imprenta
Em 1450, com a invenção da imprensa, o humanismo atingiu seu auge.

O humanismo teve origem na Itália durante os séculos XIV e XV, nas cidades de Roma, Florença e Veneza, a partir das obras de Dante Alighieri (1265-1321), Francesco Petrarca (1304-1374) e Giovanni Boccaccio (1313-1375). Este período é também do Renascimento italiano, conhecido como “humanismo Renascentista”. O Renascimento italiano deu origem aos studia humanitatis, estudos humanísticos, precursor das “humanidades de hoje”.

A ligação entre o humanismo e as humanidades é vista na origem etimológica de seu nome. Ambos são provenientes do italiano umanista. Este foi o nome dado aos professores universitários de retórica da época, razão pela qual o termo foi introduzido no latim. Que “humanismo” designe, de forma abstrata o conjunto de ideias e preferências do Renascimento italiano, é o resultado de vários estudos posteriores, especialmente alemães, dedicados ao início da Idade Moderna.

O humanismo, que teve origem na Itália, foi influenciado pela persistente relação deste país com a cultura clássica romana, bem como com suas leis, gramática, retórica e oratória latinas. Os humanistas italianos estabeleceram um ciclo de estudos dedicado à pesquisa em gramática, poesia, história, retórica e filosofia moral. Isto contrastou com o ciclo cristão anterior, que se concentrava em teologia, metafísica, medicina, matemática e filosofia natural.

A partir de 1450, com a invenção da imprensa, o humanismo atingiu seu apogeu graças à possibilidade de divulgação em massa de suas ideias. A imprensa gráfica tornou mais fácil e mais barata a distribuição de textos acadêmicos, que até então estavam na posse exclusiva das autoridades eclesiásticas.

Nesta época, Della Mirandola publicou sua Oração sobre a Dignidade do Homem, na qual exaltava o renascimento do homem, a extensão da sua liberdade de pensar e fazer, e sua semelhança criativa equiparada com Deus.

Com a criação de grandes universidades, como as de Lovaina e Alcalá, vários estudos críticos de obras clássicas como o corpus aristotélico e platônico apareceram. Muitas obras até então inacessíveis foram traduzidas e várias áreas do conhecimento negligenciadas pelas autoridades existentes foram desenvolvidas.

Mais tarde, os filósofos Erasmo de Rotterdam (1466-1536) e Michel de Montaigne (1533-1592), conhecidos hoje como dois dos mais famosos humanistas da época, alcançaram notoriedade. Seus trabalhos moldaram o humanismo, estenderam-no por mais de dois séculos e o consagraram como um dos momentos mais produtivos e inovadores da história europeia.

Características do humanismo

Entre as principais características do humanismo destacam-se as seguintes:

  • O classicismo. O contato com os clássicos foi retomado, não por saudosismo, mas por uma sensação de familiaridade e proximidade intelectual. Francesco Petrarca, Coluccio Salutati e Nicolau Maquiavel afirmaram sentir-se próximos a Cícero apenas com a leitura de suas cartas.
  • A leitura analítica. Foi promovida uma leitura analítica capaz de proporcionar uma atitude crítica, que era necessária para que qualquer leitor pudesse compreender plenamente as ideias dos clássicos.
  • O realismo. Houve uma rejeição às suposições tradicionais em favor de uma análise objetiva da experiência percebida e real. Uma visão realista da história promoveu uma compreensão plena do presente. Houve também uma aproximação realista ao criticismo moral, especialmente nas obras de Erasmo de Rotterdam, Thomas More, François Rabelais e Michel de Montaigne.
  • O escrutínio crítico. A independência em relação ao mundo secularizado foi encorajada, particularmente no que diz respeito aos programas intelectuais herdados e seus preconceitos.
  • O surgimento da dignidade humana e do indivíduo. Estas ideias estavam ligadas ao senso de autonomia pessoal promovido por Petrarca. Enquanto o individualismo era visto com crítica e preocupação (por exemplo, nas obras de Maquiavel), promoveu-se a ideia de uma dignidade humana autossuficiente, capaz de chegar à iluminação intelectual por si só.
  • A virtude ativa. Difundiu-se a ideia de uma virtude ativa que, combinada com uma compreensão filosófica e retórica poderosa, poderia mudar a forma de viver nas cidades. A virtude ativa da busca pelo melhor poderia até mesmo conciliar ideias opostas, assim como pensamentos rivais ou antagônicos.

Representantes do humanismo

Erasmo de Rotterdam - humanismo
Erasmo de Rotterdam foi um representante espanhol do humanismo.

Como um movimento prolífero do humanismo surgiram muitos pensadores de renome e importância histórica e filosófica. Entre eles podemos encontrar:

  • Dante Alighieri (1265-1321)
  • Francesco Petrarca (1304-1374)
  • Giovanni Boccaccio (1313-1375)
  • Leonardo Bruni (1370-1444)
  • Giovanni Pico Della Mirandola (1463-1494)
  • Erasmo de Rotterdam (1466-1536)
  • Thomas Moro (1478-1535)
  • Michel de Montaigne (1533-1592)
  • Nicolau Maquiavel (1469-1527)
  • François Rabelais (1494-1553)

Humanismo e Renascimento italiano

O Renascimento italiano foi o movimento filosófico, artístico, cultural e científico que deu origem ao humanismo. Embora seja verdade que o humanismo se desenvolveu durante mais de dois séculos, e que ainda hoje existem diferentes movimentos humanistas, estritamente falando e em nível histórico-filosófico, o humanismo foi o Renascimento italiano. A maior parte das suas características foram tomadas dele, assim como o objeto de suas buscas intelectuais, discussões políticas e pesquisas filosóficas.

A maioria dos intelectuais depois do Renascimento italiano que estavam identificados com o humanismo trabalhou com base nos preceitos estabelecidos durante esse período e, de modo geral, continuou o trabalho e o espírito inaugurados pelos renascentistas.

Impacto do humanismo

O movimento iluminista surgiu sob a influência do humanismo.

Alguns impactos importantes gerados pelo humanismo foram:

  • A restauração de várias disciplinas que incentivavam o conhecimento e faziam parte da Antiguidade greco-romana.
  • A revolução na educação, com a divulgação de artigos e a abertura de universidades.
  • A revalorização da literatura e da arte, que deram uma grande contribuição à cultura.

O movimento humanista se desenvolveu durante muitos anos e coexistiu com outras doutrinas que surgiram em paralelo.

O Iluminismo foi um dos movimentos mais importantes que surgiram no século XVII sob a influência do humanismo renascentista. Esta doutrina intelectual surgiu na França e se baseou no conceito de razão humana como base para explicar a existência, para combater a ignorância e a superstição. Revelou-se de grande influência na Revolução Francesa.

Referências

  • Choza Armenta, J. L. (2009). Historia cultural del humanismo. Thémata: Plaza y Valdés.
  • Reale, G., & Antiseri, D. (1992). Historia del pensamiento filosófico y científico v. 2: Del Humanismo a Kant. Herder.
  • Gray, H. H. (1963). Renaissance humanism: The pursuit of eloquence. Journal of the History of Ideas, 24(4), 497-514.
  • Cordua, C. (2013). El humanismo. Revista chilena de literatura, (84), 9-17.
  • Albarracín, E. R. (2008). ¿ Qué es el humanismo? Problemática de la formación humanística. Análisis. Revista colombiana de humanidades, (72), 89-104.
  • Kraye, J. (1998). Introducción al humanismo renacentista. Ediciones Akal.
  • “Humanism” em Encyclopaedia Britannica.

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

ESPÍNOLA, Juan Pablo Segundo. Humanismo. Enciclopédia Humanidades, 2023. Disponível em: https://humanidades.com/br/humanismo/. Acesso em: 7 junho, 2024.

Sobre o autor

Autor: Juan Pablo Segundo Espínola

Licenciatura em Filosofia (Universidad de Buenos Aires)

Traduzido por: Márcia Killmann

Licenciatura em letras (UNISINOS), Doutorado em Letras (Universidad Nacional del Sur)

Data da última edição: 28 maio, 2024
Data de publicação: 27 março, 2023

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