Michelangelo

Vamos explicar quem foi Michelangelo, como foi a vida e as distintas obras deste artista. Além disso, suas características e reconhecimentos.

Miguel Ángel
Michelangelo desenvolveu sua obra ao longo de setenta anos ininterruptos.

Quem foi Michelangelo?

O artista renascentista Michelangelo Buonarroti, conhecido em português como Michelangelo, foi pintor, escultor e arquiteto italiano, considerado um dos maiores artistas da história da humanidade.

Desenvolveu sua obra entre Florença e Roma ao longo de setenta anos ininterruptos, tendo como patronos a família dos Médici de Florença e diferentes papas romanos.

Michelangelo é considerado um dos mais emblemáticos artistas renascentistas, cuja obra encarna o espírito da época com seu retomar da tradição clássica greco-romana e sua convivência com os motivos do cristianismo católico.

Suas obras se caracterizam por uma enorme potência expressiva e um grau de realismo que seus contemporâneos, admiradores todos de seu gênio, denominaram Terribilità (“O terrível”). Assim tentavam explicar o estilo único e avassalador das obras de Michelangelo.

Hoje, seu legado é tido como um dos mais valiosos da humanidade e inspirou muitos artistas e pensadores, chegando mesmo a se reproduzir em diversos formatos, roupas e objetos para o consumo em massa.

Nascimento de Michelangelo

Michelangelo nasceu em Caprese, uma vila da Toscana, em 6 de março de 1475.

Foi o segundo de cinco filhos homens de Ludovico di Leonardo Buonarotti e de Francesca di Neri del Miniato di Siena.

Sua mãe morreu quando Michelangelo tinha apenas seis anos.

Era uma família de classe alta, que vinha de uma pequena fazenda em Settignano e uma pedreira de mármore em Florença.

Devido às urgências familiares, em Florença foi criado durante algum tempo por um dos mestres de cortadores de pedra da família, cuja mulher Michelangelo recordaria como sua ama, a quem devia não só o leite amamentado, mas a paixão pela escultura, segundo suas próprias palavras.

Biografia de Michelangelo

miguel angel retrato
Ao longo de sua vida, Michelangelo contou com o apoio de diversos mentores.

Michelangelo não teve o apoio da família ao decidir dedicar-se à arte, já que não se tratava de um trabalho bem-visto naquela época.

No entanto, conseguiu entrar para a oficina dos famosos Domenico e Davide Ghirlandaio, com quem estudou durante três anos.

Dali, passou ao jardim de São Marcos da família Médici, sob a tutela de Bertoldo di Giovanni. Segundo este último, um soco recebido durante essa época deixou seu característico nariz chato para sempre.

Michelangelo contou ao longo de sua vida com numerosos mentores, o primeiro dos quais foi Lorenzo, o Magnífico, após cuja morte em 1492 o artista perambulou por Veneza e Bolonha, para chegar finalmente a Roma.

Ali, realizou suas primeiras grandes obras, que o levaram ao mecenato de figuras políticas de suma importância na Itália da época. Por sua solicitação, Michelangelo tornou-se o grande mestre que passou à História.

Os seus últimos anos de vida transcorreram em Roma, dedicado sobretudo a trabalhos de arquitetura, e responsável do ensinamento dos seus discípulos.

Nesta última época, estava decepcionado com a humanidade e centrou seus interesses na poesia religiosa e nos desenhos, deixando inacabado seu projeto da basílica vaticana ao falecer.

Vida amorosa de Michelangelo

Michelangelo teve muitos amantes homossexuais, entre os quais o jovem poeta Giovanni da Pistoia, que lhe dedicou belos sonetos muito apaixonados.

Também se apaixonou pelo jovem Tommaso Cavalieri, rico e amante das artes, quando Michelangelo já tinha 57 anos.

Muito tempo depois, o artista conheceu Vittoria Colonna, uma viúva que representou para ele a Beatrice de Dante, e com quem cultivou uma amizade muito ardente e inspirada no estético. Sua morte, em 1547, mergulhou o artista em uma dor muito profunda.

Principais obras esculturais de Michelangelo

Miguel Ángel - La Piedad
A Piedade mede 1,74 x 1,95 metro e está na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

As esculturas de Michelangelo são talvez o aspecto de sua obra mais reconhecido e celebrado, nos quais se apreciam tanto motivos clássicos da herança greco-romana, como cenas cristãs que seriam centrais na arte religiosa da época.

Muitas destas figuras foram destinadas a lugares emblemáticos da cidade ou ao túmulo de seus mentores, os Médici. Entre o enorme conjunto de esculturas que deixou, destacam-se:

  • O Davi. Esculpido entre 1502 e 1504, esta figura humana foi um dos símbolos da Florença da época e uma obra-prima da perspectiva. A estátua possui mais de quatro metros de altura, em detalhe hiper-realista sobre mármore branco.
  • O túmulo de Júlio II. Vários artistas foram encarregados da confecção do mausoléu do papa Júlio II, que morreu em 1513. Entre eles esteve Michelangelo, cuja estátua de Moisés terminada em 1515 evidencia seu incrível talento para capturar a expressividade humana em um rosto contrariado de raiva e tristeza ao mesmo tempo.
  • A Piedade, do Vaticano. Intitulada Pietà e terminada entre 1498 e 1499, esta estátua de 1,74 x 1,95 metro está localizada na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Nela, é representada a Virgem Maria sustentando o corpo inerte de Jesus Cristo, sobre as suas vestes que exibem numerosas dobraduras e véus, todos perfeitamente representados em mármore. Esta obra-prima foi terminada quando Michelangelo tinha 24 anos.

Principais obras pictóricas de Michelangelo

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A Abóbada da Capela Sistina foi terminada em quatro anos.

Michelangelo começou na pintura com apenas doze anos, quando culminou seu Tormento de Santo Antônio.

Já nesta obra inicial, era possível ver a genialidade do artista, que alcançaria seus maiores sucessos com o Tondo Doni em Florença entre 1504 e 1505, uma representação da Sagrada Família, sobre um fundo no qual se podem ver as diversas etapas na história da humanidade.

No entanto, a obra-prima de Michelangelo em matéria de pintura foi o desenho do afresco da Abóbada da Capela Sistina: um projeto que começou em 1508 e culminou quatro anos depois.

Trata-se de um afresco de proporções colossais, cingindo-se à forma da abóbada, na qual pintou nove cenas da gênese bíblica, com presença dos profetas, das sibilas e quatro ignudi (jovens nus).

Esta colossal obra-prima foi concluída em 1512, apesar dos contratempos econômicos do artista, das pressões frequentes do papa e do fato de que Michelangelo a pintou totalmente por conta própria.

Muitas das cenas desta pintura foram utilizadas em numerosas representações e fazem parte do centro da cultura europeia renascentista.

Principais obras arquitetônicas de Michelangelo

miguel angel arquitectura
A Praça do Capitólio foi reconstruída por Michelangelo.

Solicitado por seus mentores, os Médici, Michelangelo empreendeu numerosas reconstruções arquitetônicas e melhorias de palácios já existentes.

Entre estes trabalhos, encontra-se a fachada de São Lourenço (iniciada em 1420 e inacabada em 1518 quando foi assumida pelo artista) e as melhorias do palácio Medici Riccardi, em 1517.

Em Florença, foi encarregado das obras da Biblioteca Laurenciana empreendida em 1533 sob o mandato do papa Clemente VII e no Vaticano o desenho da Basílica de São Pedro.

Além disso, na reconstrução da Praça do Capitólio, Michelangelo alterou a sua fachada para que, em vez do Fórum Romano, apontasse para o novo centro de poder: a Basílica de São Pedro.

Desenhos de Michelangelo

Miguel Ángel
Michelangelo chegou a queimar muitos de seus esboços e desenhos.

Michelangelo também realizou um conjunto diverso de desenhos, que se têm por obras-primas incompletas, dado que o próprio artista queimou numerosos esboços e desenhos em fogueiras acesas por ele mesmo.

Entre eles destaca-se A Batalha de Cascina, inspirada em uma crônica de Filippo Villani, que mostra as tropas de Florença em combate com as de Pisa.

Também são célebres os desenhos preparatórios para a fortificação de Florença, quando Michelangelo foi nomeado “governador e procurador-geral de fortificações”, depois da expulsão dos Médici, em 1527.

Obra poética de Michelangelo

Michelangelo se envolveu também na poesia, deixando umas trezentas composições nas quais se destacam os sonetos e os madrigais, influenciadas pela obra de Petrarca e, eventualmente, com saídas satíricas e humorísticas.

Do conjunto, destacam-se os poemas dedicados ao seu amor platônico por Vittoria Colonna, de marcado caráter religioso e místico, pois compartilhavam essas inquietudes.

Reconhecimentos de Michelangelo

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Michelangelo era chamado por seus seguidores de “o divino”.

Michelangelo foi o primeiro artista ocidental de quem foram publicadas em vida duas biografias, em 1550 e 1553, uma por Giorgio Vasari e outra por um discípulo seu, Ascanio Condivi.

Seus contemporâneos o admiravam enormemente e o chamavam de “o divino”.

O seu nome estava também no Calendário dos Santos Luterno, foi dado a um asteroide descoberto em 1982 e a uma cratera do planeta Mercúrio. Numerosas ruas, praças e avenidas lhe prestam homenagem por todo o mundo.

Falecimento de Michelangelo

Michelangelo faleceu em Roma, em 1564, sem ver concluídas muitas de suas obras do último período, e foi enterrado em Florença, de acordo com sua vontade.

Seu túmulo exibe uma obra sublime de um discípulo seu, Giorgio Vasari, confeccionada em 1570.

Referências

Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

ETECÉ, Equipo editorial. Michelangelo. Enciclopedia Humanidades, 2023. Disponível em: https://humanidades.com/br/michelangelo/. Acesso em: 27 fevereiro, 2024.

Sobre o autor

Traduzido por: Cristina Zambra

Licenciada em Letras: Português e Literaturas da Língua Portuguesa (UNIJUÍ)

Data da última edição: 24 novembro, 2023
Data de publicação: 24 novembro, 2023

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